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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 68

~ PAULA ~

Eu nunca tive problema com silêncio.

Silêncio sempre foi uma coisa que eu controlava. Uma pausa bem colocada. Um olhar bem sustentado. A certeza de que, se eu ficasse firme, o mundo cederia primeiro.

Só que o silêncio que veio depois do “não” de Logan Novak tinha outra textura.

Não era pausa estratégica.

Era recusa.

E eu senti isso como quem sente um erro de etiqueta — não em mim, claro. No ambiente. No universo. Em qualquer lugar que não fosse a minha própria execução.

Eu não mexi o rosto. Não deixei o sorriso cair. Eu só respirei como se nada tivesse acontecido, como se eu tivesse apenas testado um limite e encontrado uma resposta… aceitável.

Logan estava ali, impecável, mas com o olhar já longe. Não em mim. Não no jantar.

— Minha filha está na cabine, no andar de cima — ele falou, como se estivesse informando o horário de uma reunião. — E a babá…

— Eu entendo — eu disse, doce, encaixando a palavra na boca como se ela tivesse sido feita pra mim.

Claro.

Sempre a filha.

Sempre a babá.

Eu segurei o pensamento com as unhas por dentro. Não era hora de parecer irritada. Irritação é para quem não tem vantagem. Eu tinha o conselho. Eu tinha meu pai. Eu tinha um contrato prestes a nascer.

Eu tinha, em teoria, tudo.

Então eu sorri do jeito certo. O jeito que não mostra dentes demais. O jeito de quem se importa.

— Talvez… — eu disse, arrastando a frase como sugestão, não pedido — a gente pudesse ir pra minha cabine.

Simples. Direto. Um passo lógico.

Ele me olhou com aquela calma irritante.

— Não vamos pular etapas.

Eu pisquei.

Pular etapas?

A frase bateu em mim como se eu tivesse tentado cortar fila num lugar onde eu mesma tinha comprado o ingresso VIP.

Eu senti uma ponta de irritação subir, mas eu não deixei escapar. Eu ri baixinho, como se aquilo fosse quase engraçado.

— Etapas? — eu repeti, delicada demais. — Logan… nossa próxima etapa é o casamento.

Ele não se mexeu.

Eu continuei, mantendo a doçura com a força de uma mão apertando uma taça sem quebrar.

— Assim que sairmos desse navio, você e meu pai vão assinar um contrato. — Eu inclinei a cabeça. — Que etapas, exatamente, eu estou “pulando”?

Logan respirou, e por um instante eu vi um cansaço real no rosto dele. Não cansaço de sono. Cansaço de pessoa.

— Paula — ele disse, e o tom dele era educado, mas fechado. — É natural nos conhecermos, sim, mas...

Eu aproveitei.

— Exatamente — eu falei, como se ele estivesse finalmente concordando comigo. — Então vamos nos conhecer. Antes de… tudo.

— Mas não nesse navio — ele completou, cortando a linha que eu estava puxando. — Não nessa viagem.

Meu sorriso ficou parado no lugar, impecável.

— Por quê? — eu perguntei, ainda doce, ainda calma, ainda civilizada. — É o lugar perfeito. Discreto. Sem imprensa. Sem ruído.

Logan olhou para a mesa posta, para a comida que eu tinha mandado, para mim, e eu senti que ele via o que eu estava fazendo.

E ele não queria jogar.

— Meus planos aqui não são esse tipo de… distração — ele disse. — Eu preciso focar nos negócios e na minha filha. Foi pra isso que eu vim.

Eu ouvi o subtexto como se fosse alto:

E não foi por você.

Eu mantive o rosto perfeito. Perfeito demais.

— Entendo — eu disse. — Então vamos fazer assim...

Eu apoiei as mãos na mesa e me inclinei um pouco, numa postura de acordo, não de derrota.

— Temos um encontro marcado assim que voltarmos para o Rio.

Logan hesitou por um segundo.

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