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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 69

~ MAREU ~

Paula saiu como se nada tivesse acontecido.

— Com licença — ela disse, macia, e ajeitou o casaco com a mesma calma de quem ajeita uma coroa.

Ela passou por mim sem olhar direito. Ou olhou e decidiu que eu não merecia atenção. O que, naquele instante, foi quase um favor.

Porque o que vinha atrás dela era pior do que qualquer humilhação.

Olívia ainda estava olhando para pai, mas o corpo dela tinha endurecido num jeito estranho. Não era birra. Não era cansaço. Era… choque.

Aquele olhar de quem está processando o mundo como um problema de matemática e, pela primeira vez, não consegue achar a resposta.

Ela tinha visto.

Ela tinha visto o beijo.

Logan também percebeu. Eu vi pelo micro movimento do maxilar. Pelo cuidado com que ele se abaixou para falar com a filha, como se mudando a posição pudesse mudar o que já tinha acontecido.

— Liv… — ele começou, a voz baixa, quase um pedido.

Olívia não respondeu.

Continuava parada.

Só olhando.

Eu nunca tinha visto Olívia assim. Sem fala pronta. Sem frase inteligente. Sem o sarcasmo como escudo.

Pequena.

Desarmada.

E então o ar saiu dela como um soluço mal contido.

— Você… — ela tentou, e a voz falhou.

— Liv, eu posso explicar...

— NÃO! — ela gritou, e foi um grito que não combinava com ela. Alto demais. Cru demais. De criança de verdade, não de mini adulta. — Você não pode!

O grito encheu a cabine inteira, bateu nas paredes bonitas, nos móveis caros, no silêncio constrangedor que Paula tinha deixado.

Eu fiquei imóvel, com as mãos presas no meu próprio corpo, como se qualquer movimento meu pudesse piorar aquilo.

Logan também ficou.

Só por um segundo.

Depois ele fez o que fazia quando o mundo virava uma crise: tentou organizar.

— Liv, olha pra mim — ele disse. — Eu sei que você viu. Eu sei que foi… inesperado.

Ela balançou a cabeça com força, as lágrimas já acumulando de um jeito que parecia impossível nela.

— Você beijou. Você beijou outra mulher.

A frase saiu como acusação e sentença.

Logan respirou fundo. Eu vi o esforço dele. A tentativa de ser pai.

— Eu não estava… eu não estava trocando ninguém — ele disse devagar. — Eu não estava substituindo a sua mãe.

Olívia engoliu o ar como se tivesse sido empurrada.

— Estava sim — ela falou, e a voz dela ficou aguda, tremida. — Você beijou outra mulher. Isso é… isso é...

Ela tentou achar uma palavra grande. Não achou. E a falta de palavra foi o que quebrou de vez.

As lágrimas caíram.

De verdade.

Grossas.

Rápidas.

Ela levou as duas mãos ao rosto como se quisesse empurrar o choro de volta para dentro. Como se chorar fosse uma falha de sistema.

Só que não parou.

O som que saiu dela era sofrimento puro, infantil, descontrolado.

Eu senti meu peito apertar com uma violência que me deixou sem ar.

Porque eu nunca tinha visto Olívia deixar o luto aparecer assim.

Logan estendeu as mãos, sem tocar.

— Liv… vem aqui.

— NÃO! — ela gritou de novo, e deu um passo para trás, como se ele fosse a coisa errada do quarto. — Você não pode… você não pode trocar ela!

— Eu não acredito — ela respondeu, e a frase foi tão pequena e tão definitiva que eu senti como se fosse uma porta batendo.

Ela limpou o rosto com a manga do pijama, furiosa com as próprias lágrimas.

E então disse, com a voz quebrada, mas a convicção intacta:

— Eu nunca vou te perdoar se você namorar outra mulher. Nunca!

Logan congelou.

Eu vi o golpe no rosto dele, como se a frase tivesse acertado onde ele era mais frágil.

Olívia não esperou resposta. Virou as costas e saiu correndo para a escada, as lágrimas recomeçando no meio do caminho, o soluço escapando como se não tivesse mais vergonha.

— Liv! — Logan chamou, num impulso.

Ela não respondeu.

Só subiu, correndo, e sumiu lá em cima como se fugir fosse a única forma de sobreviver ao que tinha visto.

O silêncio que ficou na sala foi pesado, insuportável.

Eu olhei para Logan.

Ele olhou para mim.

Foi um olhar rápido, mas carregado de tudo: medo, culpa e exaustão.

Eu devia correr atrás de Olívia. Eu ia correr.

Mas, por um segundo, minha mente fez o que fazia quando o coração apertava demais: buscou um pensamento pior.

Porque a verdade era simples e cruel.

Olívia tinha acabado de prometer que nunca perdoaria o pai se ele namorasse outra mulher.

E eu senti o chão sumir um pouco, porque eu soube com uma clareza gelada:

Se ela soubesse sobre mim e Logan… ela me odiaria.

Então era melhor nunca saber.

Eu engoli seco, sem deixar o rosto denunciar o pânico.

E subi atrás dela.

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