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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 37

~ LOGAN ~

O comentário da Olívia caiu na mesa com a precisão exata de uma criança que não sabe onde está atingindo.

— Se você quer perguntar se o tio Henrique tá saindo com a sua amiga Clara, pergunta logo.

Clara se engasgou no mesmo instante, levando o copo à boca como se o suco tivesse decidido atacá-la por conta própria. Henrique bateu de leve nas costas dela, rindo de um jeito que era metade nervosismo, metade “minha vida é uma comédia ruim”.

Mareu ficou com um sorriso congelado, aquele sorriso que as pessoas usam quando percebem que estão no centro de algo.

Eu não gostei da cena por motivos demais. Pela exposição. Pelo descontrole. Pela sensação de que havia uma história sendo contada na minha frente e eu estava recebendo apenas as legendas cortadas.

— Liv — eu disse, com calma treinada. — Vamos focar no brunch.

Ela me encarou como se “focar no brunch” fosse uma ordem absurda.

Henrique aproveitou o barulho do ambiente para aliviar:

— Crianças são assim. Diretas. Sem filtros.

— Diretas demais — murmurei, e peguei minha xícara como se café resolvesse pessoas.

Olívia voltou ao prato com a dignidade de uma executiva pequena. Mareu respirou como quem escapou de um incêndio. Clara recuperou o ar, ainda vermelha.

Eu precisava de dois minutos longe daquela mesa. Dois minutos para colocar ordem no que tinha virado teatro improvisado.

— Henrique — chamei, casual, como se fosse a coisa mais natural do mundo eu me levantar no meio do brunch planejado. — Vamos pegar… drinks no bar. Para a mesa.

Olívia ergueu a cabeça na hora.

— Você vai beber tão cedo?

Eu parei, me dando conta da péssima desculpa que tinha escolhido.

— Não são… “bebidas” no sentido que você está imaginando — eu corrigi. — São drinks perfeitamente aceitáveis para esse horário.

Ela franziu a testa, analisando como se eu estivesse tentando vender um golpe.

— O nome disso é suco.

Henrique soltou um riso curto.

Eu me obriguei a manter a expressão neutra. A última coisa que eu precisava era Mareu vendo minha filha me colocando no meu devido lugar com a leveza de uma sentença.

— Suco, então — eu concedi, seco. — Vamos pegar sucos.

Levantei. Henrique veio junto.

Quando nos afastamos o suficiente para a mesa virar ruído, eu parei perto do bar e encarei Henrique.

Ele já sabia. Eu não tinha chamado para “sucos”. Eu tinha chamado para uma conversa.

— O que você está fazendo aqui? — perguntei.

Henrique apoiou o cotovelo no balcão com uma tranquilidade ofensiva.

— Bom te ver também, Logan.

— Não brinque — eu disse, baixo. — Não hoje.

O olhar dele ficou um pouco mais sério, mas ainda havia o humor de sempre, aquela mania de se proteger com piadas.

— Eu só... vim.

— Sim, eu percebi. E trouxe a Clara.

Ele inclinou a cabeça, como se eu tivesse usado um termo errado.

— Eu trouxe uma assistente.

A palavra “assistente” ficou no ar por meio segundo. O suficiente para eu entender o que ele estava tentando fazer: transformar isso em logística. Em normalidade. Em algo que eu deveria aceitar.

Capítulo 37 1

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