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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 254

~ LOGAN ~

Eu não sabia há quanto tempo estava andando de um lado para o outro naquela sala de espera.

Podiam ter sido cinco minutos.

Podiam ter sido cinquenta.

Podia ter sido uma vida inteira.

O tempo em hospital tinha esse dom grotesco de perder completamente a forma. Ou passava rápido demais para que a dor fosse processada, ou se arrastava como castigo. E, naquela noite, ele fazia as duas coisas ao mesmo tempo.

A sala era ampla, discreta, cara. Poltronas confortáveis demais, iluminação suave demais, água em garrafas de vidro, um arranjo floral sobre a mesa central que, em qualquer outro contexto, eu teria achado de bom gosto. Naquele contexto, eu queria arrancar flor por flor e jogar tudo contra a parede.

Henrique estava sentado, mas com o corpo inteiro tenso.

Clara mantinha os braços cruzados, o rosto duro de quem estava se segurando com todas as forças.

Igor estava numa das cadeiras mais afastadas, inclinado para a frente, os cotovelos nos joelhos, aquela postura de quem parecia calmo só para não enlouquecer junto.

Cath também estava ali, pálida de um jeito que não combinava nem um pouco com ela.

Até Rômulo estava na sala. Acompanhante da Cath, tecnicamente. Mas, pelo jeito como tinha permanecido em silêncio desde que chegamos, dava para ver que não era só isso. Ele estava preocupado com a Mareu.

Olívia não estava conosco.

Tinha ficado com Samira.

Na breve ligação que consegui fazer, Samira me contou que precisou administrar alguns calmantes naturais para fazê-la dormir.

Era melhor.

Tinha que ser melhor.

Olívia precisava estar bem.

Eu não podia ter mais preocupações agora.

Não podia pensar nela chamando pela Mareu.

Não podia pensar no Liam.

Não podia pensar no salão que tínhamos deixado para trás, nos convidados, nos olhares, nos cochichos, no escândalo social que certamente já estava nascendo no minuto em que o casamento de Logan Novak e Maria Eugênia Valença tinha sido interrompido.

Nada disso importava.

Eu continuei andando.

O som do meu sapato no piso me irritava. O meu próprio corpo me irritava. O ar-condicionado me irritava. O arranjo floral me irritava. O fato de ninguém aparecer naquela porta me irritava.

Foi então que ouvi Igor, sem levantar muito a voz:

— E os pais dela?

Clara respondeu:

— Não contamos sobre… tudo. Não queríamos preocupá-los. Usamos a mesma desculpa do cancelamento do casamento.

Eu me lembrava vagamente da cerimonialista, no microfone, enquanto eu saía correndo do altar:

A noiva teve um mal-estar por causa da gravidez e o médico orientou observação e repouso imediato.

Mal-estar.

A palavra quase parecia uma piada.

Mal-estar era tontura.

Mal-estar era enjoo.

Mal-estar não era Mareu sendo levada de maca, de vestido branco, coberta de sangue, tentando me dizer que queria se casar.

Foi então que a porta abriu.

Um médico entrou.

Não o mesmo que eu tinha visto correndo pelo corredor. Outro. Mais velho. Postura reta, olhar cansado, máscara abaixada no queixo. Tinha a expressão exata de quem já tinha passado por notícias demais para sentir qualquer necessidade de dramatizar.

— Senhor Novak?

Meu corpo já estava em movimento antes mesmo de eu responder.

— Sim.

Ele fez um gesto para que eu o acompanhasse até um canto mais afastado, perto de uma janela escura que só refletia o meu próprio rosto destruído. Mas ninguém ali fingiu não ouvir. Henrique se levantou. Clara e Igor se endireitaram. Até Cath e Rômulo ficaram mais atentos.

O médico respirou fundo.

Não.

Aquilo não era uma resposta.

Aquilo era protocolo. Era contenção. Era a forma elegante que médicos tinham de não dizer o tamanho verdadeiro do abismo.

Meu corpo reagiu antes da minha cabeça.

Agarrei o médico pelo colarinho.

Ouvi alguém atrás de mim se levantar de vez. Henrique, provavelmente. Talvez Igor. Mas ninguém chegou a tempo de me impedir.

— Eu preciso que o senhor me diga que ela vai sair viva dali!

A minha voz saiu alta demais. Rasgada demais. Feia demais.

O médico não se debateu.

Não se ofendeu.

Não levantou a voz.

Só me olhou com aquela brutalidade calma de quem trabalhava há tempo demais perto da linha entre a vida e a morte para perder tempo fingindo garantias.

— Eu não posso te prometer isso.

A frase me atravessou inteira.

Ele continuou, firme:

— O que eu posso te prometer é que ninguém naquela sala vai parar antes de fazer tudo por ela e pela sua filha.

Mas aquilo não era suficiente.

Longe de ser.

Eu não queria promessa de esforço.

Eu precisava de certeza.

Precisava que alguém olhasse para mim e dissesse que, quando aquela porta abrisse de novo, Mareu estaria viva. Respirando. Falando besteira. Me chamando de dramático. Reclamando do vestido. Perguntando da bebê. Qualquer coisa.

Qualquer coisa menos o vazio.

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