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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 72

~ MAREU ~

A folha estava dobrada em quatro na minha mão, mas, pelo peso emocional, parecia que eu carregava um tijolo.

Quando eu cheguei à sala, a iluminação estava baixa. O navio inteiro tinha aquela respiração de mar ao fundo, constante, como se também estivesse tentando se acalmar.

Logan estava no sofá.

Ele levantou o olhar no instante em que me viu.

Não foi o olhar de “o que você quer”. Foi o olhar de “eu já sei que é coisa séria”.

— Ela… dormiu? — ele perguntou, baixo.

— Dormiu — eu respondi. E senti o corpo inteiro relaxar meio centímetro só de dizer a palavra.

Logan assentiu. Passou a mão pela nuca, como se tentasse organizar pensamentos que estavam todos em greve.

Eu fiquei parada, com o papel na mão, olhando pra ele como se eu estivesse segurando uma bomba com instruções em letra infantil.

— Liv fez um… — eu comecei, e a palavra enganchou na garganta. Porque contrato era normal na boca da Olívia. Mas não era normal naquela situação. — Um contrato.

Logan fechou os olhos por um segundo, como quem recebe a notícia de que vai ter auditoria às seis da manhã.

— Claro que ela fez.

Eu dei um sorriso pequeno que não teve coragem de virar humor.

— Eu trouxe.

Eu estendi a folha dobrada.

Ele não pegou na mesma hora. Olhou para o papel como se aquilo pudesse morder. Depois olhou pra mim, e a voz dele saiu ainda mais baixa:

— Isso é sobre… o beijo.

Meu estômago apertou.

— É sobre a mãe dela — eu disse, e fui mais honesta do que eu pretendia. — O beijo só… acendeu o medo.

Logan respirou fundo, como se a palavra “medo” fosse mais difícil de engolir do que “raiva”.

— Me dá.

Ele pegou o papel.

E, ao contrário do que eu imaginei, ele não se afastou pra ler sozinho, não se fechou no mundo dele, não virou CEO analisando cláusula. Ele só abriu ali, na minha frente.

CONTRATO DO PAPAI.

Logan leu a primeira linha em voz alta, sem conseguir evitar o choque na própria voz.

— “Regra 1: Eu e o Liam sempre vamos ser prioridade.”

Ele engoliu seco. Olhou pro papel de novo, como se aquilo fosse óbvio e, mesmo assim, precisasse estar escrito.

— Isso… — ele começou, e a voz falhou de leve. — Isso já é.

Eu me sentei na poltrona à frente do sofá, porque eu não confiava mais nas minhas pernas.

— Pra você, é — eu falei. — Pra ela…

Ele ficou imóvel. A frase bateu e ficou.

A mão dele desceu para a próxima regra.

— “Regra 2: Você não pode esquecer a mamãe. Nunca. Nem se você perder a memória em um acidente. Isso não conta como desculpa.”

Logan soltou uma risada curta, sem humor nenhum. Aquela risada que é só ar saindo porque o peito está cheio demais.

— Ela colocou… amnésia como desculpa inválida.

— Ela é detalhista — eu murmurei.

Ele não sorriu. Mas o canto da boca dele mexeu um milímetro, e foi o máximo de ternura que ele se permitiu antes de voltar a ser pai assustado.

— Eu não esqueci — ele disse, como se estivesse se defendendo para o papel. — Eu nunca vou esquecer.

Eu quis dizer “eu sei”. Mas a verdade é que eu sabia e, mesmo assim, tinha visto o rosto da Olívia. E o rosto dela não acreditava em nada naquela noite.

Logan passou a ler a regra seguinte.

— “Regra 3: Você vai falar da mamãe quando eu perguntar. Sem mudar de assunto.”

Ele parou.

A garganta dele trabalhou, como se ele estivesse segurando uma coisa que queria cair.

— Eu… — ele começou. E eu vi a fratura, aquela rachadura minúscula no controle dele. — Eu não mudo de assunto.

Eu escolhi a coragem mais limpa que eu tinha.

— Muda, Logan.

Ele me olhou rápido. Surpreso. Quase ofendido. Depois cansado.

— Eu… — ele tentou de novo. — Eu só… eu não sei como falar dela sem parecer que eu tô… fazendo ela voltar e ir embora de novo.

Aquilo me atravessou.

E, por um segundo, eu senti a ironia me cutucar: eu tinha dormido com ele, eu tinha beijado ele, eu tinha sido uma fuga. E agora eu estava ali, ensinando o homem a encarar a dor que eu mesma tinha ajudado a contornar.

— Eu não posso assinar isso — ele disse, baixo.

— Não desse jeito — eu concordei.

Logan apertou a dobra com o polegar, como se pudesse amassar o assunto até caber na mão.

— Ela quer garantias.

— Ela quer você — eu falei, simples. — Do jeito mais criança possível: “me prova”. Só que... Isso aqui é mais o desespero tentando mandar.

Ele respirou fundo pelo nariz. Um suspiro que parecia mais velho do que ele.

— Eu não posso prometer coisas que eu não consigo cumprir.

Foi aí que eu senti o peso real do que estava entre nós: não era só um beijo que doeu na Olívia. Era o mundo inteiro tentando decidir a vida desse homem… e agora uma menina tentando também, do jeito que conseguia.

— Então não assina hoje — eu disse. — Você lê. Você pensa. E amanhã você conversa com ela. Você escolhe o que dá pra prometer de verdade… e o que você vai ter que explicar com coragem.

Logan levantou os olhos pra mim, e aquela calma de CEO tinha rachado só um pouco.

— Coragem.

— Sim — eu confirmei.

Ele ficou um segundo em silêncio. E então a voz dele baixou mais ainda, perigosamente objetiva.

— O que exatamente você disse pra ela, Mareu?

Eu congelei.

— Como assim?

Ele segurou o papel como se fosse a prova.

— Ela te fez prometer alguma coisa?

Eu senti meu estômago afundar.

— Ela… pediu que eu entregasse.

— E pediu mais alguma coisa? — ele continuou, a voz baixa, mas precisa. — Mareu…

Eu congelei.

Porque eu ainda sentia os dedos da Olívia no meu pulso. O “promete” dela colado na minha pele.

Logan inclinou um pouco a cabeça, como quem faz uma pergunta simples, mas os olhos dele não eram simples.

— Você prometeu alguma coisa pra minha filha?

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