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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 28

— Outra Clara — eu disse rápido. — Completamente outra. Nada a ver com essa. Eu conheço muitas Claras. Pelo menos umas… cinco.

Clara arregalou os olhos para mim com a energia de quem queria me teletransportar para longe dali.

Cinco, Mareu. Você escolheu cinco. Nem três. Nem duas. Cinco. Como se você morasse num condomínio de Claras.

Logan franziu a testa, no modo planilha. Não era um franzir de testa normal. Era um “isso não fecha” corporativo.

Henrique, ao contrário, parecia feliz. Não feliz com a confusão — feliz com a existência dela. Como se aquela fosse a sobremesa.

— Cinco Claras? — Logan repetiu, com um sorriso de canto. — Isso é quase uma estatística.

— É um… fenômeno social — eu disse, tentando soar casual. — Nome muito comum de uma geração, sabe.

Clara emitiu um som estranho, algo entre risada e pedido de socorro.

— Mareu… — ela tentou.

— Enfim — eu interrompi, porque quando eu fico nervosa eu viro apresentadora de telejornal e começo a organizar a tragédia ao vivo. — Clara diferente. A Clara das referências é outra. Essa aqui é… melhor amiga.

Clara fechou os olhos por um segundo, como quem agradece ao universo por eu ter parado.

Logan continuou olhando para mim, como se eu fosse uma equação que ele não gostava de ter na mesa.

— Entendi — ele disse, seco, mas não agressivo. — Outra Clara.

— Ah, isso é normal — Henrique decretou, apontando o garfo no ar. — Eu conheço quatro Henriques.

— Quatro? Onde? — Clara soou mais interessada do que deveria.

— No meu prédio — ele respondeu, rindo. — O síndico, o porteiro, o filho do porteiro e um cara que eu tenho certeza de que não é Henrique, mas aceita quando chamam.

Clara riu — um riso aliviado. Eu agradeci em silêncio. Logan apenas mexeu no prato com o garfo, como se “quatro Henriques” fosse irrelevante para a produtividade mundial.

— Por falar em prédio... — Henrique disse, mexendo no talher de maneira casual. — Você é do Rio mesmo?

— Sou. Nascida e criada.

— Ah, então explica tudo. — Henrique apontou de leve com o garfo, divertido. — O jeito que você fala, o jeito que você se mexe… carioca tem uma confiança que parece irresponsável.

Clara soltou um riso baixo. Logan continuou comendo, mas eu senti a atenção dele como uma sombra.

— Confiança não — eu corrigi. — Teimosia com filtro solar.

E riu, mas logo emendou outra pergunta.

— E… por que você sairia da casa da sua família pra morar na casa de um louco como esse?

Ele disse “louco” olhando para o Logan como quem fala de um fenômeno natural perigoso.

— Ele não é louco — eu disse, automática.

Henrique arqueou uma sobrancelha.

— Você acabou de assinar um documento que te proíbe de respirar errado dentro da casa dele.

— Isso é prudência — Logan comentou, sem levantar a cabeça.

Henrique sorriu.

— Viu? Loucura com justificativa. A pior.

Eu tentei rir também, mas a pergunta tinha uma faca escondida. “Casa da sua família” tinha um peso que ele não tinha como saber — e mesmo assim tinha acertado.

Eu respirei devagar, escolhendo por onde escapar.

Eu levantei os olhos. Logan também.

Foi um olhar simples — e ainda assim ficou tempo demais no ar. Tempo suficiente pra eu perceber que ele não estava no modo CEO. E tempo suficiente pra eu lembrar que eu não tinha permissão pra gostar disso.

Henrique fez um som baixo com a boca, como quem percebe uma coisa e decide fingir que não percebeu. Clara, ao meu lado, mexeu no guardanapo como se tivesse desesperada por encontrar qualquer coisa para fazer com as mãos.

E foi nesse exato segundo que meu celular vibrou no meu colo.

Eu olhei a tela.

COLÉGIO.

Meu corpo se levantou antes da minha cabeça entender, como se já soubesse que ligação de escola nunca é “só oi”.

— Com licença.

Logan ergueu o olhar imediatamente. Henrique parou com o garfo no ar.

Eu atendi.

— Alô?

Do outro lado, uma voz apressada, despejando informações que eu não conseguia entender por completo.

— O quê? — minha voz saiu fina, real. — Olívia?

Silêncio curto.

Eu já estava pegando a bolsa.

— Tá. Tá. Eu tô indo pra aí agora.

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