~ MAREU ~
Eu acordei com o coração no teto e o corpo… traindo. Como se tudo o que aconteceu na noite anterior ainda estivesse acontecendo em câmera lenta dentro de mim. Minhas pernas protestaram quando eu me sentei na cama. Meu pescoço protestou quando eu virei o rosto. Meu orgulho protestou o tempo todo.
Logan Novak já estava acordado.
Na sala da cabine, sentado como se tivesse nascido ali, impecável de um jeito irritante. Camisa, relógio, postura. O homem tinha a capacidade sobrenatural de parecer um CEO mesmo dentro de uma cabine de navio, às… sei lá, manhã cedo.
Ele levantou os olhos na minha direção.
E eu, imediatamente, virei uma pessoa sem qualquer treinamento social.
— Bom dia — eu disse, alto demais.
Ele fez um movimento mínimo com a cabeça.
— Bom dia.
O silêncio que veio depois foi do tipo que dá pra cortar e servir com café.
— Eu vou… — eu comecei, e minha voz falhou no meio como se o meu corpo estivesse rindo de mim. — Eu vou buscar a Olívia no… no acampamento.
— Laboratório — ele corrigiu, automaticamente.
Eu assenti rápido demais.
— Isso. No laboratório. Eu vou buscar a Olívia no laboratório. E… e aí a gente vai...
— Vão direto pro café da manhã — ele disse, simples, como se fosse só logística. — Eu vou esperar por vocês lá.
Eu congelei.
“Esperar por vocês.”
“Café da manhã.”
Isso era uma frase normal. Era uma frase de pai. De rotina. De… gente que não tinha feito o que a gente fez.
Só que o meu cérebro ouviu outra coisa.
— É um encontro — eu respondi, no automático.
A palavra saiu e bateu na minha própria cara.
Eu arregalei os olhos.
— Não! — eu corrigi tão rápido que quase tropecei no ar. — Não é um encontro. É café da manhã. Certo. Café. Frutas. Panquecas…
Eu gesticulei demais, como se eu estivesse explicando a dinâmica do universo.
— Tá. Te vejo lá. Com a Olívia. Eu, você e… Olívia. — eu finalizei, e a frase soou como se eu estivesse listando testemunhas.
Logan ficou em silêncio, me observando com aquela calma perigosa.
Eu senti meu rosto esquentar.
— Eu vou — eu disse, e saí quase correndo, como se o corredor fosse um lugar seguro.
O “laboratório” de Olívia parecia ainda mais organizado de manhã. As crianças saíam com mochilas e uma energia de quem tinha sido alimentada com ciência e açúcar ao mesmo tempo.
Olívia apareceu com a mesma expressão de sempre: séria e eficiente.
— Bom dia — ela disse, como se eu fosse uma funcionária chegando para o turno.
— Bom dia, senhora diretora — eu devolvi, tentando soar normal. Tentando.
Ela estreitou os olhos.
— Você está estranha.
— Eu estou ótima — eu respondi rápido demais.
Ela me encarou por alguns segundos.
— Hum.
Eu engoli seco e tentei redirecionar.
— E aí? Como foi o… — eu quase disse acampamento. — …o laboratório?
Ela começou a andar ao meu lado, descrevendo com entusiasmo contido o que, para ela, contava como diversão.
— Tinha uma estação de construção naval. Eu ganhei na primeira rodada. Depois teve uma simulação de mercado. Eu também ganhei.
— Claro que ganhou — eu murmurei, orgulhosa e exausta.
— Teve saco de dormir — ela continuou, com a mesma seriedade com que falava de ações.
— E você dormiu bem? — eu perguntei, tentando manter a conversa no nível “criança”.
Ela virou o rosto para mim e me avaliou da cabeça aos pés como se eu fosse um projeto mal executado.
— Eu dormi. Você, aparentemente, não.
Eu travei.
— Como assim?
— Você está com olheiras feias — ela disse, direta, sem crueldade, só constatação. — E sua voz tá meio… estranha.
Eu pisquei, tentando achar uma mentira que não fosse humilhante.
— É… esse navio balança muito.
Ela fez um som pequeno com a boca.
— Balança — ela concordou, mas o olhar dela dizia: não é isso.
Eu esperei a pergunta.
Ela não fez.
Porque, apesar de prodígio, ela ainda tinha prioridades muito claras.
— O que tem pra comer no café da manhã? — ela perguntou.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...