~ LOGAN ~
No começo, eu achei que era só o atraso normal.
O atraso de noiva que faz parte do ritual, do suspense, da tradição, da estética e da crueldade refinada que casamentos impõem ao noivo antes de permitir que ele volte a respirar.
Dez minutos.
Esse era o combinado implícito. Dez minutos de espera bonita. Dez minutos de música tocando baixo, convidados sorrindo, gente trocando olhares cúmplices, padrinhos se mantendo compostos, e eu ali no altar tentando não parecer um homem à beira de um surto romântico.
O problema é que dez minutos passaram.
E depois mais cinco.
E depois mais alguns.
E o salão começou a mudar de temperatura.
Eu percebi antes mesmo de olhar em volta. Pelo jeito como o murmúrio cresceu um pouco. Pelo barulho leve de tecido nos bancos. Pelo tipo de silêncio que passa a existir no meio de um evento quando as pessoas ainda não sabem se podem ou não começar a achar estranho.
Já tinham se passado quase vinte minutos.
E nada de Mareu.
Nada de Olívia.
Nada de qualquer movimentação que indicasse que o casamento estava, de fato, continuando.
Fiquei parado no altar tentando parecer um homem sereno e em paz com a espera.
Por dentro, já estava calculando possibilidades. E uma delas era a possibilidade absurda de Mareu ter desistido.
Olhei discretamente para a lateral do salão.
Nada.
Para o corredor principal.
Nada.
Para a porta.
Nada.
Os convidados começaram a cochichar nos bancos. Ainda discretamente, mas o suficiente para me deixar com a sensação de que o próprio ar estava me cutucando.
Aproximei-me um pouco de Clara, que estava do lado do Henrique com uma expressão de madrinha impecável e, ao mesmo tempo, de melhor amiga pronta para matar alguém se necessário.
— Cadê ela? — perguntei baixo.
Clara virou o rosto para mim.
— O quê? — Ela se aproximou mais, sem me ouvir direito.
— Cadê a Mareu? Ela estava... bem?
Aquela era a pior coisa sobre o medo. Ele tornava até pergunta simples em ameaça.
Clara me olhou por um segundo.
— Ela estava nervosa. Claro que estava nervosa. Mas estava perfeitamente centrada e ansiosa quando a deixei no quarto da noiva.
Engoli em seco.
— Você não acha… — comecei. — Você não acha…
Nem consegui terminar a frase inteira.
Clara percebeu.
E, para minha humilhação eterna, começou a rir.
Não alto. Mas riu.
Logo em seguida lembrou que estava num altar, em pleno Milani, e deveria manter alguma discrição. Mas o dano já estava feito.
— Logan — ela sussurrou, segurando o riso. — O único lugar para o qual a Mareu quer fugir é para os seus braços. Relaxa.
Cath, que claramente tinha ouvido o suficiente para entrar na conversa sem convite, aproximou-se um pouco e acrescentou:
— Provavelmente ela só se emocionou demais e precisou retocar a maquiagem.
Olhei para as duas.
Duas mulheres belíssimas, bem vestidas, perfeitamente arrumadas e absurdamente tranquilas para o meu gosto.
Eu, por outro lado, já estava começando a sentir alguma coisa apertar no meu peito.
Porque o tempo continuava passando.
E nenhuma informação vinha.
Aliás, onde diabos estava a cerimonialista?
Aquilo começou a me irritar de um jeito quase físico.
Cerimonialista some? Noiva atrasa demais? Daminha não aparece? Melhor amiga não sabe de nada? Ninguém vem dizer absolutamente nada?
Aproximei-me de Clara de novo.
— Eu deveria ir lá ver o que está acontecendo.
Ela balançou a cabeça na mesma hora.
— De jeito nenhum. Ver a noiva antes da hora dá azar.
Olhei para ela sem nenhuma paciência.
— Não é antes da hora, já passou da hora.
Clara hesitou.
Por um segundo, eu vi no rosto dela que a lógica estava vacilando.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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