~ PAULA ~
Na manhã seguinte ao baile, eu acordei cedo na minha cabine — não porque eu precisava, mas porque eu tinha aprendido desde pequena que a melhor maneira de lidar com um incômodo é olhar direto para ele até ele virar informação.
Sentei com a bandeja de café da manhã diante de mim, o mar do lado de fora fazendo aquele barulho constante de riqueza em movimento, e peguei o celular.
A imagem da babá apareceu na minha cabeça antes mesmo de eu digitar qualquer coisa.
O rosto. O olhar. A energia.
Não era “uma funcionária”.
Era… familiar.
Na noite anterior, eu tinha saído da cabine do Logan com aquela certeza irritante E eu ia confirmar da maneira mais simples do mundo: com um nome.
Eu digitei devagar: Maria Eugênia Valença.
Não era um nome comum. Nomes comuns não vêm com sobrenomes que carregam história. Valença vinha com coluna social, com casamento anunciado, com foto em revista, com pacto entre famílias.
A busca carregou.
Uma foto antiga apareceu primeiro: um evento, luz branca demais, sorriso treinado demais. Um vestido impecável. Um colar que custava o suficiente para comprar o apartamento de alguém. E, no meio disso, ela.
Mais nova. Mais arrumada. Mais… Valença.
A mesma estrutura do rosto.
A mesma boca.
A mesma expressão de quem nasceu sabendo o lugar exato onde deve ficar numa foto.
Eu senti aquela coisa gelada, perfeita, encaixar dentro de mim com um clique.
Eu não tinha imaginado. Eu não tinha exagerado.
A babá era Maria Eugênia Valença.
A noiva fugitiva.
A mulher que tinha humilhado Logan Novak — não em público, porque esse tipo de humilhação a gente não deixa vazar — mas do jeito que realmente conta: dentro do orgulho de um homem acostumado a ter tudo sob controle.
Mas a única pergunta que eu me fazia era: como?
Como essa mulher foi parar ali? No navio. No deck executivo. Dentro da vida dele, de novo — com um uniforme invisível e a função mais perigosa de todas: ser cotidiana.
Eu terminei o café sem sentir o gosto direito, porque eu já estava no modo que importa.
Eu liguei para o meu pai.
Ele atendeu rápido, como sempre atendia quando eu ligava.
— Paula.
— Pai — eu disse, sem cumprimentos.
Silêncio do outro lado. O tipo de silêncio que ele usava para me obrigar a ser precisa.
Eu olhei de novo para a foto na tela, como se eu precisasse ter certeza duas vezes.
— A babá do Logan. Ela não é só a babá. — Eu pausei, deixando o nome cair com o peso correto. — Maria Eugênia Valença.
Ele demorou o suficiente para absorver a informação e colocar as peças na ordem certa.
— Você tem certeza?
Eu sorri sem humor.
— Pai… você não olhou pra ela?
Uma risadinha baixa veio, seca, quase entediada.
— Por que eu perderia meu tempo olhando para uma serviçal?
Eu apertei o celular com força.
Ele tinha razão em uma coisa: na maioria das vezes, eu também não perderia tempo olhando para uma babá. Só que essa não era “a maioria das vezes”. Essa mulher tinha conseguido me irritar, constranger e atrasar meus planos em menos de uma noite.
— Pois devia ter olhado — eu disse. — Ela é a Valença. A noiva que fugiu.
Meu pai ficou em silêncio por mais um segundo do que deveria.
Eu sabia o que ele estava calculando. O que ele sempre calculava: o risco, o timing, o dano, o ganho.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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