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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 50

~ MAREU ~

Tá, sejamos honestos. Não que eu não sabia como agir normal, é mais para se “agir normal” fosse uma modalidade olímpica, eu teria sido eliminada na fase classificatória.

O que era humilhante, porque, tecnicamente, eu era uma profissional. Eu já tinha lidado com criança birrenta, com diretora de escola arrogante, com socialite venenosa, com funcionária invejosa, com bebê chorando e com a minha própria mãe no telefone. E ainda assim, bastava Logan Novak me olhar por meio segundo para eu virar uma mistura de piada ruim com pane no sistema.

Eu tentei me concentrar no objetivo do dia: Olívia. Tempo de qualidade. Pai tentando. Eu, babá, cumprindo função. Tudo lindo.

Nós estávamos a caminho do tour “por trás do navio”, o tipo de visita guiada VIP que mostrava áreas técnicas, bastidores, e… sim, a ponte de comando. Uma atividade real. Uma atividade normal. Uma atividade que não envolvia… lembranças físicas.

Olívia caminhava na frente, segurando o folheto como se fosse um relatório anual.

— Isso aqui inclui a ponte? — ela perguntou, já exigindo.

— Inclui — o guia respondeu, sorrindo com aquele entusiasmo treinado. — Mas depende da operação no momento.

— Se não incluir, eu considero propaganda enganosa — Olívia avisou, séria.

O guia piscou, sem saber se ria.

Logan, ao lado dela, tentou o que para ele devia ser um gesto de aproximação:

— Se não der hoje, a gente tenta outro horário.

Olívia nem olhou pra ele.

— Eu vou anotar isso como “plano B”. Mas eu prefiro “plano A”.

O guia parou e abriu a pequena porta de acesso do tour. Antes de entrarmos, ele cumprimentou Logan com formalidade:

— Senhor Novak, por aqui.

Logan assentiu.

Eu fui atrás, pronta para ser invisível.

Então Logan virou o rosto para mim, e perguntou:

— Mareu, ela tomou o remédio do enjoo?

Eu respondi sem pensar, no reflexo da noite anterior:

— Sim, Logan… quer dizer, senhor Novak… ela tá bem.

Ele levantou os olhos, calmo demais para alguém que deveria estar tão desconfortável quanto eu.

— Logan está bom.

Eu travei no meio do corredor, com a sensação de que todo o navio podia ouvir meu cérebro derrapando.

— Logan. Certo. Logan, então… — eu forcei, e o nome dele saiu estranho na minha boca. — Senhor… Logan.

Olívia não tirou os olhos do folheto do tour, mas o tom dela veio seco, cirúrgico:

— Eu prefiro “pai”. Não que acertar um nome não seja algo simples.

Eu senti meu rosto esquentar até a raiz do cabelo.

Logan… não riu. Não sorriu. Mas o olhar dele desviou por uma fração de segundo, como se ele estivesse segurando uma reação.

O que foi pior.

Porque eu queria que ele fosse um ogro formal e distante. Eu não queria nenhuma nuance.

O guia abriu o caminho, e nós entramos em um corredor técnico onde tudo tinha cara de “isso custa milhões”. Tubulações, painéis, portas com avisos, luzes discretas. Olívia ia absorvendo tudo como se fosse dela.

— Isso é redundância? — ela perguntou, apontando para dois sistemas iguais.

O guia arregalou os olhos, impressionado.

— É… sim. — ele respondeu. — Você entende bem.

— Eu entendo o básico — Olívia disse, sem falsa modéstia. — É ter mais de um pra garantir. Meu pai gosta de garantir tudo… inclusive com adultos.

Eu engasguei com o ar.

Logan olhou para o teto, como se estivesse contando até dez.

— Olívia — ele falou, num tom que tentou ser repreensão, mas saiu… cansado.

Ela deu de ombros.

— É um elogio. Você sempre tem três alternativas pra tudo.

Eu mordi a parte de dentro da bochecha para não rir. Ri por dentro. E, claro, o meu corpo decidiu rir por fora também.

Um riso pequeno escapou.

Logan me olhou.

Eu parei de rir na mesma hora e fingi interesse profundo em uma plaquinha.

— Muito interessante — eu murmurei, como se eu estivesse em um museu.

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