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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 64

~ MAREU ~

Eu estava na sala da cabine com uma barra de chocolate na mão e uma sensação estranha no corpo — metade adrenalina, metade vergonha, metade alívio.

Sim. Três metades. Era a matemática do dia.

O tapete ainda parecia julgador demais para ter presenciado uma mulher descalça em pijama atravessando um baile de gala. A mesa ainda tinha a marca do copo d’água que eu larguei na correria. E eu ainda conseguia ouvir, na memória, o barulho do cristal quebrando e o silêncio geral me julgando como se eu fosse um comunicado oficial de desastre.

Eu dei uma mordida grande no chocolate.

Não porque eu estava com fome.

Porque mastigar era uma forma socialmente aceita de não surtar.

Olívia finalmente tinha dormido. Depois de negociar “a reforma estrutural” do próprio rosto como se estivesse assinando um aditivo contratual com a fada do dente, ela apagara com um pragmatismo que me irritou um pouco. Eu queria esse talento. Eu queria desligar o cérebro e simplesmente… dormir.

Eu ouvi passos na escada interna e fiquei imóvel por um segundo, como se tivesse sido pega fazendo algo ilegal.

Comer chocolate na sala não era ilegal.

Mas, do jeito que Logan olhava para açúcar, eu não tinha certeza.

Ele desceu sem terno, sem a armadura completa do baile. Camisa aberta no primeiro botão. Manga arregaçada. A gravata largada em algum lugar da vida dele. Parecia… mais homem do que CEO. O tipo de detalhe que me deixava sem saber onde colocar os olhos.

Eu fui direto para o que eu sabia fazer melhor: falar antes que o silêncio falasse por mim.

— Eu sei o que você vai dizer — eu anunciei, levantando a barra como se fosse uma confissão.

Logan parou a um passo do sofá e ergueu uma sobrancelha.

— Sabe?

— Sei. — Eu assenti com toda a coragem de quem invadiu um baile de gala. — Vai brigar comigo porque eu deixei Liv sozinha na cabine por quinze minutos.

Logan me encarou por dois segundos, como se estivesse escolhendo as palavras.

Eu me preparei para o sermão.

Ele se sentou ao meu lado.

Perto demais para o meu conforto funcionar. Perto o suficiente para eu sentir o calor dele e odiar como meu corpo reconhecia isso.

— Não — ele disse.

Eu pisquei.

— Não?

— Eu vou te agradecer.

Eu fiquei tão confusa que esqueci de mastigar.

— Agradecer?

— Sim. — Ele olhou para a barra de chocolate na minha mão e, por algum motivo, isso amoleceu o canto da boca dele. — Por ter corrido atrás de mim quando minha filha precisou. Independentemente do tamanho do drama.

Eu ri, porque era mais fácil do que admitir que aquilo tinha me abalado.

— Da próxima vez, eu preciso pensar em usar o telefone.

Logan inclinou a cabeça, como se a ideia fosse interessante.

— Não seria tão charmoso.

Eu engasguei com o próprio chocolate.

— Charmoso?

— Não seria tão… Mareu.

Eu ri sem graça e senti o rosto esquentar, porque elogio dele sempre vinha algo que me pegava desprevenida.

Eu precisava mudar o assunto.

Eu precisava manter a vida funcionando em trilhos seguros.

Mas Logan foi mais rápido.

— Então — ele começou, forçando leveza — sobre aquele dorama… Acho que eu preciso de algo ruim pra distrair a mente — ele disse.

Eu arqueei a sobrancelha.

— Por contrato, só posso assistir na presença da Olívia.

Logan soltou um som de riso curto.

— Claro que sim.

Eu respirei, pensando rápido.

— Mas… — eu disse, com um ar de quem está prestes a cometer um crime pequeno — tem um filme.

— Porque as pessoas acreditam em contos de fadas modernos — eu disse, sem o sarcasmo de sempre. — Eu acredito. Eu acredito no amor.

Logan soltou um ar pelo nariz, como se quisesse discordar, mas não tivesse energia para atacar uma coisa tão… humana.

— O amor pode ser muito bonito na teoria — ele disse. — Antes de ser engolido pela vida real.

Foi a minha vez de bufar.

— Então sua vida real deve ser bem chata.

Ele olhou para mim de lado, e eu vi que a frase tinha acertado mais do que eu pretendia.

— Talvez seja — ele admitiu, baixo. — Talvez… os últimos meses tenham sido.

Eu senti algo apertar no peito, mas eu não dei espaço para isso.

Eu apontei com o que restava do chocolate.

— Você precisa de mais cor — eu disse. — Mais bagunça. Mais… estampa de dinossauros em patinete.

Logan arregalou levemente os olhos, e eu vi o riso chegando.

— Dinossauros em patinete — ele repetiu, como se a frase fosse um conceito novo.

— Sim. — Eu assenti. — Porque às vezes é no absurdo que a gente enxerga com mais clareza o que estava tentando controlar demais.

Ele ficou em silêncio.

Na tela, a executiva já estava fazendo biscoitos com a cidade inteira, com farinha no nariz e um sorriso que ela claramente não tinha no começo.

Logan não olhava para a tela.

Ele olhava para mim.

E, por um segundo, tudo ficou muito longe.

Foi só eu, ele, e o som bobo de um filme de Natal fora de época.

Eu não me mexi. Ele também não.

E então a campainha da cabine tocou.

Alta.

Como se o mundo quisesse lembrar que ele ainda existia.

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