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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 251

~ MAREU ~

Olhei para a Olívia e soltei o ar devagar, tentando não estragar de novo o pouco de compostura que ainda me restava.

— Acho que está chegando a hora.

Olívia ajeitou o vestido de daminha como se aquela fosse uma manhã qualquer e não o casamento do pai.

— Isso tudo é muito burocrático — decretou. — Como pode ser emocionante se complicam tudo?

Mesmo com os olhos ainda ardendo do choro, eu ri.

— Pelo menos tem alguém cuidando de todas as complicações por mim.

Como se a frase tivesse sido uma convocação oficial, a porta se abriu, e a cerimonialista entrou apressada, tablet numa mão, fone no ouvido e o semblante de quem já estava administrando três pequenos incêndios sociais ao mesmo tempo.

Ela olhou para mim.

Parou.

Piscou.

— Meu Deus, o que aconteceu aqui?

Olhou para o meu rosto.

Depois para a Olívia.

Depois de volta para o meu rosto.

— Sua maquiagem precisa… precisa…

Ela respirou fundo, claramente tentando não desmaiar em nome da profissão.

— De um retoque.

Olívia cruzou os braços.

— Papai pagou caro demais em uma maquiadora para a Mareu poder chorar.

A cerimonialista fechou os olhos por um segundo, como quem buscava força nas profundezas do autocontrole.

— Existe uma diferença entre chorar de emoção e… — ela fez um gesto amplo na minha direção — o que aconteceu aqui.

Eu ergui uma mão.

— Descontrole emocional causado por uma criança de sete anos.

A cerimonialista claramente decidiu que aquilo não valia uma discussão mais longa.

— Que seja. Vou buscar a maquiadora. Não temos mais tempo.

Minutos depois, a maquiadora estava de volta diante de mim, armada com pincéis, esponjas, corretivos e a resignação santa de uma mulher que, provavelmente, já tinha reconstruído noivas emocionalmente muito piores.

— Nada que eu não consiga resolver — anunciou.

Ela começou a refazer os estragos com mãos ágeis e uma calma profissional que me dava vontade de pagar o dobro só por gratidão terapêutica. A base voltava, o corretivo ia apagando vestígios da minha conversa cataclísmica com a Olívia, o blush retornava como se eu não tivesse chorado o equivalente à cheia de um rio.

Eu tentava respirar.

Só que alguma coisa na minha barriga estava começando a ficar estranha.

Não dor exatamente. Ou talvez dor, mas de um jeito impreciso, mal desenhado. Um aperto mais baixo. Uma pressão. Um desconforto que vinha e ia como se meu corpo todo estivesse tentando me dizer uma coisa e ainda não tivesse encontrado a frase.

Nervosismo, concluí.

Tinha que ser.

Era meu casamento. Eu estava de vestido branco, com véu, maquiagem cara, uma enteada me chamando de mãe de coração e um noivo lindo me esperando no altar. Se aquilo não justificasse um frio brutal na barriga, nada mais justificaria.

A maquiadora seguiu falando para me distrair.

— Respira pelo nariz — aconselhou. — Você está linda. Vai continuar linda. Ninguém lá fora sabe que esse quarto quase virou um centro de crise.

Olívia, ainda sentada ao meu lado, balançava um saquinho de pétalas com a seriedade de quem carregava material sensível de segurança máxima.

— Quantas pétalas eu posso jogar por passo?

A maquiadora olhou para ela pelo espelho.

— Eu não faço a menor ideia.

— Isso é logística básica — Olívia respondeu. — Se eu jogar muitas no começo, faltam no final. Se eu economizar demais, parece avareza.

Eu ri.

Depois imediatamente levei a mão à barriga por reflexo, porque o riso repuxou aquele desconforto num ponto exato e novo.

A maquiadora percebeu.

— Tudo bem?

— Tudo. — Respirei. — Frio na barriga.

Olívia ergueu uma sobrancelha no espelho.

— O seu está bem maior do que o normal.

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