~ LOGAN ~
O quarto ficou em silêncio por um segundo inteiro.
Do tipo que não é falta de som, é falta de ar.
Ele me encarou como se eu tivesse dito que o navio estava afundando e eu era o responsável. A expressão assassina de sono foi sumindo, substituída por outra coisa: avaliação rápida, instinto de crise.
— Você… o quê? — ele disse, agora mais acordado do que eu gostaria.
Eu fiquei na porta, ainda com o corpo duro, como se qualquer movimento pudesse transformar aquilo em algo ainda mais ridículo.
— Transei com a babá dos meus filhos — repeti, mais baixo, e odiei a facilidade com que a frase saiu na segunda vez. Como se repetir diminuísse a gravidade.
Ele passou a mão pelo rosto devagar, tentando organizar as ideias.
— Entra — ele falou, saindo do vão da porta. — E me explica isso como se eu fosse um adulto, por favor.
Eu entrei. Ele fechou a porta.
— Eu não sei lidar com isso — eu disse, e o ódio em mim foi imediato. Eu não dizia esse tipo de frase. Eu resolvia.
— Isso eu já entendi — ele respondeu, seco. — Você está arrependido?
A pergunta veio sem julgamento. Só método.
Eu fiquei um segundo pensando na palavra “arrependido”, procurando dentro de mim o que era verdade e o que era culpa.
— Não — eu falei, e a honestidade me arranhou por dentro. — Não do que aconteceu.
Ele ergueu uma sobrancelha, quase um “claro”.
— Mas?
— Mas eu me sinto como se estivesse traindo a memória da Laura — eu completei.
O nome dela mudou o peso do ar. Até ali era “problema”. Com Laura, virava… outra categoria.
Ele não fez piada. Não fez graça. Só assentiu, lento, como se aquilo fosse o ponto central.
— Foi a primeira desde…? — ele perguntou.
Eu nem precisei pensar.
— Oito meses. Quase nove, agora. Então sim — ele concluiu. — Foi a primeira desde que ela morreu.
Eu fechei os olhos um segundo, porque ouvir em voz alta era sempre pior.
— Eu sei o que você vai dizer — eu falei. — Que eu tenho direito de seguir a vida. Que ela gostaria que eu seguisse. Que...
— Eu ia dizer isso, sim — ele cortou, simples. — E também ia te perguntar uma coisa: você está se culpando por ter seguido em frente… ou por ter seguido em frente com a pessoa errada?
A pergunta me pegou no lugar exato.
Eu abri os olhos.
— Os dois.
Ele respirou, como quem aceita um diagnóstico ruim.
Ele continuou:
— Mas tem uma informação que vai acrescentar uma camada extra no peso dessa decisão.
Meu estômago apertou.
— Que informação?
— É o que eu vinha tentando te contar — ele disse, e havia irritação ali, não comigo exatamente, mas com a minha mania de adiar o que eu não queria ouvir. — E você nunca tinha tempo. Lembra do drink antes do jantar? Lembra de eu insistindo?
Eu lembrei. Lembrei até demais.
— É verdade, você queria me contar algo — eu falei, já sentindo a nuca ficar rígida. — É sobre a Mareu?
Ele inclinou a cabeça, como se estivesse escolhendo a forma mais eficiente de me destruir.
— Na verdade… era. Mas agora acho que é mais sobre você.
Eu franzi a testa.
— Como assim?
Ele respirou fundo.
— Você não só dormiu com a babá dos seus filhos, Logan.
A frase veio lenta, cruelmente calma.
— Você dormiu com Maria Eugênia Valença.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...