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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 60

~ MAREU ~

Eu e Olívia já estávamos de pijama, largadas no sofá como duas pessoas que tinham desistido da própria postura social.

O que, no caso dela, era quase histórico.

No meu era mais... qualquer fim de noite.

A TV iluminava a sala com aquela luz azul de dorama ruim: olhares longos, trilha sonora dramática e uma personagem feminina tomando decisões questionáveis com convicção.

Olívia mastigava devagar um pedaço de chocolate que eu tinha negociado com promessas vagas de “só mais um episódio”.

Ela fingia que estava ali por obrigação científica. Mas eu conhecia o jeito dela de observar quando estava gostando.

— Tá — ela disse, sem tirar os olhos da tela. — Eu admito. É engraçado.

Eu me virei para ela com um sorriso satisfeito demais.

— Eu disse.

Olívia bufou, e depois voltou para a tela.

— Eu só não entendo — ela continuou, no tom clínico — por que você se emociona tanto.

Eu demorei um segundo. Não porque eu não soubesse responder. Mas porque eu não gostava de admitir coisas que pareciam frágeis.

Mas Olívia tinha aquele jeito de arrancar verdades com perguntas simples.

— Porque é bonito ver uma história de amor dando certo — eu disse, por fim, mais baixo do que eu queria. — É… reconfortante. São versões modernas de contos de fada.

Ela fez uma careta visível.

— Você ainda acredita em contos de fada aos vinte e seis anos?

Eu ergui uma sobrancelha.

— E por que você não acredita aos seis anos e meio?

Olívia suspirou como se eu tivesse pedido para ela escrever um relatório.

— Porque essas histórias são falhas — ela disse, séria. — Elas ignoram dados. Ignoram probabilidades. Ignoram… a realidade. Por exemplo: “uma maçã envenenada”. Se alguém coloca alguma coisa numa fruta, tem reação química, muda cor, muda cheiro, muda textura. Não é um botão de “dormir” mágico. E se não muda nada, então o veneno é outro tipo, e o tempo de ação é outro. A história não explica porque não quer lidar com detalhe.

Eu cruzei as pernas e inclinei a cabeça.

— A realidade também tem falhas.

— Sim — ela concordou. — Mas pelo menos a realidade não tenta se vender como perfeita.

Eu ri, baixinho.

— Olívia, você fala isso como se estivesse auditando a Cinderela.

Ela não achou graça.

— A Cinderela depende de uma fada madrinha, de um sapato de cristal e de uma população inteira sem óculos.

Eu mordi o lábio para não gargalhar.

— Tá — eu concedi. — Você quer falar de falhas? Vamos falar de falhas.

Olívia me olhou, atenta.

— Suas falhas!

— Eu não falho!

— Sua teoria é falha. Seria muito mais fácil tentar me convencer de que animais não falam — eu disse — e de que cabelo humano, por mais caro que seja o produto que você use, não é forte o suficiente para servir de corda e escalar uma torre, do que falar sobre as reações químicas de veneno em maça.

Olívia piscou duas vezes.

E então, ela riu de verdade. Um riso curto, mas real, que fez o peito dela subir e descer com leveza.

— Viu? — eu disse, vitoriosa. — Até você consegue se divertir com o absurdo.

Olívia voltou para a tela como se o riso tivesse sido uma fraqueza que ela precisava compensar.

— Mas só pra você saber — ela comentou, casualmente demais — eu acredito em coelhinho da Páscoa e Papai Noel.

Eu me virei na hora.

— Mesmo?

Ela assentiu com a serenidade de quem está tomando uma decisão estratégica.

Capítulo 60 1

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