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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 248

~ LOGAN ~

Eu tinha passado a manhã inteira me arrumando para o casamento como um homem perfeitamente funcional, equilibrado e no controle de todas as variáveis.

O problema é que eu não era nenhuma dessas coisas.

Pelo menos não naquele dia.

O quarto do noivo no Milani era amplo, elegante, silencioso demais para a quantidade de tensão que cabia dentro dele. Terno pendurado na porta do armário, gravata já ajustada, abotoaduras separadas em cima da cômoda, sapatos impecavelmente lustrados e uma garrafa de água que Henrique tinha empurrado para a minha mão três vezes nas últimas duas horas como se hidratação pudesse impedir um colapso emocional.

Não podia.

Eu mal tinha visto nada ao redor.

Nem o arranjo da sala.

Nem a vista das janelas.

Nem o café da manhã que alguém insistiu em deixar ali e que eu fui incapaz de tocar.

Estava com a sensação ridícula de que o tempo corria e se arrastava ao mesmo tempo. Como se eu tivesse esperado por aquele dia por meses e, ainda assim, não estivesse pronto para chegar nos próximos dez minutos.

Henrique, claro, achava aquilo divertidíssimo.

— Você está andando em círculos de novo — ele comentou, encostado numa poltrona com a gravata já no lugar e a cara de homem irritantemente descansado.

Parei no meio do quarto e olhei para ele.

— Não estou.

Igor, do outro lado, ajustando o próprio punho diante do espelho, nem se deu ao trabalho de fingir apoio.

— Está, sim.

— Vocês dois são péssimos amigos.

Henrique arqueou uma sobrancelha.

— Nós estamos aqui às dez da manhã de um sábado usando terno por sua causa. Acho que isso nos classifica como amigos excelentes.

—E, tecnicamente, eu só estou fazendo isso porque sou seu irmão e não tive escolha quanto a isso — Igor brincou.

Olhei para os dois.

Henrique Alencar, meu melhor amigo, meu padrinho, meu cúmplice em decisões boas e especialmente nas ruins. Igor, meu irmão, o único homem da família Novak capaz de me irritar e me proteger com o mesmo grau de eficiência.

Havia alguma coisa de absurdamente certa em eles estarem ali.

Suspirei e passei a mão pela nuca.

— Eu só quero que tudo dê certo.

Henrique soltou uma risadinha.

— Olha ele. O grande Logan Novak. Dominador de conselhos. Executor de fusões. Destruidor de concorrentes. Caído por causa de flores, votos e música de entrada.

— Não são as flores — respondi.

— São os votos? — Igor perguntou.

— É a Mareu.

Henrique levou a mão ao peito fingido choque.

— Céus. Ele está apaixonado mesmo.

— Eu avisei — Igor disse. — Ninguém fica com essa cara por protocolo social.

Ignorei os dois porque era isso ou aceitar que eles tinham razão.

E eles tinham.

Eu estava apaixonado.

Profundamente.

Ridiculamente.

Num nível que tornava a ideia de esperar mais dez minutos pela entrada dela quase insuportável.

Henrique se aproximou para ajeitar um detalhe mínimo na lapela do meu paletó.

— Ela vai vir — disse, num tom mais sério. — Ela vai estar linda. Você vai parecer um idiota emocionado. Eu vou rir da sua cara internamente e depois a gente vai beber um vinho caro demais para comemorar. Vai dar tudo certo.

Soltei um riso baixo.

— Isso foi estranhamente reconfortante.

— Eu tenho camadas.

Igor olhou para mim pelo espelho.

— E, se por algum motivo você resolver desmaiar no altar, me avisa antes. Eu prefiro estar com o celular preparado para gravar.

— Você está sendo muito solidário hoje.

— Eu sou um irmão. Não um padre.

Foi nesse momento que a porta abriu, e a cerimonialista entrou.

Ela trazia aquele ar específico de gente que trabalha com casamentos de alto padrão: voz calma, roupa neutra, cabelo impecável e a energia de quem administraria um incêndio dizendo “só um instantinho” e realmente resolveria.

— Senhor Novak?

Virei-me imediatamente.

— Sim.

— Estamos no tempo. O senhor entra em dez minutos. É melhor se dirigir ao salão.

Meu coração bateu diferente.

Não mais rápido.

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