~ LOGAN ~
— Eu prometi… — Mareu murmurou. — Prometi que ia te entregar e… fazer você assinar.
Eu fiquei olhando para ela por um segundo, tentando não deixar a primeira reação subir pela garganta. Porque a primeira reação era injusta. E, mesmo assim, era real.
— Não promete coisas pra minha filha sem me dizer — eu falei, baixo.
Mareu travou por um segundo.
— Eu sei — ela respondeu. — Eu sei.
— Ainda assim você prometeu — eu falei, duro.
— Eu prometi — ela admitiu. — Porque eu não sabia como dizer não. Não naquela hora.
Eu passei a mão pelo rosto. Devagar. Tentando organizar tudo em ordem cronológica, como se emoção obedecesse a linha do tempo.
— Você entende o tamanho do que ela te pediu?
Mareu levantou o olhar.
— Eu entendo o tamanho do que ela sentiu — ela corrigiu, e eu senti a facada limpa da frase. — O pedido veio disso.
Eu não respondi na hora. Porque ela estava certa do jeito mais irritante possível.
Mareu respirou.
— Mas… — ela continuou, mais baixa. — Óbvio que é você quem decide. Eu não tenho… eu não tenho autoridade sobre sua vida, Logan. Eu só… eu só não consegui ser a pessoa que quebra o mundo dela em mais um lugar.
Eu encarei a folha dobrada na minha mão, como se o papel pudesse explicar o que eu não estava conseguindo dizer.
— Você pode se retirar agora — eu disse.
Ela piscou. E então concordou com a cabeça.
Mareu hesitou na escada, como se quisesse dizer mais alguma coisa, como se quisesse pedir desculpa, ou pedir permissão, ou pedir que eu não pensasse mal dela. No fim, ela só disse:
— Ela te ama muito. Ela só… não sabe o que fazer com isso quando sente medo.
Eu fiquei parado, vendo Mareu desaparecer no andar de cima. E, quando o som dos passos dela sumiu, eu desdobrei o contrato de novo.
CONTRATO DO PAPAI.
Eu encarei a assinatura em branco e pensei, com uma clareza amarga: eu poderia assinar qualquer coisa que o conselho colocasse na minha frente, mas eu não sabia assinar a dor da minha filha sem cometer algum tipo de erro.
Mesmo assim… eu peguei uma caneta.
Não pra assinar.
Pra responder.
Eu passei a noite tentando dar forma a todo aquele caos. Era algo que eu estava acostumado a fazer. Só que, dessa vez, eu não estava escrevendo para investidores. Eu estava escrevendo para uma menina de seis anos e meio que achava que um beijo podia apagar uma vida.
Eu copiei o título no topo de uma folha limpa, com a letra mais legível que eu consegui.
CONTRATO DO PAPAI — VERSÃO 2
E comecei.
Regra 1: Eu e o Liam sempre vamos ser prioridade.
Eu mantive. E acrescentei uma linha embaixo, porque eu precisava que ela lesse o que eu não conseguia falar sem travar:
“Prioridade é uma palavra pequena pra uma coisa muito grande. Vocês são o meu lugar.”
Regra 2: Você não pode esquecer a mamãe. Nunca. Nem se você perder a memória em um acidente. Isso não conta como desculpa.
Eu mantive também. E escrevi:
“Eu não esqueço a mamãe porque ela vive no jeito que você franze a testa quando está pensando e no jeito que o Liam segura meu dedo. Ela está aqui. Sempre.”
Regra 3: Você vai falar da mamãe quando eu perguntar. Sem mudar de assunto.
Eu mantive. E escrevi:
“Eu prometo responder. Mesmo quando eu tiver vontade de fugir.”
A quarta regra eu encarei por tempo demais.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...