~ PAULA ~
O corredor parecia longo demais para uma casa que tinha sido projetada para que tudo fosse fácil.
Eu fiquei a alguns passos da porta entreaberta do escritório, o suficiente para não parecer uma adolescente escutando conversa de adulto, mas perto o bastante para ouvir cada palavra que realmente importava.
A voz do meu pai vinha baixa, contida, com aquela paciência que ele só usava quando precisava que alguém acreditasse que ainda tinha escolha.
A voz do Logan, ao contrário, não tentava parecer paciente.
— …desde que ela esteja disposta a conhecer a Olívia melhor. Do jeito certo.
Do jeito certo.
Eu quase sorri, de raiva.
Não porque eu não entendesse o jogo. Eu entendia. Entendia tanto que me irritava ser obrigada a jogar em terreno que não era meu.
Logan Novak estava colocando condições. Não em dinheiro, não em cláusulas, não em prazos. Em afeto.
E afeto era o tipo de moeda mais cara porque não tinha tabela.
O problema era que Olívia Novak não era uma mulher adulta ansiosa por aprovação. Era uma criança treinada pela dor e pela inteligência. Ela não comprava o que eu vendia.
E o Logan…
O Logan estava disposto a me fazer pagar o preço.
Eu ouvi meu pai tentar contornar.
— … mas entenda a posição do conselho …
E ouvi a resposta do Logan, firme.
— Eu sei.
“Você vai ter que engolir a criança.” — pensei, ali parada no corredor, sentindo a irritação subir como espuma.
Logan Novak exigindo que eu me desse bem com uma menina antes de cogitar aceitar se casar comigo.
Como se ele estivesse me fazendo um favor.
Como se eu estivesse pedindo.
Eu respirei fundo.
Eu ia aceitar.
Era óbvio.
Eu não estava naquela casa por romantismo, estava ali por posição.
Logan Novak valia o esforço.
Logan Novak era o solteiro mais desejado do Rio de Janeiro e um dos mais desejados do país — não só por ser bonito e rico, que já seria suficiente para a maioria, mas porque ele carregava aquele tipo específico de poder que era para poucos.
Ele entrava num ambiente e o ambiente se ajustava.
Eu queria isso.
Eu precisava disso.
E eu precisava conquistar a menina primeiro.
Mas eu já tinha entendido uma coisa: não seria com bonecas. A boneca tinha sido um erro simples, bobo. Um presente óbvio demais para quem estava acostumada a lidar com gente previsível.
Olívia não era previsível.
Mas eu podia consertar, podia aprender a língua dela. Já tinha conquistado pessoas mais difíceis.
O que eu não podia… era manter a babá dentro da equação.
— Ouvindo atrás da porta? — uma voz perguntou.
Eu parei.
Virei.
Uma mulher estava no corredor, alguns metros atrás de mim. Postura reta. Uniforme impecável. Olhar direto. Eu avaliei da cabeça aos pés em dois segundos.
Empregada.
E, ainda assim, ela falou comigo como se eu fosse uma visita qualquer.
Eu senti a irritação virar gelo.
— Não é da sua conta — eu respondi suave, porque a suavidade sempre foi mais eficiente do que gritar.
Ela não se intimidou.
— Talvez seja da sua conta saber que meu nome é Helen — ela disse. — E, pelo que eu pude perceber hoje, nós duas temos algo em comum.
Eu dei uma risada curta, sem humor.
— Ah, é? — eu perguntei, inclinando a cabeça. — Eu não consigo imaginar nada que eu tenha em comum com uma funcionária.
Helen não piscou.
— Nós duas queremos a Mareu fora dessa casa.
A frase caiu com uma precisão quase indecente.
Eu senti uma chavinha mudar.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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