~ MAREU ~
— Se casar?
A palavra saiu da minha boca com um atraso ridículo, como se o meu cérebro tivesse recebido a frase, colocado numa fila de “processar depois” e, só então, decidido: ok, agora você pode reagir.
Logan ficou ali, de pé, no próprio escritório, com aquela cara de quem tinha acabado de informar uma decisão de mercado. Sem tremor. Sem hesitação. Sem “desculpa”. Só… dado.
Eu senti o baque no estômago. Não um baque dramático de novela — porque eu me recuso a ser uma protagonista que cai sentada no chão em câmera lenta — mas aquele baque discreto que faz o ar ficar mais fino.
Se eu fechasse os olhos, eu ainda ouvia pedaços da conversa dele com Paula no navio. Ela falando com aquela calma de quem tem o mundo numa agenda, ele respondendo… ele respondendo como quem segura o próprio pescoço com uma gravata.
Eu tinha ouvido “esposa”, mas eu subestimei.
Primeiro: eu não levei tão a sério. Paula era claramente quem estava interessada. Ela brilhava de um jeito… programado. E Logan parecia um homem sendo empurrado para um elevador social que ele não tinha vontade de entrar.
Segundo: eles não tinham química.
Sim. Eu sei. Eu sou a última pessoa autorizada a falar de química, porque eu fui exatamente a pessoa que transou com o homem dias antes. Mas justamente por isso eu sabia comparar.
Eu tinha visto os dois se beijando.
E aquilo… aquilo parecia beijo de novela adolescente com atores ruins, daqueles que encostam a boca por obrigação e depois olham pro lado como quem pergunta “já deu pra câmera?”.
Eu olhei pra ele como se ele tivesse me dito que ia mudar a cor do mar por decreto.
— Você não pode tá falando sério — eu murmurei.
Logan soltou um ar pelo nariz. Não um suspiro cansado. Um ajuste interno.
— Mareu… o casamento é uma decisão corporativa. Não tem nada a ver com o que aconteceu entre a gente.
Eu senti a frase tentar se enfiar em mim como uma faca limpa. “Não tem nada a ver.” A parte racional do meu cérebro até tentou aplaudir o profissionalismo. A parte humana só quis empurrar a cadeira dele pela janela.
Então eu fiz o que eu faço quando a emoção é grande demais: eu me coloquei na defensiva.
— Até porque não aconteceu nada entre a gente. Você sonhou.
O canto da boca dele mexeu.
— Você vai voltar a isso?
— Não é “isso”. É um fato — eu falei, e a minha voz estava estável demais para alguém que claramente tinha vontade de chutar uma mesa. — Você teve um sonho. Acontece com qualquer um. Às vezes o cérebro… inventa coisas.
Logan cruzou os braços devagar, e eu reconheci o movimento: CEO tentando voltar a ter controle da sala.
— E como você pode saber dos meus sonhos?
Eu pisquei.
— Eu leio sonhos — eu respondi, com a seriedade de uma charlatã de luxo. — E os seus comigo foram… indecentes.
A risada dele escapou de leve. O suficiente pra me irritar mais, porque, ótimo, ele estava se divertindo enquanto eu estava tentando não explodir.
— Tudo bem — ele disse, ainda com um resquício de humor. — De qualquer forma… isso não tem nada a ver com sonhos ou… quase realidade.
“Quase realidade.”
Eu senti minha pele arrepiar com a escolha de palavras. Quase realidade era exatamente o que eu tinha fugido na noite anterior, no tapete, no beijo, na desculpa que eu inventei para não ficar.
— MAREU.
O som fez meu corpo travar. Eu parei no meio da frase, com a boca aberta, como uma criança pega no flagra.
Logan deu um passo na minha direção, e o olhar dele tinha mudado. Não era o Logan do tapete. Era o Logan do mundo dele. Frio o suficiente pra me colocar no meu lugar com duas palavras.
— Eu não te dou esse tipo de abertura para se intrometer na minha vida íntima.
Eu senti o rosto esquentar de raiva. Mas não consegui parar. Não consegui deter a minha boca grande sem filtro e o sentimento estranho crescendo dentro de mim.
— O contrato diz o contrário.
Logan ficou imóvel. E, por um segundo, eu vi ele realmente confuso — uma sensação rara e deliciosa.
— O contrato? — ele repetiu.
Eu ergui o queixo.
— O contrato diz que eu preciso aprovar sua futura esposa.
O silêncio caiu pesado.
E eu fiquei olhando pra ele, esperando o Logan CEO esmagar aquilo com lógica — ou o Logan homem… fazer qualquer coisa que não fosse me deixar com a sensação de que eu tinha acabado de declarar guerra com uma caneta infantil.
Mas ele não fez nada.
E eu apenas dei as costas e sai do escritório.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...