~ LOGAN ~
Por um segundo, eu achei que era só um ângulo.
Que a cabeça dela estava atrás de alguém. Que a luz tinha refletido errado. Que eu tinha piscado no momento exato em que ela mergulhou.
Eu varri a piscina com os olhos, uma vez. Duas. Rápido demais para parecer normal. Lento demais para parecer controle.
Nada.
Nem o cabelo escuro emergindo, nem uma risada, nem o movimento pequeno que era só.
O meu sangue gelou.
Eu dei dois passos até a borda, procurando o rosto dela entre as pessoas.
— Olívia?
O nome saiu baixo, contido, como se o volume pudesse resolver a situação.
Nada.
E e aí foi instinto: eu acionava coisas. Eu resolvia crises. Eu não parava para entrar em pânico, eu transformava pânico em ação.
— Segurança. Agora.
Eu nem lembro se eu falei com o gerente da área VIP ou direto no rádio do staff. Só lembro do som da minha própria voz e da velocidade com que o navio, que parecia tão tranquilo, mudou de frequência.
Funcionários se mexendo. Olhares. Um segurança vindo na direção da piscina. Outro falando no comunicador. Um terceiro perguntando “qual é a descrição?”.
— Menina. Seis anos. — Eu não gostei de como isso soou. “Menina.” “Seis.” Pequena demais para desaparecer. — Cabelo escuro. Maiô… — eu travei, porque detalhes eram inúteis quando o que importava era ela.
O primeiro segurança já estava cercando a área. O segundo correu para a saída. E eu fiquei parado ali por um instante, com o peito apertado como se alguém tivesse enfiado a mão e fechado os dedos no meu coração.
Atravessando a área VIP sem pedir licença, sem sorrir, sem aquela máscara de educação. Eu varria cada canto com os olhos como se procurar fosse suficiente para fazer uma criança reaparecer.
— Senhor Novak, vamos fazer um varrimento nas áreas próximas… — alguém começou.
— Agora — eu cortei.
O tempo não passou em minutos. Passou em golpes.
Cada segundo era um “e se”.
E eu odiava “e se”. “E se” era o que acontecia quando alguém não tinha controle. E eu sempre tive controle.
Até hoje.
— Encontramos — a voz veio no rádio. Curta. Objetiva.
O meu corpo disparou antes que o resto do mundo se organizasse.
— Onde?
— Deck três, corredor lateral, a uns cinquenta metros da piscina VIP. Ela está… assistindo algo.
Eu nem ouvi o resto. Eu só corri.
Não era longe. Era exatamente isso que deixava pior. O fato de que ela estava perto o tempo todo, e eu não vi.
Quando eu virei o corredor, vi primeiro o círculo de gente. Um pequeno aglomerado de adultos com celulares erguidos, rindo, batendo palma.
No centro, um homem com colete brilhante fazia malabarismo com… eu nem sei o quê. Algo que subia e descia no ar como se o mundo fosse leve.
E ali, na primeira fila, com o corpo inclinado para frente, as mãos pequenas batendo palma com entusiasmo, estava Olívia.
O alívio que me atravessou foi tão violento que quase me deixou tonto.
E, imediatamente depois, veio outra coisa: raiva. Não dela. De mim. Do susto. Da possibilidade.
Eu cheguei perto, e o showman ainda estava no auge do truque quando a minha sombra caiu sobre ela.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...