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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 57

~ MAREU ~

Se existe uma forma elegante de sair do colo de um bilionário, eu não tinha recebido o tutorial.

Porque eu ainda estava sentada no colo de Logan Novak.

No deck executivo.

Com um homem importante demais parado diante da mesa.

E com a minha mente fazendo aquela coisa engraçada e cruel: rodando possibilidades como se eu fosse um computador superaquecendo.

Contra: o movimento rápido tinha grandes chances de virar um espetáculo. E eu já tinha entretido o suficiente por uma noite.

Segunda opção: ficar onde eu estava e me unir à decoração. Virei um vaso. Virei uma almofada. Virei um elemento arquitetônico do navio.

Contra: eu estava no colo de um homem. Elementos arquitetônicos não ficam no colo.

Eu precisava respirar. Eu precisava de um plano que não envolvesse me jogar no mar.

— É uma pena que você não tenha podido se juntar a nós no jantar dessa noite — ele disse, no tom de quem chama atenção sem precisar levantar a voz.

Logan não piscou.

— Eu reservei alguns momentos mais intimistas com a minha filha durante a viagem.

O tom dele foi calmo. Quase gentil.

E a palavra “intimistas” foi o primeiro prego no meu caixão, porque eu senti o olhar do Antônio Rizzo percorrer a mesa.

Como se ele estivesse conferindo a cena.

Como se ele estivesse medindo o “intimista” com régua.

— Claro… — Antônio disse, e o sorriso dele cresceu só um pouco. — Parece realmente um jantar… íntimo e confortável.

O olhar dele veio na minha direção.

E, juro, do jeito que ele olhou, eu entendi errado.

Eu entendi que ele estava perguntando se eu estava confortável.

No colo.

No colo do Logan.

Minha boca se abriu antes do meu cérebro alcançar.

— Sim — eu respondi, pronta demais. — Tá bem confortável.

Logan virou o rosto para mim com um micro segundo de alerta, como se estivesse tentando puxar minha fala de volta para dentro.

Tarde.

Porque eu já tinha começado.

E, se eu já tinha começado, eu precisava justificar. Eu precisava explicar. Eu precisava… piorar.

— É bem firme — eu continuei, num impulso suicida. — Musculoso. Pernas... atléticas. E o tecido das roupas é muito refinado, então não fica roçando no meu vestido de um jeito… desconfortável.

O silêncio foi tão grande que eu ouvi o mar.

Eu senti o sangue subindo pelo meu pescoço e indo direto para a minha cara, como se o corpo inteiro tivesse decidido me abandonar.

O Antônio Rizzo piscou uma vez.

Só uma.

Uma piscada lenta, incrédula, de quem acabou de perceber que existe um tipo específico de pessoa que não deveria circular em ambientes de poder.

Logan apertou o maxilar.

Eu tive um pensamento curto, desesperado: eu devia ter escolhido ser um vaso.

E então o meu cérebro, traidor, resolveu me lembrar de um detalhe completamente desnecessário: havia, sim, uma coisa roçando em mim. Uma coisa em Logan que parecia um pouco… animada.

Não.

Não.

Eu não podia pensar nisso.

Eu não podia sequer ter um corpo agora.

Eu só podia existir como um elemento neutro.

Eu comecei a me levantar.

E foi aí que o universo decidiu que eu ainda não tinha sido humilhada o suficiente.

Alguma coisa do meu vestido — uma renda, um detalhe, uma parte que eu nem sabia que existia — prendeu em alguma coisa da roupa dele. Talvez no cinto. Talvez num puxador. Talvez no azar que eu tenho desde o útero.

Eu me levantei afobada, com pressa, com desespero, com a elegância de um flamingo em pânico.

E ouvi.

O som inconfundível.

Um rasgo.

Tecido se despedindo do tecido.

Eu congelei de pé.

E senti.

Um ventinho.

Um ventinho que não devia estar batendo… naquele lugar.

Eu arregalei os olhos e virei o rosto para Logan como se ele fosse o único adulto responsável do planeta.

— Por favor — eu sussurrei, com a voz de quem implora por vida ou morte — me diz que minha bunda não está de fora.

Eu ouvi uma voz atrás de mim, clara e perfeitamente calma, como se estivesse lendo um relatório:

— Sua bunda não está de fora.

Eu virei o pescoço devagar.

Olívia estava ali, carregando um pratinho com um cheesecake mal cortado — como se tivesse lutado com a espátula, perdido, mas insistido por orgulho.

Ela me olhou de cima a baixo com aquela expressão clínica, avaliando danos.

E então completou, no mesmo tom neutro:

— Sua calcinha está.

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