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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 255

~ LOGAN ~

A primeira coisa que eu ouvi foi um choro.

Não alto.

Não forte.

Não aquele choro cheio e indignado que eu lembrava da Olívia chegando ao mundo como se já tivesse alguma reclamação formal a protocolar contra a existência.

Era um choro leve. Baixo. Quase inexistente.

Mas era o suficiente.

Porque significava vida.

Eu ergui a cabeça tão rápido que senti o pescoço protestar. A enfermeira que estava comigo fez um gesto pequeno, calmo, pedindo que eu a acompanhasse. Eu fui sem dizer nada, sem pensar, sem respirar direito. Meus pés se moviam sozinhos, como se o resto do meu corpo ainda não tivesse entendido o que estava acontecendo e só obedecesse a uma força primitiva, estúpida, absoluta: minha filha está viva.

Ela me levou até a incubadora.

E ali estava.

Tão pequena que por um segundo meu cérebro recusou a imagem.

Pequena demais.

Delicada demais.

Real demais.

Fiquei parado diante do vidro, sem saber o que fazer com as mãos, com os olhos, com o coração inteiro batendo no pescoço como se quisesse sair pela boca.

— Meu Deus — murmurei.

A enfermeira ficou ao meu lado, respeitando o silêncio daquele primeiro impacto.

— Ela é pequenininha — eu consegui dizer, a voz saindo mais baixa do que eu pretendia.

Pequenininha era uma palavra ridícula para o que eu estava vendo.

Ela parecia feita de fragilidade e insistência. Tinha a pele avermelhada, o corpinho mínimo, cabos e monitorização demais em volta para alguém que devia estar dormindo no colo da mãe, em vez de lutando pela própria estabilidade dentro de uma caixa transparente.

A enfermeira sorriu com uma delicadeza que, naquela hora, quase me feriu de tão humana.

— É pequenininha, sim. Mas já é uma grande guerreira.

Eu ri pelo nariz. Ou chorei. Era difícil distinguir qualquer coisa naquela altura.

Porque as lágrimas já estavam vindo. Quentes. Silenciosas. Caindo com uma facilidade humilhante que eu não estava interessado em controlar.

A enfermeira fez um ajuste mínimo em alguma coisa da incubadora e então se virou para mim.

— Vou dar cinco minutos ao senhor.

Assenti.

Ela saiu.

E, de repente, ficamos só nós dois.

Eu e a minha filha.

A minha filha.

Ainda era estranho pensar a frase inteira sem sentir o mundo inclinar um pouco.

Aproximei-me mais do vidro.

Não sabia o que dizer.

Na verdade, eu sabia muitas coisas, mas nenhuma parecia caber na boca. Tudo era grande demais, dolorido demais, bonito demais, cruel demais. Então fiquei só olhando para ela por um instante, tentando gravar cada detalhe do rosto pequeno, da testa, do nariz, do desenho da boca.

Foi isso que me acertou primeiro.

A boca.

— Você é a cara da sua mãe — murmurei.

Disse aquilo tão baixo que talvez nem o vidro tenha ouvido.

Mas era verdade.

Mesmo ali, minúscula, prematura, cercada por luzes e tecnologia, eu já conseguia ver a Mareu nela. A delicadeza do rosto. Alguma coisa no contorno dos olhos. E eu tinha a sensação absurda de que, se aquela menina pudesse falar naquele instante, provavelmente já começaria a vida com uma resposta irônica na ponta da língua.

Estendi um dedo com cuidado, seguindo a orientação que a enfermeira havia me dado um segundo antes, e toquei a mãozinha dela pela abertura indicada.

Ela segurou.

Pequena.

Forte.

Forte demais para um ser humano daquele tamanho.

Senti o ar faltar.

Meu peito se fechou como se o coração tivesse ficado grande demais para continuar ali dentro.

— Oi — eu disse, porque era o que me restava. — Eu sou seu pai.

Ela continuou segurando o meu dedo.

Minha filha.

A minha filha segurando meu dedo dentro de uma incubadora, enquanto a mulher que eu amava ainda não tinha voltado para mim.

Fechei os olhos por um segundo.

E o resto me atingiu inteiro.

Minutos antes, o médico tinha voltado à sala de espera.

— O parto foi um sucesso, dentro do possível. Sua filha nasceu.

Eu me lembro perfeitamente de ter levantado antes mesmo que ele terminasse a frase.

— E a Mareu? Se o parto foi um sucesso, ela está bem, certo? Posso vê-la? Posso ver a minha filha? Ela está com a Mareu? Ela…

Eu lembro da minha própria voz se atropelando.

E lembro ainda melhor da forma como o médico me respondeu.

A menina estava na incubadora. Eu poderia vê-la.

Mas Mareu estava… em observação.

Observação.

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