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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 71

~ MAREU ~

Eu não estranhei a palavra “contrato”.

Olívia chamava metade da vida de contrato.

Chocolate era contrato. Horário era contrato. Até “promessa de não rir” vinha com termos e condições.

O que me deu um nó por dentro foi perceber qual era o contrato dessa vez.

Porque ela ainda estava com o rosto molhado, com a voz quebrada nas pontas, e mesmo assim já estava fazendo aquilo que fazia melhor: tentar transformar um sentimento que doía em uma coisa que pudesse ser assinada.

Eu vi a decisão endurecendo o que o choro tinha amolecido. Vi a criança tremendo por baixo e, por cima, aquela mini executiva puxando uma prancheta imaginária pra dentro da cama.

Eu não tive coragem de interromper.

— Um… contrato?

— Sim — ela falou, firme, como se fosse óbvio. — Porque ele não está sendo confiável.

Eu abri a boca. Fechei. A vontade de rir veio por reflexo. Não do choro, não da dor, mas do jeito como ela tinha acabado de carimbar o próprio pai como “não confiável”, como se ele fosse um fornecedor que atrasou a entrega. Mas, naquele momento, qualquer riso errado podia soar como traição.

— Tá — eu disse, com cuidado. — Um contrato.

Olívia esticou o braço e puxou a gaveta da mesinha de cabeceira. Remexeu dentro com a pressa de quem já tinha feito isso antes, e tirou um caderno pequeno e uma caneta.

Eu vi que as mãos dela tremiam um pouco. Mas ela segurou a caneta como se fosse uma arma.

— Eu preciso que você seja testemunha — ela disse.

— Testemunha?

— Sim — ela confirmou. — Porque você viu. E porque ele respeita você.

Eu quase engasguei.

— Ele respeita…?

— Respeita — ela cortou. — Ele te escuta. Ele não escuta todo mundo.

Eu senti um gelo na nuca. Não pelo elogio. Pelo peso escondido nele.

— Liv…

— E você vai entregar pra ele — ela continuou, ignorando meu tom. — Porque se eu entregar, ele vai… — ela fez uma careta de desgosto — tentar me convencer com voz de pai triste.

Eu segurei o impulso de dizer “ele é o pai”.

Porque eu sabia o que ela queria dizer: se ele falasse, ele ia transformar aquilo em conversa. E ela não queria conversa. Ela queria regra.

Olívia apoiou o caderno no joelho e começou a escrever com letras grandes, tortas, mas decididas.

No topo, ela escreveu:

CONTRATO DO PAPAI

E eu, honestamente, senti vontade de chorar e rir ao mesmo tempo.

Ela começou a listar, falando enquanto escrevia, como se ditasse para uma secretária invisível.

— Regra 1: Eu e o Liam sempre vamos ser prioridade — ela disse, e escreveu “PRIORIDADE” com tanta força que quase rasgou o papel.

— Regra 2: Você não pode esquecer a mamãe. Nunca. Nem se você perder a memória em um acidente. Isso não conta como desculpa.

Ela parou, apertou a caneta, e completou em voz alta:

— Regra 3: Você vai falar da mamãe quando eu perguntar. Sem mudar de assunto.

Eu mordi o lado de dentro da bochecha.

— Regra 4: Se você beijar outra mulher de novo… — ela respirou fundo, dramática, e eu vi o tremor voltar — eu não sou mais sua filha.

Meu estômago afundou.

— Liv… — eu falei, a voz saindo baixa demais.

Ela não me olhou. Continuou escrevendo como se aquilo fosse um fato jurídico.

— Regra 5 — ela disse, e agora a voz estava mais fina — você não vai trocar a mamãe. Você não vai trocar. Você não vai.

Ela repetiu “não vai” três vezes no papel, como se a repetição fosse uma trava.

Depois ela escreveu:

ASSINATURA DO PAPAI: _______________________________

E fez um espaço enorme, exigente.

Capítulo 71 1

Capítulo 71 2

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