~ MAREU ~
O almoço no bar da piscina tinha tudo para ser a primeira coisa normal do meu dia.
O sol estava agradável, a área VIP tinha aquele silêncio chique que parecia feito sob, e Olívia estava… melhor. Não exatamente “feliz” — ela nunca era uma criança feliz do jeito convencional —, mas mais leve. A ponte de comando tinha feito alguma coisa nela. O elogio do pai tinha feito outra.
E, quando ela estava assim, eu quase conseguia esquecer que eu não sabia agir normal.
Quase.
Logan caminhava ao lado dela como se estivesse tentando aprender a coreografia de ser pai presente. Sem atropelar. Sem desaparecer. Sem transformar tudo em uma reunião.
— Eu gostei da ponte — Olívia disse, sentando-se à mesa e pegando o cardápio como se fosse uma pauta de diretoria.
— Eu percebi — Logan respondeu, e havia um tom diferente na voz dele. Menos “Sr. Novak”. Mais… homem.
Ela passou os olhos pelo menu.
— Eu gosto de navios.
Logan inclinou a cabeça, como se aquilo fosse uma informação preciosa.
— Mais do que aviões?
Olívia fez uma careta discreta, a cara de quem está prestes a cometer heresia dentro da própria família.
— Aviões são úteis — ela disse. — Mas navios são… majestosos.
Eu ri, baixinho.
Logan me olhou como se o som fosse um evento raro.
Eu cortei o riso na metade e fingi que estava analisando uma jarra de água.
— Você gosta porque dá pra ver tudo funcionando — Logan disse para Olívia, tentando entender o porquê de verdade.
— Eu gosto porque dá pra ver o que acontece quando não funciona — ela corrigiu, séria. — Todo mundo entra em pânico. Eu acho… educativo.
Logan soltou um som que foi quase uma risada.
Olívia ajeitou o cardápio.
— Eu vou pedir panquecas — ela anunciou, como se panquecas fossem um direito humano.
— Isso é café da manhã — eu disse, num tom cuidadoso.
— Eu sou uma criança — ela retrucou. — Eu vivo de café da manhã.
Logan ergueu a mão para chamar o garçom, e eu tentei me concentrar no fato de que aquilo parecia… família. Não a minha família antiga — a família que fazia aparências —, mas uma família real, construída em tentativas e pequenos acertos.
Quando o garçom se afastou com o pedido de Olívia, eu aproveitei o raro clima bom para puxar conversa.
— Então você gosta de navios… — eu disse. — Quer dizer que quando crescer você quer trabalhar em um navio?
Olívia me olhou como se eu tivesse perguntado se ela queria virar palhaça.
— Claro que não.
Eu pisquei.
— Não?
— Eu quero trabalhar fazendo navios — ela corrigiu, como se eu fosse lenta. — Como meu pai.
Logan virou o rosto para ela.
— Como eu?
— Eu não “faço” navios, Liv, eu…
— Faz sim. Você manda fazer. E decide tudo. Isso é fazer.
Logan ficou em silêncio por um segundo, como se estivesse absorvendo aquilo. Então, pela primeira vez desde que eu o conhecia, ele riu.
Riu de verdade.
Um riso baixo, mas genuíno, que amoleceu o rosto dele de um jeito quase indecente.
— Eu vou precisar esperar quantos anos para te entregar o cargo de CEO? — ele perguntou, ainda com a risada presa na voz. — Porque eu ando… meio cansado.
Olívia o analisou com frieza clínica.
Uma presença.
Eu levantei os olhos.
A mulher.
A mesma do corredor. A mesma que tinha me medido como se eu fosse poeira e decidido que eu não merecia nem o esforço de ser humana.
Ela vinha na direção da nossa mesa com a tranquilidade de quem tinha um roteiro pronto.
Meu coração deu um salto idiota.
A primeira imagem que me veio foi ela abrindo um sorriso falso e dizendo para Logan, em voz alta, que a babá dos Novak derramou água no vestido dela. Vestido de grife. Escândalo controlado. Reclamação formal. Eu demitida em pleno navio.
E, por um segundo, eu quis levantar e me antecipar.
Quis dizer: “Eu sinto muito. Foi um acidente. Eu pago. Eu limpo. Eu desapareço.”
Mas eu fiquei congelada.
Porque a Paula não olhou para mim.
Ela passou por mim como se eu fosse um vaso decorativo.
O olhar dela foi direto para Logan.
E o sorriso… mudou.
Não era o sorriso de quem vinha reclamar.
Era o sorriso de quem vinha tomar.
— Oi, Logan — ela disse, a voz macia demais para o ambiente. — Eu sou Paula Rizzo.
Logan ergueu os olhos com um controle imediato, aquela postura de homem que não é pego desprevenido.
Paula inclinou a cabeça, como se fosse íntima. Como se já tivesse um lugar ali.
— Mas… — ela continuou, e o sorriso dela abriu um pouco mais, lento, confiante — você deve saber exatamente quem eu sou, não é?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...