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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 256

~ LOGAN ~

Eu não queria sair do hospital.

A simples ideia de me afastar daquele andar me dava a sensação irracional de que alguma coisa podia acontecer no exato segundo em que eu atravessasse a porta. Como se a minha presença ali, entre a UTI da Mareu e a neonatal da minha filha, ainda fosse capaz de impedir que o mundo desabasse mais um pouco.

Mas havia outra pessoa me esperando. Outra pessoa que também era minha e que também tinha passado as últimas horas vendo adultos correrem, ouvindo palavras demais, entendendo o suficiente para sentir medo e não o bastante para ser poupada dele.

Olívia.

Eu tinha repetido para mim mesmo, mais de uma vez, que estava indo para casa por ela. Eu estava indo porque precisava vê-la com os meus próprios olhos, ouvir a voz dela, sentir se ela estava inteira. Precisava olhar para a minha filha e saber quanto daquilo tudo tinha quebrado dentro dela.

No caminho até a mansão, o trânsito parecia obscenamente normal. As pessoas atravessavam ruas, motos costuravam carros, o semáforo abria e fechava como se o mundo não tivesse parado quando o vestido de noiva da mulher que eu amo se manchou de sangue.

Fechei os olhos por um segundo no sinal vermelho.

Não.

Se eu começasse por esse pensamento, não sairia dele.

Quando cheguei à mansão, tudo pareceu silencioso demais. Não o silêncio elegante e controlado da casa em dias comuns. Era um silêncio cauteloso, como se as paredes soubessem que qualquer ruído errado podia despedaçar alguém.

Foi Samira quem apareceu primeiro no hall.

— Ela acordou faz pouco tempo — disse em voz baixa, como se a própria casa estivesse de repouso. — Está no quarto dela. Não quis comer nada sem você.

Assenti. Quis agradecer. Acho que agradeci. Não tenho certeza.

Subi as escadas com a estranha sensação de estar me aproximando de uma reunião decisiva. Talvez porque estivesse mesmo. Olívia nunca tinha sido uma criança que aceitava respostas vagas por muito tempo.

A porta do quarto dela estava entreaberta.

Bati de leve antes de entrar.

Olívia estava sentada no meio da cama, ainda de pijama, abraçada a um travesseiro maior do que precisava. O rosto estava inchado de sono e choro. Os cabelos caíam desalinhados pelos ombros, e havia naquele conjunto inteiro uma fragilidade que ela sempre tentava esconder debaixo de palavras grandes e expressões sérias.

Ela levantou os olhos quando me viu.

— Papai.

Só isso.

Mas bastou para alguma coisa apertar no meu peito de um jeito violento.

Atravessei o quarto em poucos passos e me sentei na beira da cama. Ela largou o travesseiro e veio imediatamente, se encaixando contra mim com aquela urgência contida que Olívia só demonstrava quando realmente precisava. Passei o braço ao redor do corpo pequeno dela e a trouxe para mais perto.

— Oi, pequena.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, o rosto apertado contra a minha camisa, como se estivesse checando se eu estava ali de verdade.

— Você demorou — murmurou.

— Eu sei.

— Eu tentei não dormir sem você, mas meu corpo me sabotou.

Apesar de tudo, uma quase-risada escapou do meu nariz.

— Seu corpo cometeu uma traição operacional grave.

— Muito grave — ela concordou, ainda abafada no meu peito. — Vou abrir uma sindicância interna depois.

Sorri. Ou pelo menos fiz o movimento. Porque o sorriso veio quebrado, curto, como tudo em mim desde ontem.

Olívia se afastou o suficiente para me olhar. Os olhos dela foram direto para o meu rosto, analisando. Sempre analisando.

— Você está com cara de quem não dormiu nada.

— Observação correta.

— E de quem chorou um pouco, mas não quer admitir porque é CEO e CEOs, aparentemente, têm alergia a vulnerabilidade.

Dessa vez o riso saiu, baixo e rouco. Não inteiro. Mas saiu.

— Isso foi uma indireta?

— Foi um relatório objetivo.

Balancei a cabeça e beijei a testa dela.

Precisava começar pelo que importava. Pelo que era seguro. Pelo que ela também estava esperando ouvir.

Afastei uma mecha do cabelo do rosto dela.

— Sua irmã nasceu.

O efeito foi imediato.

Os olhos de Olívia se arregalaram, redondos, luminosos, um susto feliz atravessando o medo.

— Nasceu?

— Nasceu.

— Ela está viva?

A pergunta ficou entre nós como uma coisa viva.

Meu corpo inteiro travou por um segundo. Eu sabia o texto. Tinha preparado o texto. Mas, diante daqueles olhos atentos demais, qualquer frase cuidadosamente construída pareceu insuficiente.

Porque ela ligava os pontos.

Sempre ligava.

Passei a mão devagar pelos cabelos dela, comprando um segundo que não adiantou nada.

— Ela... — comecei, e a palavra morreu áspera na minha garganta.

Olívia não desviou o olhar. Estava segurando o choro de um jeito quase insuportável de ver.

Eu podia mentir.

Eu podia tentar reduzir.

Eu podia dizer que Mareu estava dormindo, cansada, se recuperando, descansando.

Mas minha filha saberia.

Então fiz a única coisa que consegui fazer.

A verdade que eu queria acreditar.

— Ela vai ficar bem.

Foi tudo.

Nada sobre tubos.

Nada sobre UTI.

Nada sobre o medo que ainda estava instalado no meio do meu peito como uma bomba armada.

Só isso.

Ela vai ficar bem.

Olívia ficou imóvel por um instante. Então assentiu com a cabeça uma vez, curta, séria, como se aceitasse aquela frase não porque bastasse, mas porque era o que eu tinha conseguido entregar.

Ela encostou a testa no meu peito primeiro, e depois descansou a cabeça ali de vez, procurando abrigo.

Eu a segurei com mais força.

E ela finalmente libertou as lágrimas, em silêncio, recostada contra mim.

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