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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 82

~ PAULA ~

Meu pai entrou na minha cabine sem bater. Porque ele achava que o mundo devia abrir portas sozinho quando ele decidia.

A porta fechou atrás dele com força suficiente para fazer o espelho vibrar um milímetro. Eu continuei sentada, com a perna cruzada, e o celular na mão escolhendo a melhor foto para postar.

Ele não perdeu tempo com a parte educada da fúria.

— Eu disse pra você esperar, não disse? — a voz veio baixa, perigosa, no tom que ele usava quando alguém tinha sido idiota perto demais do nome da família. — Eu disse que precisávamos de um plano discreto e você tenta MATAR Maria Eugênia Valença dentro de um spa?

Eu levantei os olhos devagar.

Sorri.

Não por provocação, mas por pura curiosidade.

— Deu certo? — eu perguntei.

O músculo do maxilar dele travou.

— É claro que não deu certo.

Eu dei de ombros, um gesto mínimo. Aquele tipo de gesto que homens como ele confundem com insolência, mas que é só constatação.

— Então alguém fez errado — eu disse. — Porque eu fiz tudo certo.

Meu pai ficou parado no meio da cabine, as mãos nas costas, como um juiz antes de anunciar a sentença.

Eu continuei, sem pressa.

— Eu paguei as pessoas certas — eu enumerei. — Eu garanti que ela estivesse sozinha, ou praticamente sozinha, na hora. Eu cuidei pra agenda ser exclusiva. Eu cuidei pra ninguém entrar. Eu cuidei pra parecer um acidente.

Ele me encarou com olhos frios.

— E como exatamente você “cuidou” pra porta não abrir?

Eu inclinei a cabeça, como se ele estivesse pedindo um detalhe técnico irrelevante.

— O spa tem horários em que a sauna não funciona — eu disse. — E nesses horários eles usam a trava externa para impedir que alguém entre e se queime por conta própria. É uma trava de “controle de acesso”, pai. VIP. Privacidade. Exclusividade. O tipo de coisa que vende luxo com a palavra “segurança” em cima.

Ele fez um gesto impaciente.

— Eu não estou pedindo publicidade. Estou pedindo o mecanismo.

— O mecanismo é simples — eu respondi. — Você não precisa “trancar” como numa casa. Você precisa fazer parecer que o sistema travou. Eles me garantiram que, durante o slot VIP, a porta iria “fechar” e não responder como deveria. Uma falha.

Meu pai estreitou os olhos.

— Eles “te garantiram”.

Eu sustentei o olhar sem piscar.

— Gente que conhece os pontos cegos. Os procedimentos. Onde dá pra empurrar sem ninguém notar.

A frase ficou no ar por um segundo. Eu sabia que ele estava medindo o risco que ela carregava.

Eu deixei a pergunta cair com o tom mais inocente que eu consegui fabricar:

— O que eu não entendo é… o que deu errado?

Meu pai não respondeu de imediato.

Ele respirou fundo pelo nariz, como se estivesse tentando impedir o próprio sangue de subir para a cabeça. Quando falou, veio com a precisão cruel de quem sabe nomear o problema certo.

— Logan Novak deu errado.

Eu arqueei uma sobrancelha.

— Logan Novak?

— Ele cortou o setor — meu pai disse, e eu vi, pela primeira vez, o incômodo real no rosto dele. Não era raiva de mim. Era raiva do imprevisto. — Correndo o risco de causar uma falha maior. Correndo o risco de um blackout completo. Correndo o risco de transformar tudo isso em um evento de segurança que vai parar em relatório.

Eu senti um interesse frio atravessar meu peito.

— Ele fez isso?

Ele revirou os olhos, irritado com a própria frase ter aberto espaço para humor.

— Se controle — ele disse. — Não tente mais nada agora. A poeira precisa baixar.

Ele passou por mim e saiu da cabine tão furioso quanto entrou.

Eu fiquei olhando para a porta fechada.

A sensação não era medo.

Era pressa.

Porque meu pai podia mandar eu esperar, mas meu pai não era quem estava perdendo a janela de oportunidade. Eu estava.

Logo essa viagem acaba. E eu não vou ter tanto acesso assim a ela, nem ao fluxo de pessoas que torna acidentes fáceis de explicar.

Eu andei até a mesa, peguei meu celular e encarei a tela apagada como se ela fosse um tabuleiro.

Eu precisava resolver isso o quanto antes.

E de forma definitiva.

Só que, se eu não podia atacar a babá agora… se eu não podia encostar nela sem fazer barulho demais…

Então eu precisava de um plano B.

E eu pensei na menina.

Na criança irritante. Inteligente. Vigiando tudo com olhos de adulta em corpo pequeno.

Eu senti o canto da minha boca subir.

Eu não precisava atacar Maria Eugênia agora.

Eu só precisava usar a menina do jeito certo — e deixar o navio inteiro apontar o dedo para a babá.

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