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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 48

~ LOGAN ~

Ele me olhou como se eu tivesse acabado de aprovar uma decisão sem ler o relatório. Como se estivesse recalculando tudo o que sabia sobre mim.

— Você não vai? — ele perguntou, devagar, como quem espera que eu corrija a frase.

— Não vou — eu confirmei.

Ele respirou fundo, e eu vi a decisão dele de não surtar por mim. Em vez disso, ele fez o que sempre fazia quando eu entrava naquele modo perigoso: tentou me trazer de volta para a lógica com movimentos pequenos.

Calmamente, ele foi até o bar da cabine, pegou uma garrafa e serviu dois copos. Um para ele. Um para mim. Colocou o meu na minha mão como se estivesse passando um arquivo confidencial.

— Escuta — ele começou, com paciência estudada. — Eu não sei se você entendeu bem.

Eu não desvie o olhar.

— Entendi perfeitamente.

— A babá dos seus filhos — ele insistiu, como se repetir pudesse me reprogramar —, a mulher com quem você acabou de transar, é Maria Eugênia Valença. Sabe? Maria Eugênia Valença. A mesma que te humilhou ao fugir de um casamento com você.

Eu fiquei muito quieto. Frio por fora. Por dentro, o meu cérebro ainda batia em paredes.

— Eu sei exatamente quem ela é — eu disse, sustentando o olhar dele. — E você mesmo disse que ela fez isso porque estava sendo obrigada. Porque não queria o casamento. E que não faz ideia de quem eu sou.

Ele franziu a testa, como se a minha frase fosse a coisa mais improvável que eu já tinha dito.

— E desde quando você se importa com o outro lado da história quando isso conflita com seus interesses?

A pergunta entrou sem pedir licença.

Por um segundo, eu quase respondi com uma ironia. Uma dessas respostas frias que eu usava para encerrar qualquer conversa pessoal.

Mas o álcool, a madrugada e a lembrança da Mareu rindo — e depois falando de feridas com aquela honestidade que me irritava — abriram um espaço que eu não costumava deixar existir.

Desde quando?

Eu pensei na noite. No jeito como ela tinha falado da família controladora, do peso de uma vida escrita por outros. Pensei no modo como as histórias encaixavam... não como peça conveniente, mas como verdade.

Ela não estava mentindo.

Ela não fazia ideia de quem eu era.

E eu me vi respondendo com uma frase que eu não esperava vindo de mim mesmo.

— Desde que o outro lado é a Mareu.

Ele ficou parado, o copo no meio do caminho entre o bar e a boca.

— …Desculpa?

Eu percebi, tarde demais, o quanto aquilo soava vulnerável. Então eu fiz o que eu sempre fazia: recuei para o terreno seguro. Negócios. Estratégia. Fatos.

— Desde que minha filha é extremamente apegada a essa babá — eu corrigi, com uma calma que eu treinei a vida inteira. — E eu não tenho a mínima condição de começar de novo a procurar outra.

Ele me observou, desconfiado da minha mudança de tom, mas não contestou. Ainda.

Eu continuei, indo direto ao ponto que importava.

— Ela fica. Desde que ela continue sem saber quem eu sou. Clara não contou?

Henrique soltou um ar pelo nariz, quase rindo sem humor.

— Clara também acha que não é o momento pra Mareu saber de tudo.

Capítulo 48 1

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