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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 38

~ LOGAN ~

Henrique ainda estava com a frase pela metade quando eu vi o sorriso vindo na nossa direção.

Não era qualquer sorriso. Era aquele sorriso treinado, calibrado, de quem cumpre agenda e faz parecer que está se divertindo. Acompanhado por um corpo que ocupava espaço com a naturalidade de quem está acostumado a ser atendido antes de pedir.

— Henrique — eu interrompi, baixo, sem tirar os olhos da aproximação — o senhor Barbosa está vindo pra cá.

Henrique fechou a boca devagar, como se eu tivesse colocado um selo numa caixa prestes a explodir.

— Logan, eu preciso...

— Eu sei. — Eu não sabia, mas a palavra “sei” era útil em situações assim. — Mas eu preciso dar uma atenção especial pra ele. E à tarde eu vou levar a Olívia na piscina. A gente se fala depois, ok?

Henrique estreitou os olhos, irritado com a minha capacidade de adiar qualquer coisa incômoda com a mesma elegância com que eu assinava um contrato.

— Mais tarde hoje.

— Tomamos um drink antes do jantar — eu completei, já ajustando o meu rosto para o modo que o conselho chamava de “confiável”. — E você me conta o que é tão importante.

Henrique ainda tentou insistir, mas o acionista já estava perto o suficiente para ouvir respirações.

— Novak! — ele abriu os braços, como se fôssemos velhos amigos e não pessoas que se toleravam por interesse mútuo. — Que prazer. Esse navio é… uma obra de arte.

— Senhor Barbosa — eu cumprimentei, apertando a mão dele com a firmeza exata: nem disputa, nem submissão. — Fico feliz que tenha vindo.

E fui andando com ele, puxando a conversa para onde ela precisava estar: números, projeções, detalhes técnicos, prazos. O tipo de assunto em que eu era invencível.

Ainda assim, no meio de “capacidade de autonomia” e “otimização de combustível”, a minha mente voltava para a mesa do brunch.

O olhar da Olívia.

Talvez ela tivesse razão.

Talvez eu não conseguisse dedicar cem por cento do meu tempo integralmente a ela.

Eu estava ali, caminhando com um homem importante, falando de negócios como se fosse o meu idioma nativo, enquanto a minha filha estava a poucos metros e eu ainda assim tinha deixado escapar um momento. Mais um.

O começo da tarde me engoliu.

Reuniões. Apresentações. Cumprimentos repetidos. Promessas vagas. Exigências disfarçadas de elogio.

Quando finalmente deu uma folga, eu olhei o relógio como quem procura ar. E foi nesse exato momento que meu celular vibrou.

Mensagem da Mareu.

“Já estamos na piscina. A Liv tá perguntando por você.”

Uma segunda mensagem veio em seguida, como se a primeira não fosse suficiente para me convocar.

“Vem logo.”

Eu li duas vezes. Não por necessidade, por… estranheza.

Ninguém dizia “vem logo” para Logan Novak.

Ninguém, em sã consciência, falava comigo nesse tom mandão e seguia vivo, empregado e com a autoestima intacta.

Exceto a Mareu.

E o mais absurdo: eu senti o canto da boca puxar num quase sorriso.

Guardei o celular e respirei fundo, como se aquele gesto pequeno fosse um tipo de rendição.

Eu me troquei rápido. Do homem que fechava negócios para o homem que devia brincar com a filha na água.

Quando cheguei à área VIP da piscina, o espaço estava quase vazio. Silencioso demais para um lugar feito de risadas.

Eu as vi antes que elas me vissem.

Olívia estava no canto raso, os braços batendo na superfície como se estivesse comandando um pequeno exército de ondas. Mareu, mais perto da borda, ria de alguma coisa que a Olívia tinha dito, o corpo inclinado como se estivesse realmente presente.

E então meus olhos… caíram nela.

Não foi um pensamento vulgar.

Foi o choque simples e físico de perceber que a Mareu existia de um jeito que eu vinha evitando registrar.

Pele dourada pelo sol. O corpo dela saindo um pouco da água e a curva do seio sob o tecido, o abdômen liso contraído quando ela ria, as coxas desenhadas quando apoiava os pés no degrau da piscina. Eu senti o desconforto subir pela nuca como um aviso.

Eu desviei o olhar com a rapidez de um homem que reconhece perigo.

Controle-se, eu ordenei a mim mesmo, como se eu fosse mais um item na minha lista de tarefas.

Mas toda vez que eu olhava de novo — para confirmar se Olívia estava bem, para avaliar distância, para fazer o que eu supostamente tinha vindo fazer — eu via a Mareu outra vez.

E sentia, no lugar mais incômodo do meu corpo, algo que eu não tinha como arquivar: uma atração que não pedia permissão e não respeitava hierarquia.

— Pai! — Olívia gritou, finalmente me vendo, e a voz dela veio diferente. Mais alta, mais viva. — Você veio!

— Eu vim — eu respondi, andando até a borda. Minha voz saiu firme. Por fora, perfeito. Por dentro, um ruído constante.

Capítulo 38 1

Capítulo 38 2

Capítulo 38 3

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