~ LOGAN ~
A palavra “uva passa” ainda pairava no ar como se tivesse sido deixada sobre a mesa junto com os talheres.
A cadeira da Olívia tinha ficado ligeiramente fora do lugar. A porta lá em cima tinha batido. E, por alguns segundos, tudo o que eu ouvi foi o som educado demais das taças e o esforço coletivo de fingir que a cena não tinha acontecido.
Marta abriu a boca como se estivesse prestes a oferecer mais uma lição sobre como criar filhos alheios. Eu não dei espaço.
— A educação da minha filha diz respeito a mim — eu continuei. — E às pessoas a quem eu dou autorização para participar disso.
Eu senti Paula se mexer ao meu lado, uma pequena tensão no ombro, como se aquela frase pudesse respingar nela também.
— Logan… — ela tentou, baixo.
Eu mantive o olhar em Marta.
— E se a senhora entende tanto de educação — eu acrescentei, com a calma clínica que eu uso em reuniões difíceis — deveria saber que é falta dela ser invasiva na vida de quem mal conhece.
O silêncio cortou o jantar como lâmina.
Marta não era uma mulher que aceitava ser corrigida com facilidade. Ela ajeitou o colar como quem se recoloca no próprio pedestal.
— Ora, Logan — ela disse, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Você vai se casar com a minha filha. Eu vou ser uma espécie de avó postiça daquela menina.
Eu não pisquei.
— Não hoje — eu respondi.
Antônio soltou uma risada curta, de nervosismo disfarçado de charme.
— Vamos… — ele começou.
— Mamãe — Paula entrou na frente dele com o tom de quem quer apagar incêndio sem molhar o vestido. — A Olívia só está assustada com as mudanças. Ela é só uma criança.
“Só.”
A palavra me irritou mais do que a frase inteira.
— Eu vou conquistá-la — Paula completou, olhando na direção da escada como se a Olívia fosse um investimento de médio prazo.
Eu assenti uma vez, apenas para encerrar o assunto.
A sobremesa foi um mille-feuille de chocolate amargo. Mas nem de perto era o item mais amargo da mesa.
Paola mastigou em silêncio, alternando o olhar entre o próprio prato e a direção para onde a Olívia tinha desaparecido, como se aguardasse autorização para sentir alguma coisa.
Marta fazia pequenas pausas entre um gole e outro, esperando que alguém pedisse desculpas por ter sido ofendida por uma criança.
Antônio tentava manter a conversa em tópicos neutros como clima, negócios, qualquer coisa que não fosse “sua filha acaba de chamar minha esposa de uva passa de botox”.
Eu respondi o mínimo.
Quando a última colher foi deixada no prato, eu olhei para Antônio.
— Um drink no meu escritório — eu disse.
Ele abriu um sorriso rápido.
— Agora?
— Agora.
Antônio levantou com a prontidão de quem entende convite como comando. Paula começou a se erguer também.
— Paula fica — eu disse, sem dureza, mas também sem negociação.
Ela congelou por um segundo, depois assentiu com aquele sorriso que ela usa quando quer parecer compreensiva.
— Claro.
Eu servi uísque para ele e para mim. Antônio aceitou como se aquilo fosse parte natural do ritual.
— Então — ele disse, encostando o copo na mesa do escritório com cuidado — precisamos conversar sobre o casamento.
Eu encarei o reflexo do líquido por um segundo antes de falar.
— Precisamos.
Ele sorriu, aliviado, como se eu tivesse dito “sim”.
— Eu entendo que o jantar em família tenha saído um pouco da linha — Antônio falou, já investindo no tom leve. — Marta é… intensa. Mas, Logan, você e Paula têm muito em comum. Você vai perceber quando estiverem sozinhos. Sem distrações. Sem… — ele fez um gesto vago, como se o nome “Olívia” fosse uma palavra imprópria dentro do meu escritório.
Eu tomei um gole pequeno.
— Pode ser.
Antônio se inclinou, confiante.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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