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Doce Pecado romance Capítulo 50

Paulo Niko Sankyo

Olho para o relógio em meu pulso e vejo que são 13 h. Até agora Sabrina não chegou.Provavelmente está presa no trânsito.

Eu suspiro de frustração! Afonso sempre reclama que não consegue cumprir os horários com Sabrina. Primeiro porque o internato fica muito longe do hospital e de nossa casa, segundo porque eu não abro mão da companhia dela. Às vezes sinto que ela quer sair mais cedo de casa, mas eu não cedo um milímetro sequer. E isso tem causado atrasos no trabalho dela.

Só falta eu dizer: "se vire".Não quero mesmo que ela vá para lá. E quanto mais obstáculos ela encontrar pela frente, melhor.

O interfone toca e eu atendo .

-Fala Melissa…

-Seu pai está na linha um…

- Pode passar…

Ué... Porque ele não ligou para meu celular?

-Konnichiwa papá!

-Konnichiwa musuko!

-Porque não ligou para meu celular?

-Porque achei que estava com paciente. Não queria incomodar. Vem no domingo?

-Estou pensando em fazer uma viagem de carro, papá... Para relaxar! Devo voltar só no domingo de tarde.

-Vai para onde?

-Pertinho... Sorocaba... Está tendo aquele festival que o Senhor gosta…

-No Kasato Moru? Vi uma propaganda esses dias na tv. Mas você não gosta de tumulto Musuko. Vai visitar o parque em dia de festival?

-Queria apresentar Sabrina a festa. Acho que ela vai gostar... A ideia é só sair um pouco daqui, meditar no jardim botânico, e de quebra visitamos o festival.

Nesta época do ano a colônia japonesa festeja a chegada ao Brasil dos primeiros imigrantes. O evento é realizado num parque onde recebeu o mesmo nome do navio que trouxe os primeiros imigrantes japoneses. Nessa época do ano as cerejeiras devem estar floridas. Ela vai amar... Um bom evento para demonstrar a Sabrina, nossa cultura. Se continuarmos juntos, pretendo levar ela para o Japão. Acho que ela vai adorar conhecer.

-Já que você não vem musuko, mande um de seus seguranças vir buscar os papéis.

-Sim papá... Aproveitando que ligou preciso te fazer uma pergunta.

Fiquei de perguntar a ele sobre Silvio. Prometi ao Arthur... Eu preciso saber se Silvio sabe algo deles... O Arthur está querendo chantagear ele, depois da última que aprontou na festa.

Onde já se viu? Assediar a Duda na maior cara dura. Logo ele que é um dominador experiente, e está careca de saber que submissas com contrato, não pode nem ser olhadas nos olhos sem permissão de seu dono, imagine fazer uma proposta daquela.

A única explicação que tenho é que está caducando. O que não me surpreenderia por causa do tipo de vida que leva e pelo avanço da idade, que ele ignora completamente, vivendo uma vida de boemia, como se fosse ainda jovem.

Enfim, por causa disso Arthur resolveu chantagear ele com as provas, para que ele sumisse de nossas vidas. Ele acha que vai proteger Duda assim... Mas eu tô com medo do Silvio saber algum podre sobre os velhos. Por isso vou sondar.

-Papá, Silvio está assediando a submissa do Arthur…

-Nani? ( O que?)

-Pois é... Até eu fiquei abismado…

-Mas o que aquele Kurutta (maluco) está aprontando?

-Ele quer a Duda e por isso falou que vai vender as ações, se Arthur deixar ela jogar com ele.

-Nani?

Papá dá um grito no telefone. E ele não é de gritar... Quer saber como tirar um japonês do sério? É só contar alguma injustiça, que alguém tenha feito…

Meu pai é muito correto. Sobre a história da sonegação dos impostos, ele ficou revoltado quando soube o que tio Armando tinha feito. Foi reclamação e história pra mais de mês no ouvido de todos.

-O que Arthur vai fazer? Ele não vai cair nessa né?

-Não papá, mesmo porque a menina não quer... Acontece que ele está cheio de provas contra o Sílvio. Barreto descobriu muita coisa.

-Um momento papá... Sim Melissa.

-Sua submissa chegou Senhor? Eu disse que o Senhor estava num telefonema, mas ela insistiu entrar sem eu te avisar.

Eu enrugo a testa.

-Ela fez bem Melissa... E aqui não é submissa ou namorada. Você deve chamar ela de Senhorita Sabrina, como todas as pessoas que chegam na minha recepção.

Ela abaixa a cabeça e diz:

-Sim senhor, me desculpe…

-Toda vez que a Senhorita Sabrina chegar, ela não precisa ser anunciada... A não ser, se eu tiver em reunião ou com paciente.

-Sim Senhor!

-Agora pode ir... Pede para a cantina mandar almoço para dois.

-Sim senhor!

Ela sai da frente dela e deixa ela entrar. Vejo Sabrina murmurando algo no ouvido dela, e Melissa fica rubra.

Ela caminha até a minha mesa, se senta de frente pra mim e sorri.

-Papá, vou almoçar agora... Podemos conversar mais tarde?

-Sim Musuko... Mande lembranças para Sabrina …

-Sim papá. Sayōnara…

-Sayōnara musuko!

Continua…

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