~ MAREU ~
Eu estava de folga naquela tarde.
Olívia tinha ficado numa atividade infantil do navio. Uma daquelas coisas com monitores treinados, pulseirinhas coloridas e um cronograma perfeitamente pensado. Ela tinha ido com a postura de quem estava indo pra uma reunião do conselho, óbvio. Nem “tchau” ela deu. Só um aceno curto, como quem diz: estou sob controle; volte em duas horas.
E Logan tinha saído pra uma reunião. Porque até no meio do oceano o mundo corporativo encontrava um jeito de subir a bordo, sentar numa sala bonita e cobrar “alinhamento”.
Eu, então, tinha… tempo.
Então, quando Clara apareceu, eu aceitei o convite sem discutir demais, porque eu estava cansada de discutir até com as coisas boas.
— Vem comigo — ela anunciou, surgindo na porta como se fosse dona do meu calendário.
Eu levantei os olhos do sofá e fiz a cara que eu usava quando queria parecer difícil só pra manter a reputação.
— Isso é um sequestro?
Clara levantou o pulso e balançou um bracelete dourado, discreto, que brilhava do jeito certo.
— É um convite VIP. Pro spa. Mimo de bordo.
Eu encarei aquilo como se fosse um animal exótico.
— Como você conseguiu isso?
— Ganhei — ela disse, simples, com um sorriso que dava raiva. — Ser sociável tem suas vantagens.
— Tá — eu cedi, porque naquele dia eu não tinha energia pra ser teimosa. — Mas se eu virar um camarão, a responsabilidade é sua.
Clara sorriu, satisfeita, e saiu me puxando pelo corredor como se a vida dependesse disso.
O spa era uma parte do navio que parecia um outro universo. Luz baixa, cheiro de coisa cara (eucalipto, lavanda, dinheiro aromatizado), gente andando devagar e falando baixo.
Clara mostrou o bracelete e a atendente nos olhou como se eu não fosse uma babá com olheiras e sim uma herdeira entediada.
A sauna ficava num corredor de portas de madeira clara, tudo tão limpo e perfeito que dava nervoso. Como se qualquer falha ali fosse impossível.
A funcionária abriu a porta e o vapor suave imediatamente nos envolveu. O ambiente era bonito. Claro. Madeira, bancos alinhados, aquele cheiro de eucalipto que prometia paz.
Eu sentei e respirei fundo.
Era bom.
E justamente por ser bom, meu corpo demorou um segundo pra relaxar. Relaxar parecia perigoso demais.
Clara se sentou ao meu lado e me olhou com aquela expressão de “viu?”.
— Eu te disse — ela falou.
— Você diz muita coisa — eu respondi. — Nem tudo eu confio.
Clara riu. Ficou ali mais um minuto, até olhar de novo pra fora, como quem teve uma ideia.
— Espera aqui — ela disse. — Eu vou buscar umas taças. Tem uma bandeja ali fora. Parece vinho. Ou espumante.
Eu sentei mais ereta.
— Vinho na sauna é o cúmulo do luxo irresponsável.
Clara apontou pra mim com um dedo, rindo.
— Perfeito! Fica aqui. Eu volto já.
E saiu.
Eu fiquei sozinha.
O vapor parecia mais espesso sem a Clara falando. O silêncio no spa era tão polido que eu quase ouvi o meu coração.
Eu respirei fundo, tentando aproveitar.
Do lado de fora, ouvi o som da porta fechando.
Um “clac” pequeno, elegante.
Eu olhei pra porta.
Só… porta. Madeira. Vidro pequeno na parte de cima.
Eu levantei e fui até ela, sem pressa, mais por hábito do que por medo. Girei a maçaneta, querendo só confirmar que estava tudo normal.
Não abriu.
Eu tentei de novo, rindo baixinho.
— Claro — eu murmurei. — Claro.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...