~ MAREU ~
Eu acordei com o som de passos no corredor.
Logan.
Eu puxei o robe por cima do pijama e abri a porta só o suficiente pra espiar.
Ele estava saindo do quarto da Olívia.
A camisa dele estava impecável do mesmo jeito que sempre estava — porque Logan tinha uma relação séria com o conceito de “estar apresentável”, mesmo às sete da manhã. Mas o rosto… o rosto dele denunciava. Um pouco cansado. Um pouco… vulnerável. Um pouco pai.
Eu engoli.
— Como ela está? — perguntei, baixo, antes que a minha coragem resolvesse fugir.
Logan ergueu o olhar na minha direção. Por um segundo, eu achei que ele ia responder com uma frase seca, objetiva, igual relatório. Mas a voz saiu diferente. Mais humana.
— Melhor. — Ele fez uma pausa curta. — Ela… aceitou.
O meu peito afrouxou uma fração de centímetro.
— Aceitou? — repeti, porque até onde eu sabia era Logan quem precisa aceitar alguma coisa.
Logan assentiu. E então fez um gesto com a cabeça.
— Vem.
Eu ia seguir ele até a sala, óbvio. Sala era território neutro. Sala era onde conversas difíceis deveriam acontecer, se o mundo tivesse alguma justiça.
Mas Logan virou na direção do quarto dele.
Do quarto dele.
O meu corpo teve um mini curto-circuito.
Porque, por um segundo ridículo, veio um déjà vu que não tinha autorização pra existir às sete da manhã. A lembrança do cheiro, da cama, da mão dele na minha cintura, da forma como eu tinha perdido o ar ali dentro como se eu fosse uma adolescente sem juízo — e eu não era. Eu era uma adulta. Uma adulta que trabalhava. Uma adulta que… ok, eu era uma adulta que fazia escolhas duvidosas, mas ainda assim.
Eu engoli de novo e forcei a compostura a voltar pro lugar.
Era só um quarto.
Logan fechou a porta atrás de mim.
Eu fiquei de pé, tentando não parecer uma pessoa que tinha lembranças naquele ambiente.
— Você aceitou o contrato?
— Eu não assinei aquele — ele disse. — Eu fiz uma versão corrigida.
Claro que fez. Logan Novak não assina caos. Ele revisa caos.
— E ela… aceitou a versão corrigida? — eu perguntei.
— Aceitou. — Ele respirou fundo, como se estivesse escolhendo palavras que não machucassem. — Mas pediu um adendo.
— Um adendo — eu repeti, e não consegui impedir um fiapo de ironia nervosa. — A criança de seis anos e meio me pede adendo e eu aqui achando que meu maior desafio seria ensinar ela a comer legumes.
Logan não sorriu. O humor dele não estava disponível naquele horário. Ele apenas me estendeu a folha.
— Na regra seis.
Eu franzi a testa.
— Regra seis? — Eu olhei pra folha como se ela fosse me responder. — Logan… eram cinco regras.
— Eu acrescentei a seis — ele disse, simples. — Uma condição… pra quando eu precisar me casar de novo.
O ar sumiu um pouco dos meus pulmões.
— Você… escreveu isso pra ela?
— Escrevi — ele confirmou. A voz dele estava controlada, mas havia uma tensão fina por baixo. Como se ele estivesse tentando ser lógico num lugar onde lógica sempre perde.
Eu dei um passo involuntário pra frente.
— E o adendo?
Logan hesitou um segundo.
— Ela quer que você também tenha decisão.
Meu cérebro travou.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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