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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 62

~ MAREU ~

Um casal vinha pelo corredor, impecável, rindo baixo, parecendo jovem e apaixonado. Os seguranças ajeitaram a postura na mesma hora. O olhar deles saiu de mim e foi para o casal — sorriso, atenção, respeito.

Eu não me orgulhava do que eu estava prestes a fazer.

Mas orgulho não ia tirar Olívia debaixo do lençol.

Eu baixei o queixo, fingi que tinha entendido a ordem, dei um passo para trás… e, quando os dois se inclinaram levemente para checar o convite do casal, eu simplesmente passei.

— Senhora…!

O primeiro segurança demorou um segundo para reagir. Eu quase senti a incredulidade dele: ninguém ali fazia isso. Ninguém corria. Ninguém burlava.

Eu era um erro estatístico de pijama.

Eu atravessei a porta e entrei no salão como quem invade um filme errado.

Luzes douradas. Música. Vestidos longos que pareciam se mover sozinhos. Ternos impecáveis. Perfume caro no ar. Taças na mão de gente que parecia ter nascido sabendo onde colocar os cotovelos.

E eu, no meio daquilo, parecendo uma pessoa que tinha fugido de um incêndio doméstico.

Eu procurei Logan com os olhos, desesperada. Só que o salão era grande demais e as pessoas eram parecidas demais quando você coloca todo mundo sob a mesma iluminação e o mesmo ego.

Eu ouvi passos atrás de mim.

O segurança.

Ótimo.

Eu podia parar? Não. Eu podia explicar? Já tinha tentado. Eu podia correr? Eu já estava correndo.

Eu fui pelo canto, tentando ficar perto das paredes, como se eu tivesse alguma chance de virar invisível com um pijama estampado.

E então eu o vi.

No meio de um grupo, um homem alto — postura reta, terno perfeito — dançando com uma mulher que parecia ter sido desenhada para uma revista.

Eu não precisei reconhecer o rosto dela para reconhecer o tipo.

E eu não precisei reconhecer o tipo para sentir o estômago fazer aquela coisa.

Logan.

Ali.

Dançando.

E Olívia embaixo do lençol gritando “tragédia”.

E eu só pensei: chegar nele antes que o segurança me arrancasse pelo pijama.

Continuei pelo canto, tentando ser discreta — o que, honestamente, era uma palavra generosa para “mulher descalça em evento de gala”.

O problema é que um garçom apareceu do nada — ou eu apareci do nada pra ele — e eu me choquei com o braço dele.

A bandeja saiu voando como se tivesse sido lançada por catapulta.

Eu vi o cristal girar no ar por um segundo absurdo, bonito até, como se o navio inteiro tivesse decidido registrar o meu fracasso em câmera lenta.

Depois veio o som.

Um estalo.

Dois.

Três.

Garrafa quebrando.

Taças se estilhaçando.

Pessoas prendendo o ar em uníssono.

A música continuou por um segundo… e pareceu errar a própria nota, como se até a banda tivesse se assustado.

Eu congelei.

O garçom ficou branco.

Um círculo de silêncio se abriu ao redor do desastre como se eu tivesse derramado não bebida, mas vergonha líquida.

E eu senti o olhar de todo mundo.

Todo mundo.

Inclusive do segurança, que agora tinha certeza absoluta de que eu era um problema.

Eu devia correr?

Eu devia pedir desculpa?

Eu devia desaparecer numa lixeira?

Capítulo 62 1

Capítulo 62 2

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