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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 61

~ MAREU ~

Eu estava de pijama.

Pijama de verdade. De algodão. Com uma estampa que eu não vou descrever porque não é isso que está em pauta.

Eu estava descalça.

Descabelada.

E correndo pelos corredores de um navio que custava milhões, como se eu estivesse fugindo de um incêndio — quando, tecnicamente, eu estava fugindo de uma criança de seis anos e meio escondida debaixo do lençol gritando “CONTENÇÃO DE DANOS”.

O vento batia na minha nuca e eu sentia cada passo no carpete como um lembrete humilhante de que eu não tinha tido tempo pra nada. Nem pra uma sandália. Nem pra um casaco. Nem pra um fio de dignidade.

Eu também sentia culpa.

Porque, sim, eu tinha deixado Olívia sozinha. Por alguns minutos. Mas ela estava bem fisicamente, ela tinha gritado com potência, ela tinha ordem na voz. E, acima de tudo, ela tinha pedido o pai com uma urgência que eu reconhecia.

Não era birra.

Era emergência.

E, se tinha uma coisa que eu aprendi sobre Olívia Novak, era que ela não desperdiçava palavras grandes em situações pequenas.

Mesmo assim, eu corri com a sensação de que estava fazendo algo errado. Que uma babá boa não abandona a criança. Que uma babá boa resolve.

Só que eu não era boa em “resolver” naquele nível.

Eu era boa em improvisar. Em ganhar tempo. Em fingir controle.

E em correr.

Os corredores pareciam mais longos de noite. Ou talvez eu estivesse vendo tudo com olhos de pânico. A cada curva, eu imaginava alguém me parando, perguntando o que eu estava fazendo ali, por que eu estava descalça, por que eu parecia uma mulher que tinha saído de um sequestro emocional.

Eu passei por duas portas de acesso com placas que eu normalmente respeitaria. Normalmente eu seria a pessoa que diz “desculpa” até para a parede.

Mas Olívia tinha dito “AGORA”.

Quando eu cheguei perto do salão do baile, eu ouvi antes de ver: música, risadas, um burburinho caro. Aquele tipo de som que existe quando todo mundo está bem-vestido e fingindo que não está se esforçando.

Luzes vazavam por uma porta larga. Um corredor se abria, impecável, com dois seguranças de terno escuro parados como se fossem parte da arquitetura.

Eu fui direto, ofegante, a mão no peito, como se eu pudesse argumentar com a minha própria falta de ar.

— Eu preciso entrar — eu disse.

Um dos seguranças me olhou. Da cabeça aos pés. Com uma rapidez profissional que, mesmo assim, conseguiu ser ofensiva.

— Convite, senhora?

Eu pisquei.

Convite.

Eu tinha esquecido que o mundo de gente rica adora transformar urgência em papel.

— Eu não tenho convite — eu respondi, tentando manter a voz firme. — Mas eu… eu estou no deck executivo. Não é aberto a todos?

O segurança fez uma expressão educada demais.

— Não, senhora.

Eu senti uma pontada de desespero.

— Eu preciso falar com uma pessoa lá dentro. É uma emergência.

— Sem convite, não é possível.

— Mas é urgente — eu insisti, e eu odiava como minha voz começou a subir. — Eu sou a babá da filha do Logan Novak. Eu preciso falar com Logan Novak.

O segundo segurança, que até então estava quieto, inclinou a cabeça como quem ouve uma frase repetida mil vezes por noite.

— Todos neste navio precisam falar com Logan Novak, senhora.

— Não, vocês não estão entendendo... — eu comecei.

Capítulo 61 1

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