Eu desliguei com a mão tremendo e peguei a bolsa com pressa demais, derrubei o guardanapo no chão e nem me abaixei. O meu corpo estava inteiro no colégio, só a minha pele ainda estava ali.
E Logan… Logan já estava de pé, como se a ligação tivesse sido pra ele.
— Vamos — ele disse, curto.
— Eu… eu vou chamar um Uber — eu comecei, porque meu cérebro gosta de falar frases inúteis em momentos de pânico. — Eu combinei com o motorista só mais tarde…
Logan já tinha a chave na mão.
— Eu estou de carro.
Logan não esperou elevador. Foi na escada. Eu fui atrás, tropeçando na própria dignidade.
No estacionamento, ele abriu a porta do carro como se o metal fosse culpado pelo atraso.
— Entra.
Eu entrei. Ele bateu a porta. E, quando ligou o carro, o mundo virou velocidade.
— Ela se machucou? — ele perguntou, já saindo com o carro.
— Eu não sei. Eu não entendi direito. A ligação tava...
— O que disseram?
— Eu não sei. Tava falhando e...
Logan trancou o maxilar.
— Quem falou? Uma professora? A diretora?
— Uma voz… uma voz apressada.
Ele fez a curva com força controlada. A mão dele apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Por que ligaram pra você? — ele perguntou, e agora a pergunta não era preocupação. Era algo mais fundo. — Eu sou o pai.
— Eu não sei!
Dessa vez o meu “eu não sei” saiu num tom que eu não reconheci em mim, quase agressivo, quase desesperado.
Ele respirou fundo pelo nariz, como se engolisse uma resposta que poderia rachar o carro ao meio.
— Você sabe de alguma coisa?
Eu virei o rosto para ele.
— Eu sei que sua filha tá precisando de um responsável e que você deveria estar dirigindo mais rápido.
Foi duro. Foi injusto. Foi verdade. E eu vi, pela primeira vez, o Logan tentando não ser Logan.
Ele trancou os dentes. Não respondeu. Só acelerou.
Quando chegamos ao colégio, o porteiro reconheceu o carro antes de reconhecer o homem. O tipo de lugar onde o dinheiro chega antes das pessoas.
Uma funcionária nos levou por um corredor claro demais. Tudo ali cheirava a álcool em gel e rotina cara.
A diretora apareceu na recepção com um sorriso treinado e olhos sérios.
— Cadê minha filha? — Logan perguntou. Direto. Sem “boa tarde”.
— Sr. Novak. Obrigada por vir — ela disse com calma. — A Olívia está bem.
Eu senti o ar voltar para os meus pulmões, como se alguém tivesse liberado um botão.
— O que aconteceu?
— Houve um incidente — ela respondeu, com a calma de quem já viu muitos pais desabarem.
— Incidente de quê? Ela se machucou?
— Não. Mas ela se envolveu em uma briga.
Logan franziu a testa, confuso de um jeito que eu nunca tinha visto nele.
— Uma briga? Olívia não briga. Ela muito educada, nunca sequer levanta a voz.
Era verdade. Olívia não “brigava”. Ela negociava. Fazia contratos. Às vezes até chantageava com uma eficiência assustadora. Mas brigar?
— Não uma discussão, Sr. Novak. Uma briga física.
O silêncio veio como um tapa. Eu e Logan trocamos um olhar automático. Aquilo… não combinava com a Olívia.
A diretora nos levou até a sala dela. Olívia estava sentada num canto, postura de reunião, mãos no colo, o queixo alto demais para o tamanho do corpo.
Quando nos viu entrar, ela suspirou. Um suspiro longo, adulto demais, como se ela estivesse cansada de lidar com gente grande.
— Eu disse que não era pra incomodar o meu pai — ela falou, olhando para o chão. — Ele é muito ocupado.
Logan parou a dois passos dela.
— Olívia. Você está bem?
— Tô.
— Você se machucou?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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