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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 94

Meia hora depois a campainha tocou.

Paula entrou primeiro, como se estivesse chegando a um evento que ela mesma produziu. Um sorriso impecável. Um vestido que parecia ter sido costurado com dinheiro. Paloma veio ao lado dela. Ela tinha apenas nove anos, mas postura de quem já tinha aprendido a ser maldosa em público com elegância. Atrás, Antônio Rizzo com cara de conselho de administração ambulante e uma mulher que eu só podia assumir que era a mãe. Cabelo arrumado, joias discretas (discretas no sentido “uma fortuna em miniatura”) e olhar avaliador.

Paula olhou ao redor como quem aprova a decoração de um hotel.

— Logan… — ela disse, com uma doçura que soava ensaiada. — Sua casa é linda.

Logan respondeu com um aceno polido. Não era um aceno de “obrigado”. Era um aceno de “registrado”.

Paula virou o olhar pra escada, pra Olívia, e o sorriso dela abriu mais um centímetro. O centímetro perigoso.

— Olívia — ela disse, agachando um pouco como se quisesse ficar “no nível” da criança. — Eu trouxe uma coisinha pra você.

A “coisinha” era uma sacola com laço.

Olívia olhou pro pai primeiro, como quem pede autorização pra fingir educação.

Logan respondeu só com o olhar: seja civilizada.

Olívia pegou a sacola. Abriu com movimentos contidos, cirúrgicos, como se estivesse desarmando uma bomba social. Tirou o papel de seda. E então… apareceu uma boneca.

Uma boneca.

Bonita, cara, provavelmente com nome e certidão de nascimento. Mas ainda assim: uma boneca.

Olívia encarou por um segundo. Depois suspirou e largou no sofá como quem devolve um objeto ao seu habitat natural: “coisas que não fazem sentido”.

Paula piscou confusa uma vez. Só uma. Mas eu vi.

Olívia se inclinou discretamente na minha direção e murmurou:

— Quantos anos ela acha que eu tenho?

Eu também me inclinei, no mesmo tom conspiratório.

— Provavelmente seis.

Olívia estreitou os olhos.

— Eu tenho seis e meio.

— Eu sei — eu disse, séria. — Muda tudo, né? Seis é infância, é brincar de boneca. Seis e meio é… responsabilidade fiscal.

Ela revirou os olhos até pra mim.

— Eu não brinco de boneca.

— Eu também não — eu murmurei. — E olha onde a gente foi parar.

Logan cumprimentou Antônio com um aperto de mão firme. Marta, como eu soube que era o nome da mulher, estendeu a mão pra ele e depois olhou pra mim como se eu fosse uma peça extra de mobília que tinha sido colocada por engano na sala.

Paula, sempre performática, ainda arrumou tempo de inclinar o rosto na direção do corredor.

— E o bebê? — ela perguntou, doce. — Soube que ele não estava tão bem… Coitadinho. Você deve estar exausto, Logan. Tão dedicado.

Logan respondeu com um “ele está melhor” e um sorriso que durou o tempo de uma piscada.

Antes que alguém inventasse mais uma camada de cordialidade, uma funcionária da cozinha apareceu no hall e disse, baixinho, que o jantar estava pronto.

Graças a Deus.

A sala de jantar parecia mais formal do que devia ser permitido em uma casa com criança pequena. Mesa grande, lugares marcados por tradição invisível, e aquele ar de que todo mundo ali era um pouco ator e um pouco juiz.

Olívia puxou a cadeira do lado de Logan, como sempre. Eu fui automaticamente pro lado dela.

E aí Marta parou por meio segundo, observando. O olhar dela desceu até a minha cadeira como se eu tivesse colocado os pés na mesa.

— Que hábito… peculiar — ela comentou, num tom que tentava ser casual e falhava.

Logan levantou o olhar.

— Desculpa?

Paula se apressou, como quem impede um copo de cair antes do barulho.

— Ah, na nossa casa a equipe costuma jantar depois — ela disse, e o sorriso dela continuou educado enquanto os olhos passavam por mim como quem aponta sem apontar. — Na cozinha.

O ar ficou fino.

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