Entrar Via

Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 45

~ LOGAN ~

O quarto ficou em silêncio por um segundo inteiro.

Do tipo que não é falta de som, é falta de ar.

Ele me encarou como se eu tivesse dito que o navio estava afundando e eu era o responsável. A expressão assassina de sono foi sumindo, substituída por outra coisa: avaliação rápida, instinto de crise.

— Você… o quê? — ele disse, agora mais acordado do que eu gostaria.

Eu fiquei na porta, ainda com o corpo duro, como se qualquer movimento pudesse transformar aquilo em algo ainda mais ridículo.

— Transei com a babá dos meus filhos — repeti, mais baixo, e odiei a facilidade com que a frase saiu na segunda vez. Como se repetir diminuísse a gravidade.

Ele passou a mão pelo rosto devagar, tentando organizar as ideias.

— Entra — ele falou, saindo do vão da porta. — E me explica isso como se eu fosse um adulto, por favor.

Eu entrei. Ele fechou a porta.

— Eu não sei lidar com isso — eu disse, e o ódio em mim foi imediato. Eu não dizia esse tipo de frase. Eu resolvia.

— Isso eu já entendi — ele respondeu, seco. — Você está arrependido?

A pergunta veio sem julgamento. Só método.

Eu fiquei um segundo pensando na palavra “arrependido”, procurando dentro de mim o que era verdade e o que era culpa.

— Não — eu falei, e a honestidade me arranhou por dentro. — Não do que aconteceu.

Ele ergueu uma sobrancelha, quase um “claro”.

— Mas?

— Mas eu me sinto como se estivesse traindo a memória da Laura — eu completei.

O nome dela mudou o peso do ar. Até ali era “problema”. Com Laura, virava… outra categoria.

Ele não fez piada. Não fez graça. Só assentiu, lento, como se aquilo fosse o ponto central.

— Foi a primeira desde…? — ele perguntou.

Eu nem precisei pensar.

— Oito meses. Quase nove, agora. Então sim — ele concluiu. — Foi a primeira desde que ela morreu.

Eu fechei os olhos um segundo, porque ouvir em voz alta era sempre pior.

— Eu sei o que você vai dizer — eu falei. — Que eu tenho direito de seguir a vida. Que ela gostaria que eu seguisse. Que...

— Eu ia dizer isso, sim — ele cortou, simples. — E também ia te perguntar uma coisa: você está se culpando por ter seguido em frente… ou por ter seguido em frente com a pessoa errada?

A pergunta me pegou no lugar exato.

Eu abri os olhos.

— Os dois.

Ele respirou, como quem aceita um diagnóstico ruim.

Ele continuou:

— Mas tem uma informação que vai acrescentar uma camada extra no peso dessa decisão.

Meu estômago apertou.

— Que informação?

— É o que eu vinha tentando te contar — ele disse, e havia irritação ali, não comigo exatamente, mas com a minha mania de adiar o que eu não queria ouvir. — E você nunca tinha tempo. Lembra do drink antes do jantar? Lembra de eu insistindo?

Eu lembrei. Lembrei até demais.

— É verdade, você queria me contar algo — eu falei, já sentindo a nuca ficar rígida. — É sobre a Mareu?

Ele inclinou a cabeça, como se estivesse escolhendo a forma mais eficiente de me destruir.

— Na verdade… era. Mas agora acho que é mais sobre você.

Eu franzi a testa.

— Como assim?

Ele respirou fundo.

— Você não só dormiu com a babá dos seus filhos, Logan.

A frase veio lenta, cruelmente calma.

— Você dormiu com Maria Eugênia Valença.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva