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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 90

“O problema nunca foi ser vista… foi quem viu, não conseguiu parar de olhar.”

O ar do lado de fora da mansão parecia mais leve do que o silêncio abafado que tinham deixado para trás, mas isso não significava que Dayse estivesse realmente mais tranquila, porque cada palavra dita por Clara ainda ecoava com uma clareza incômoda dentro da sua cabeça.

Ela desceu os degraus ao lado da amiga tentando manter a postura impecável que o ambiente exigia, o que incluía um sorriso controlado e uma expressão neutra, mesmo que por dentro estivesse lidando com uma confusão crescente entre o que sentia, o que queria e o que estava tentando, a todo custo, não admitir.

Clara, por outro lado, parecia ainda mais confortável depois daquela conversa, como se tivesse se divertido com cada reação arrancada de Dayse dentro do quarto.

Agora, caminhava ao lado da amiga com um ar leve, curioso e perigosamente satisfeito, observando tudo ao redor como se estivesse prestes a transformar aquele fim de semana em exatamente o tipo de caos que ela adorava.

— Você está pensando demais — murmurou Clara, sem nem olhar diretamente para ela, como se soubesse exatamente o que se passava na cabeça da amiga.

Dayse soltou um suspiro discreto, mantendo o olhar à frente.

— E você pensa de menos.

Clara sorriu.

— Não… eu só não fujo do que eu quero.

A resposta veio simples e atingiu exatamente onde deveria.

Dayse não respondeu, porque não tinha como.

E isso era exatamente o problema.

Quando se aproximaram da área da piscina, Beatrice e Camila já estavam ali, e não demorou para que Dayse fosse puxada de volta para o papel que precisava sustentar, mesmo que o corpo ainda carregasse o efeito daquela conversa.

— Beatrice… Camila… — chamou, aproximando-se — quero apresentar alguém.

As duas voltaram o olhar ao mesmo tempo, mas reagiram de formas diferentes, porque Beatrice sorriu quase de imediato, com aquela receptividade calorosa que já parecia fazer parte dela, enquanto Camila apenas analisou Clara com atenção fria, como se registrasse cada detalhe antes de decidir o que pensar.

— Essa é Clara — continuou Dayse, tentando manter a voz firme — minha melhor amiga.

Clara deu um passo à frente com a segurança de sempre e estendeu a mão primeiro para Beatrice, acompanhando o gesto com um sorriso elegante, bonito e perfeitamente calculado para ser simpático sem parecer forçado.

— Prazer.

— O prazer é meu — respondeu Beatrice, apertando a mão dela com naturalidade e simpatia genuína, como se já tivesse decidido, naquele mesmo instante, que gostava da ruiva.

Quando Clara virou o rosto para Camila, o sorriso não desapareceu, mas sofreu uma mudança sutil o bastante para que apenas quem estivesse realmente atento percebesse, porque, embora mais suave na forma, havia se tornado ainda mais afiado na intenção.

— E você deve ser a prima… — começou, inclinando levemente a cabeça enquanto sustentava o olhar da outra mulher com calma demais para ser inocente — a que observa mais do que fala, o que, sinceramente, costuma ser muito mais interessante.

Camila estreitou os olhos por um breve segundo, não o bastante para parecer deselegante, mas o suficiente para demonstrar que tinha entendido o recado escondido dentro da frase.

Beatrice, ao lado, soltou uma risada baixa, claramente achando graça da provocação elegante e Clara manteve o sorriso.

— Gosto de gente atenta — completou, como se estivesse apenas fazendo uma observação casual — quase sempre são as que percebem primeiro quando as coisas começam a sair do lugar.

O comentário não foi direto o bastante para ser confrontado abertamente, mas estava longe de ser neutro, e Dayse percebeu, assim como percebeu o modo como Camila sustentou o olhar por um segundo a mais antes de responder.

— Eu também gosto — disse, seca, sem alterar o tom — especialmente quando isso evita surpresas desagradáveis.

A tensão se instalou sem alarde entre as três, pairando de forma fina e precisa, mas Beatrice, que parecia ter talento natural para suavizar situações sem deixá-las morrer, se virou discretamente para Dayse com um sorriso divertido no rosto.

— Eu gostei dela — murmurou, baixo o bastante para soar quase como uma confidência, embora não o suficiente para impedir que Clara ouvisse — tem personalidade, e isso por aqui costuma ser mais raro do que deveria.

Clara ouviu, e o sorriso dela se alargou um pouco mais.

— Edward está tão apaixonado… — continuou, agora com um brilho nitidamente divertido no olhar, se inclinando um pouco mais na direção de Dayse — que foi capaz de convidar sua melhor amiga para que você não se sentisse deslocada no meio da família dele.

Ela arqueou levemente a sobrancelha, satisfeita com a própria observação.

— Isso não é absurdamente romântico?

Beatrice soltou uma risada baixa, girando o olhar de Dayse para a área da piscina como se estivesse considerando a hipótese com sinceridade.

Quando chegaram à beira da piscina, Clara levou as mãos até a saída de banho com a naturalidade tranquila de quem sabe exatamente o efeito que causa sem precisar exagerar em nada, e puxou o tecido para cima, revelando um biquíni discreto e comportado no corte, elegante na escolha, mas ainda assim incapaz de esconder o quanto o corpo dela era tentador de um jeito sofisticado e perigosamente eficiente.

Beatrice repetiu o gesto logo em seguida, deixando a própria saída de banho deslizar e revelando a mesma confiança de quem não parecia ter qualquer dificuldade em ocupar espaço.

Foi nesse exato momento que Dayse travou.

Porque, ao contrário das duas, não havia nada realmente discreto no biquíni que estava usando, e a consciência disso veio inteira, pesada e impossível de ignorar, no instante em que olhou para Clara, depois para Beatrice e então para si mesma.

Já dentro da água, Beatrice voltou o rosto para ela com uma expressão divertida, claramente percebendo a hesitação.

— O que você está esperando, Dayse?

Clara, que já tinha entendido perfeitamente o motivo daquela pausa, mordeu levemente o lábio inferior na tentativa quase inútil de segurar o sorriso, antes de decidir entrar no jogo com a delicadeza debochada que só ela sabia usar.

— Vamos, amiga… — disse, com um tom suave demais para ser inocente — não há absolutamente nada aí que o seu noivo já não tenha visto, e provado.

O calor subiu pelo corpo de Dayse no mesmo instante, se espalhando rapidamente pelo rosto, pelo pescoço e pelo peito, enquanto ela respirava fundo uma vez, depois outra, tentando encontrar um mínimo de firmeza antes de levar as mãos até a própria saída de banho.

O gesto foi lento, não porque ela quisesse provocar, mas porque o corpo parecia precisar de alguns segundos extras para aceitar o que estava prestes a fazer.

Quando o tecido finalmente deslizou e revelou o biquíni pequeno, ousado e muito menos discreto do que ela gostaria naquele exato contexto, o efeito foi imediato o bastante para ser sentido antes mesmo de ser encarado.

O corpo pequeno, esbelto e delicado surgiu diante de todos com uma intensidade silenciosa que não exigia esforço para chamar atenção, porque o contraste entre a aparência frágil e as curvas marcadas pelo biquíni alterava o ar ao redor de forma quase inevitável.

Do outro lado da piscina, Edward simplesmente parou. Adrian não disfarçou a reação nem por um segundo. Augustus ergueu levemente as sobrancelhas, claramente surpreso. E Richard, no exato instante em que tentou beber o drink, engasgou de verdade.

Dayse entrou na água sem olhar diretamente para nenhum deles, mas isso não significava que não tivesse sentido, o peso de cada olhar e, acima de tudo, um em particular.

Adrian inclinou levemente a cabeça na direção de Edward, mantendo os olhos presos nela por um segundo a mais antes de murmurar, em um tom baixo o suficiente para não chamar atenção dos outros:

— Vai ser difícil você se segurar, meu amigo.

E, pela forma como Edward permaneceu em silêncio, sem corrigir, sem rir e sem sequer fingir indiferença, ficou claro que talvez ele não estivesse com a menor vontade de tentar.

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