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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 29

Eu desliguei com a mão tremendo e peguei a bolsa com pressa demais, derrubei o guardanapo no chão e nem me abaixei. O meu corpo estava inteiro no colégio, só a minha pele ainda estava ali.

E Logan… Logan já estava de pé, como se a ligação tivesse sido pra ele.

— Vamos — ele disse, curto.

— Eu… eu vou chamar um Uber — eu comecei, porque meu cérebro gosta de falar frases inúteis em momentos de pânico. — Eu combinei com o motorista só mais tarde…

Logan já tinha a chave na mão.

— Eu estou de carro.

Logan não esperou elevador. Foi na escada. Eu fui atrás, tropeçando na própria dignidade.

No estacionamento, ele abriu a porta do carro como se o metal fosse culpado pelo atraso.

— Entra.

Eu entrei. Ele bateu a porta. E, quando ligou o carro, o mundo virou velocidade.

— Ela se machucou? — ele perguntou, já saindo com o carro.

— Eu não sei. Eu não entendi direito. A ligação tava...

— O que disseram?

— Eu não sei. Tava falhando e...

Logan trancou o maxilar.

— Quem falou? Uma professora? A diretora?

— Uma voz… uma voz apressada.

Ele fez a curva com força controlada. A mão dele apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.

— Por que ligaram pra você? — ele perguntou, e agora a pergunta não era preocupação. Era algo mais fundo. — Eu sou o pai.

— Eu não sei!

Dessa vez o meu “eu não sei” saiu num tom que eu não reconheci em mim, quase agressivo, quase desesperado.

Ele respirou fundo pelo nariz, como se engolisse uma resposta que poderia rachar o carro ao meio.

— Você sabe de alguma coisa?

Eu virei o rosto para ele.

— Eu sei que sua filha tá precisando de um responsável e que você deveria estar dirigindo mais rápido.

Foi duro. Foi injusto. Foi verdade. E eu vi, pela primeira vez, o Logan tentando não ser Logan.

Ele trancou os dentes. Não respondeu. Só acelerou.

Quando chegamos ao colégio, o porteiro reconheceu o carro antes de reconhecer o homem. O tipo de lugar onde o dinheiro chega antes das pessoas.

Uma funcionária nos levou por um corredor claro demais. Tudo ali cheirava a álcool em gel e rotina cara.

A diretora apareceu na recepção com um sorriso treinado e olhos sérios.

— Cadê minha filha? — Logan perguntou. Direto. Sem “boa tarde”.

— Sr. Novak. Obrigada por vir — ela disse com calma. — A Olívia está bem.

Eu senti o ar voltar para os meus pulmões, como se alguém tivesse liberado um botão.

— O que aconteceu?

— Houve um incidente — ela respondeu, com a calma de quem já viu muitos pais desabarem.

— Incidente de quê? Ela se machucou?

— Não. Mas ela se envolveu em uma briga.

Logan franziu a testa, confuso de um jeito que eu nunca tinha visto nele.

— Uma briga? Olívia não briga. Ela muito educada, nunca sequer levanta a voz.

Era verdade. Olívia não “brigava”. Ela negociava. Fazia contratos. Às vezes até chantageava com uma eficiência assustadora. Mas brigar?

— Não uma discussão, Sr. Novak. Uma briga física.

O silêncio veio como um tapa. Eu e Logan trocamos um olhar automático. Aquilo… não combinava com a Olívia.

A diretora nos levou até a sala dela. Olívia estava sentada num canto, postura de reunião, mãos no colo, o queixo alto demais para o tamanho do corpo.

Quando nos viu entrar, ela suspirou. Um suspiro longo, adulto demais, como se ela estivesse cansada de lidar com gente grande.

— Eu disse que não era pra incomodar o meu pai — ela falou, olhando para o chão. — Ele é muito ocupado.

Logan parou a dois passos dela.

— Olívia. Você está bem?

— Tô.

— Você se machucou?

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