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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 92

~ MAREU ~

A primeira coisa que eu senti quando voltei para a mansão foi o cheiro.

Comida. Papinha. Alguma coisa refogando com manteiga.

A segunda foi o som: aquele barulhinho de bebê que não é choro nem riso, é só… existência.

Eu segui o som até a cozinha e encontrei o Liam sentado na cadeirinha alta, com a papinha em frente e uma carinha séria de quem estava prestes a aprovar ou reprovar um prato num restaurante.

Eu cheguei perto devagar, como se estivesse entrando num território sagrado.

— Oi, senhor Novak pequenininho — eu falei, e fiz uma reverência dramática.

Ele arregalou os olhos.

Eu fiz uma careta.

Ele mexeu as perninhas.

E pronto: meu coração decidiu derreter.

Eu comecei a brincar com ele de um jeito que eu nem planejei. Só saiu.

— Cadê o sorriso? Cadê? — eu cantei baixinho, mexendo os dedos no ar, aproximando e afastando como se fossem passarinhos.

William fez um som indignado, como se eu tivesse ofendido a honra dele.

— Ah, é? Não gosta? — eu falei. — Então eu vou cantar.

Eu inventei uma musiquinha completamente sem talento, mas com a convicção de quem acha que convicção substitui talento.

— O bebê mais lindo do mundo… tá comendo papinha… e a Mareu tá aqui… pra fazer você rir…

Liam me olhou com aquele olhar de “não sei quem te deu permissão” que já era muito parecido com o da irmã.

Eu fiz a cara mais ridícula que eu consegui.

Ele soltou um meio sorriso.

Eu comemorei como se tivesse vencido um campeonato.

— Isso! — eu sussurrei. — Isso foi um sorriso. Eu vi. Eu registrei. Eu vou cobrar depois.

— Mareu.

A voz veio do fogão, seca, como uma colher batendo numa panela.

Helen estava ali, terminando alguma coisa com a calma de quem manda naquela cozinha desde antes de eu existir. Ela não virou o rosto de imediato. Só falou, controlando o tom, como se eu fosse uma criança que tinha invadido o lugar errado.

— Você não é mais babá dele agora. Eu sou.

Eu fiquei parada por meio segundo, ainda com os dedos suspensos no ar, como se eu tivesse sido pega fazendo algo ilegal: carinho.

A vontade foi responder com ironia afiada. Mas eu olhei pro Liam e pensei que ele não merecia ser plateia da nossa guerra.

Então eu só respirei e sorri.

— Eu não preciso ser a babá pra gostar do menino — eu disse, leve. Leve o suficiente pra não virar briga. — Relaxa.

Helen finalmente virou o rosto, os olhos estreitos.

Eu mantive o sorriso por mais um segundo do que o necessário, porque às vezes o meu único poder é ser irritantemente calma.

E aí eu acrescentei, sem conseguir evitar a pontinha amarga:

— E parabéns. Você conseguiu, não é?

Helen levantou uma sobrancelha, fingindo que não entendeu, que era inocente, que era só uma funcionária dedicada.

Eu conhecia aquele teatro.

Eu também já fui treinada nele, só que com vestidos caros.

Na minha cabeça, eu já sabia. Quer dizer… mais ou menos.

Logan tinha “oficializado” Helen como a babá fixa do bebê. Ela tinha ganhado um quarto na casa, como tanto queria.

O meu quarto. O quarto anexo ao do Liam.

E, pra completar, uma outra babá chegaria na semana que vem, pra revezar com ela, porque ninguém aguenta 24 horas de bebê sem virar zumbi — nem com salário bom, nem com café importado.

Eu, por outro lado, tinha virado babá exclusiva da Olívia.

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