O motorista me deixou de volta na casa cerca de meia hora depois.
Subi direto para o quarto do Liam. A governanta tinha explicado na véspera que uma babá assistente ficaria com ele sempre que eu precisasse sair para levar ou buscar Olívia. Fazia sentido, o bebê não podia ficar sozinho.
Abri a porta devagar.
Uma mulher de uns vinte e cinco anos estava sentada na poltrona ao lado do berço, mexendo no celular. Uniforme impecável: calça preta, blusa branca, tênis branco. Cabelo loiro preso num rabo de cavalo alto, maquiagem discreta, mas bem-feita. Ela levantou os olhos quando me viu entrar, e o sorriso que se formou no rosto dela não chegou nem perto dos olhos.
— Ah, você deve ser a Mareu — disse, colocando o celular de lado e se levantando. — Eu sou a Helen. Babá assistente.
Estendeu a mão. Apertei, sentindo os dedos dela frios e firmes demais.
— Filha da governanta — ela acrescentou, como se isso explicasse sua presença, seu direito de estar ali. — Cuido do Liam quando você precisa sair para as atividades da Olívia.
— Ah, que bom — respondi, tentando soar amigável. — Obrigada por ficar com ele.
Ela deu de ombros, o sorriso se tornando um pouco mais afiado nas bordas.
— Pelo visto, currículo renomado fala mais alto que anos de casa, né?
Pisquei, confusa.
— Desculpa?
— Nada, nada — ela disse, pegando a bolsa pequena que estava no chão ao lado da poltrona. — É só que eu trabalho aqui há muito tempo, outras funções, sabe... Ajudando minha mãe. Mas tenho experiencia e conheço a casa. Podia ter ficado com a vaga de babá principal, sabe? O salário é bem melhor. Dormir na casa, ter o quarto bom...
Fez uma pausa calculada, me olhando de cima a baixo como se estivesse avaliando mercadoria com defeito.
— Mas não. O Logan preferiu alguém com um currículo mais... renomado.
Logan.
Ela o chamou pelo primeiro nome, sem "senhor", sem formalidade, forçando uma intimidade que me incomodou imediatamente. Como se ela tivesse algum direito especial, alguma proximidade que eu não tinha. E mais, como se fizesse questão de deixar isso claro pra mim.
Fiquei ali parada, sem saber o que responder. O clima no quarto tinha mudado completamente, ficando pesado, desconfortável.
E então Helen soltou a bomba:
— Pena que currículo renomado não ensina a se manter longe do quarto do patrão, não é?
Ok. O incidente já está circulando entre os funcionários.
Ótimo. Simplesmente ótimo.
Helen passou por mim, parando na porta. Virou-se, aquele sorrisinho ainda no rosto.
— Qualquer coisa, é só me chamar. Eu conheço essa casa melhor do que ninguém. Cada canto. Cada segredo.
E saiu, deixando um rastro de perfume e ameaça velada.
Brinquei com ele. Fiz caretas bobas que o faziam rir uma risada gostosa, contagiante, que enchia o quarto de uma alegria que aquela casa parecia precisar desesperadamente. Cantei músicas ridículas que eu tinha aprendido em doramas coreanos. Mostrei brinquedos coloridos, fazendo vozes engraçadas para cada um.
Pela primeira vez desde que cheguei naquela casa, senti que talvez eu conseguisse fazer isso. Que talvez eu não fosse um completo desastre ambulante.
Dei mamadeira, troquei fralda (sem levar jato dessa vez, graças a Deus e ao G****e), e coloquei ele para a soneca da tarde.
Liam fechou os olhinhos quase imediatamente, cansado de tanto rir e brincar. Fiquei ali por alguns minutos, só observando o rostinho tranquilo dele, o peito subindo e descendo no ritmo suave do sono.
Meu estômago roncou alto no silêncio do quarto.
Certo. Almoço. Eu realmente preciso almoçar.
Saí do quarto devagar, fechando a porta com todo o cuidado para não fazer barulho, enquanto carregava a babá eletrônica comigo.
E quase esbarrei em Helen no corredor.
Ela estava encostada na parede em frente à porta, os braços cruzados, como se estivesse me esperando ali o tempo todo.
— O Logan está em casa para o almoço — ela disse, sem nenhum preâmbulo, sem nenhum "oi" ou "desculpa interromper". — E pediu para te ver no escritório dele.
Helen se afastou da parede e começou a caminhar pelo corredor, mas parou alguns passos depois. Olhou por cima do ombro, os olhos brilhando com algo que parecia perigosamente próximo de satisfação.
— Quando ele chama um funcionário no escritório... geralmente não é pra elogiar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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