~ MAREU ~
Voltar para casa no meio da madrugada tinha um gosto específico de adolescência tardia, crime pequeno e felicidade mal disfarçada.
Clara e Cath tinham se empenhado tanto na operação da minha despedida de solteira que eu me sentia obrigada a entrar na mansão como se estivesse chegando de uma festa proibida aos dezessete anos.
Só que, no meu caso, a festa era autorizada, a mansão era do meu noivo e o único adulto acordado que poderia me repreender era justamente o homem que eu queria encontrar acordado.
Depois de colocar Olívia na cama — ainda de vestido, exausta, mas tentando manter a dignidade operacional até o último segundo —, segui para o meu quarto com passos o mais silenciosos possível.
Silenciosos para uma mulher grávida de trinta semanas, cansada, feliz e ainda com a palavra NOIVA meio apagado na testa.
Abri a porta devagar.
Logan ainda estava acordado.
Na cama. Encostado na cabeceira. Lendo.
Levantei as sobrancelhas.
— Isso é muito ofensivo.
Ele ergueu os olhos do livro.
— O quê?
Fechei a porta atrás de mim e fui até a cama, soltando os sapatos pelo caminho como quem deixava pequenas provas materiais de uma vida muito bem vivida.
— Você ainda estar bonito a essa hora.
Logan sorriu. Fechou o livro. Colocou-o na mesinha de cabeceira.
— Olha quem fala! Você parece... radiante!
— Eu sou uma noiva rebelde.
— Você é uma grávida cansada fingindo energia.
— Isso também.
Subi na cama com mais cuidado do que gostaria de admitir e me sentei ao lado dele, soltando um suspiro longo quando finalmente acomodei o peso da barriga, do corpo e da noite inteira.
Olhei para ele.
A camiseta escura, o cabelo um pouco bagunçado, a calma irritante de homem que parecia já pertencer ao resto da minha vida inteira.
— Não é justo — falei.
Ele virou o rosto na minha direção.
— O quê?
— Você não teve uma despedida de solteiro.
Logan riu.
Aquela risada baixa, quase preguiçosa, que sempre me dava vontade de me aproximar mais.
— Eu me despedi disso no momento em que olhei pra você pela primeira vez.
Fiz uma cara de absoluto ceticismo moral.
— Mentiroso! Estava tudo tão caótico naquele dia que você mal conseguia me olhar.
Ele inclinou um pouco a cabeça.
— Eu senti.
Eu ri.
— Mentiroso.
Aproximei-me mais um pouco, só para provocá-lo melhor.
— Mas mentiroso romântico. Eu gosto.
Beijei-o antes que ele pudesse responder.
Um beijo lento, quente, com aquele gosto bom de fim de noite e promessa de manhã importante. Ele passou a mão pela minha cintura, depois pelas minhas costas, me puxando mais para perto com o cuidado automático que já fazia parte dele quando era comigo.
Quando me afastei, soltei um gemidinho baixo enquanto tentava me livrar da parte de cima do vestido.
— Meu Deus, essa barriga está ficando cada vez mais pesada. Eu me sinto um móvel delicado.
Logan já tinha puxado o zíper por mim antes de eu terminar a reclamação.
— Um móvel delicado e falante.
Ele terminou de me ajudar a tirar a roupa e olhou para mim daquele jeito que ainda me fazia esquecer o próprio nome por alguns segundos. Não o olhar de fome, necessariamente. Ou não só isso. Era uma mistura mais perigosa. Ternura, desejo, costume, amor, admiração e um pouco daquela incredulidade silenciosa que eu também sentia às vezes: como foi que a gente veio parar aqui?
— Vem — ele disse, levantando da cama. — Vamos tomar um banho.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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