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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 88

~ MAREU ~

— Te demitir?

A pergunta do Logan veio com uma sobrancelha levemente arqueada, como se eu tivesse acabado de sugerir vender o Asteria no Mercado Livre.

Eu fiquei parada no escritório dele com a dignidade de quem tinha ensaiado o fim do próprio emprego no caminho inteiro até ali — e agora estava descobrindo que talvez eu tivesse ensaiado a peça errada.

— É — eu disse, tentando sustentar a minha certeza. — Você falou “precisamos conversar” com aquela cara de… de comunicado oficial.

Logan soltou um som baixo. Aquela quase risada com a qual eu estava me acostumando.

Eu respirei e, já que ele tinha perguntado, eu tentei recorrer à sabedoria popular. Porque nada dá mais confiança pra uma mulher prestes a ser demitida do que sabedoria popular.

— Ué… como é aquele ditado? — eu comecei, fazendo a minha melhor cara de “sou brasileira e sei viver”. — Onde se ganha a carne… não se come o… o pão com ovo.

O silêncio durou meio segundo.

A boca do Logan tremeu.

— Pão com ovo? — ele repetiu, e aí a risada escapou de verdade. Curta, mas real.

Eu fechei os olhos por um instante.

— Você entendeu a ideia — eu resmunguei. — Não importa o recheio.

Logan encostou a mão na testa, como se aquela imagem tivesse sido a primeira coisa boa do dia dele.

— Mareu, eu não vou te demitir.

Eu abri os olhos devagar.

— Não?

— Claro que não — ele disse, simples, como se eu fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Você salvou a vida da minha filha.

A frase me atingiu num lugar estranho. Um lugar que eu não sabia que existia dentro de mim. Eu engoli, tentando manter a expressão neutra, mas senti o peito apertar.

— E — ele continuou — ela tem uma conexão enorme com você.

Eu fiquei quieta, porque eu não confiava na minha voz naquele segundo.

— E eu apoio — ele completou.

— Apoia? — eu repeti, como se “apoio” fosse um termo técnico que eu precisava confirmar.

— Apoio — Logan confirmou, e o tom dele não tinha dúvida.

Eu pisquei.

— Então… — eu puxei ar, e a pergunta saiu antes de eu conseguir impedir. — O que eu fiz de errado?

Logan me encarou como se ele precisasse organizar as próximas palavras com cuidado.

— Nada — ele disse. — Mas eu precisava te alertar.

Eu franzi a testa.

— Alertar sobre o quê?

Ele deu um passo na direção da mesa, pegou um papel qualquer sem realmente precisar dele, só pra ocupar as mãos.

— Sobre os ataques.

A palavra ficou no ar, pesada e absurda ao mesmo tempo.

— Ataques? — eu repeti, e eu mesma ouvi o ridículo. — Logan… eu sou babá, não… presidente.

— Você não acha estranho — ele perguntou, sem levantar a voz — você ter ficado presa numa sauna e, no dia seguinte, a Olívia comer um prato com castanhas que não deveria ter castanhas?

Eu ia dizer “não” no automático, porque era mais fácil fingir que o universo só tinha um senso de humor péssimo.

Mas eu parei.

Porque eu tinha visto a porta não abrir. Eu tinha sentido o ar virar inimigo. Eu tinha ouvido o garçom garantir uma coisa e o prato mostrar outra.

Eu fiquei em silêncio um segundo longo demais.

Na verdade… eu achava.

Ou talvez eu não tivesse parado pra pensar. E, em minha defesa, meu cérebro ainda parecia meio derretido desde que eu tinha virado um frango humano no spa versão VIP do inferno.

— Tá — eu admiti, devagar. — É estranho.

Logan assentiu, e o rosto dele ficou mais duro.

— E eu não posso tratar isso como coincidência — ele disse. — Ainda não.

Eu senti a nuca arrepiar.

— O que… o que eu devo fazer? — eu perguntei.

— Redobrar o cuidado — ele respondeu, rápido. — Triplicar. Com a Olívia, claro. Mas com você também.

Capítulo 88 1

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