~ MAREU ~
Fiquei olhando para elas por um segundo.
Depois comecei a rir.
Clara entrou primeiro.
Cath vinha logo atrás.
As duas estavam vestidas de preto e couro, num nível de coordenação visual que só podia significar uma de três coisas: sequestro, espionagem internacional ou colapso moral muito bem-produzido.
— O que tá acontecendo?
Clara cruzou os braços com a solenidade de quem claramente tinha ensaiado a própria entrada.
— Coloca seu melhor vestido, porque a gente vai sair pra comemorar.
Eu pisquei.
— Eu disse que não queria uma despedida de solteira.
Cath fechou a cara e decretou:
— Ninguém se casa sem uma despedida de solteira.
Virei o rosto para Logan, que estava apoiado na cabeceira da cama, tranquilo demais para alguém que acabou de ter o quarto invadido.
— Espera. Você foi conivente com esse sequestro?
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Você realmente acha que algum sequestrador, ou sequestradora, entraria nessa casa sem autorização?
Franzi a testa.
— Isso foi estranho.
— Estranhamente realista.
Clara já tinha ido até o closet e abriu as portas como quem fazia inventário de uma operação secreta.
— Anda logo. A limousine chega em vinte minutos.
Sentei mais direito na cama.
— Limousine?
Cath assentiu, satisfeita demais com a minha expressão.
— Limousine decorada!
— Vocês são impossíveis.
Foi exatamente nesse momento que Olívia entrou no quarto.
— Tô pronta pra operação.
Ela usava um vestido preto, óculos escuros cor-de-rosa e uma bolsinha pendurada no ombro como se estivesse prestes a negociar doces no mercado paralelo.
Comecei a rir de novo.
— Tudo bem, convencida. Se é uma despedida adequada para criança, eu tô dentro.
— Eu sou a supervisora moral da noite — ela anunciou.
Logan soltou um riso baixo.
— Isso me tranquiliza profundamente.
— Deveria mesmo — Olívia respondeu. — Eu sou a única com bom senso nessa família.
Clara bateu palmas uma vez.
— Sem tempo para autocríticas estruturais. Vamos vestir a noiva.
Nos vinte minutos seguintes, minha vida foi tomada por um nível de organização feminina agressiva.
Cath escolheu o vestido.
Clara escolheu o sapato.
Olívia fez “aprovações finais”.
No fim, me colocaram num vestido confortável, bonito o bastante para eu me sentir especial e prático o bastante para ninguém me mandar de volta para casa por risco obstétrico. O cabelo ficou solto. A maquiagem, leve. E, quando achei que estávamos prontas, Clara apareceu com um véu curto e uma expressão demoníaca.
— Nem pensar.
— Tarde demais — ela respondeu.
Cath prendeu o véu na minha cabeça enquanto eu protestava sem convicção nenhuma, e Olívia, como quem participava de um ritual sagrado, abriu um batom vermelho.
— O que você vai fazer com isso? — perguntei.
— Arte.
— Isso me preocupa.
Dois segundos depois, eu tinha escrito NOIVA na testa em letras suficientemente tortas para parecer decisão alcoolizada, embora qualquer coisa alcoólica permitida naquela noite estivesse muito longe de mim.
Quando me olhei no espelho, fiquei ofendida.
— Estou ridícula.
Clara sorriu.
— Está perfeita.
Cath assentiu.
— Ridiculamente perfeita.
Olívia colocou as mãos na cintura.
— Isso claramente precisava de glitter, mas fui voto vencido.
Descemos as escadas em formação quase coreografada, com Logan esperando no hall e Liam no colo, vestido com um pijaminha de quem claramente tinha sido excluído de uma aventura importante e ainda não sabia disso.
Logan me olhou de cima a baixo, viu o véu, viu a testa, viu a minha expressão de resignação social e começou a rir.
— Meu Deus.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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