Entrar Via

Doce Pecado romance Capítulo 54

Paulo Niko Sankyo

Termino de encaixar o relógio no pulso e desço as escadas olhando para o celular, para ver se já tem mensagens.

Ontem fui dormir depois de uma punheta caprichada... Mas isso não significa que tive uma boa noite de sono. Me revirei na cama a noite toda.

Isso tudo porque eu não queria dar o gostinho para a Sabrina e ficar com ela... Não mesmo...

Eu não tinha motivos para dormir com ela, e hoje será do mesmo jeito. Eu preciso por um pouco de distância e agir como um dominador, pelo menos uma vez na vida!

Ela poderia ter se masturbado antes de dormir... Eu não dei nenhuma ordem dizendo que não podia.

Mas eu duvido que tenha feito.Uma submissa obediente, é aquela que cumpre as ordens até quando seu dominador não está olhando. Sabrina é transparente demais para mentir pra mim.

Mas omitir, ela é mestre em fazer isso! Tudo que me fala é uma parte da história. Ela só me conta o que sente segurança para contar.

Pela sua irritação e frustração que percebi ao chegar em casa, ela não se tocou e nem retirou o plug, apesar de querer muito. E dormiu pra esquecer que estava com ele. Tenho certeza!

Eu já sei o que está acontecendo entre ela e Melissa... Pela nossa conversa ontem ficou bem claro... Ela está com ciúmes!

Num primeiro momento achei que Melissa tinha dito algo... Mulher é foda... Principalmente quando envolve ex , mesmo que elas sejam submissas. Eu não sou burro, Melissa anda demonstrando seu interesse. E Sabrina deve ter percebido, ou Camila contou para ela que nós saímos alguns dias antes de assinar contrato com ela. Deve ter sido isso que comentaram no grupo. Camila e Bernardo são unha e carne, ele conta tudo pra ela. Ela deve ter perguntado a Camila, e a mesma tagarelou o que sabe.

Só que não vou fazer nada...

Apenas observar e ver até onde ela aguenta sem me contar.

Eu não tenho pretensões de sair com Melissa novamente. Eu só dei o emprego a ela para ajudar, em consideração a tudo que já vivemos juntos. E quem não ajudaria? A mãe dela tem câncer terminal... O hospital assumiu o tratamento, mas eu sei que não é o bastante. Não podia deixar ela desempregada.

Nunca houve nem a metade da cumplicidade que há entre eu e Sabrina... E mesmo se houvesse, eu teria escolhido ela primeiramente, não Sabrina.

Mesmo ela não podendo aceitar um contrato de 24/7, quando temos vontade, nada é empecilho.

Então não há motivos nenhum para ela se sentir ameaçada. Além disso, ainda tínhamos um contrato de exclusividade. Ela deixou bem claro, que não aceitava uma irmã de coleira. Só esse contrato, já lhe dá a estabilidade que ela precisa.

Olho para a mesa de café da manhã, e já vejo ela sentada lá mexendo no celular.

-Bom dia!

-Bom dia, meu mestre!

-Dormiu bem?

-Sim meu mestre... E o senhor?

-Como um anjo. -Eu sorrio.

Mentiroso!

Está sendo impossível dormir sem o calor do corpo da Sabrina ao meu lado. Mas ela não precisa saber disso.

E tudo é costume... Só preciso voltar à vida que eu tinha antes de ela aparecer. Eu conseguia dormir sozinho…

Me lembro que hoje é quinta, ela não vai para o internato. Uma notícia boa, enfim…

Se quero viajar amanhã, preciso me comunicar a ela.

-Sabrina, vamos viajar esse final de semana. Uma viagem curta de carro até Sorocaba. Vamos amanhã e voltamos no domingo, então arrume suas coisas, roupas casuais já está bom. Zefa, você pode fazer minha mala?

-Pode deixar Senhor. Ponho algum terno?

-Não. Uma calça e uma camisa social, já está bom.

-Sim Senhor!

-Nunca fui em Sorocaba... -Ela diz sorrindo. -algum motivo para visitar esta cidade, meu mestre?

- Vamos descansar... Lá tem um festival que é feito para comemorar a imigraçao japonesa. Acontece num parque temático. É um ótimo lugar para aprender um pouco sobre a cultura do Japão.

Os olhos dela brilham quando falo do que se trata.

Zefa sorri e diz:

- Vai gostar menina Sabrina... É muito legal, e as cerejeiras devem estar floridas esse ano.

-Que legal! Fiquei empolgada agora para conhecer…

Eu sorrio para ela. Essa empolgação é sincera e eu também fico animado. Minha última submissa nunca se interessou pela minha cultura, odiava comida japonesa... E eu fico me perguntando... Como eu pude pensar que poderia algum dia dar certo com ela?

Sabrina é totalmente diferente dela. Ela realmente gosta da maioria das coisas que eu gosto. É gratificante, depois de tanto tempo de procura, achar alguém que combine tanto.Zefa enche minha xícara de café e eu tomo um gole. Ele vai me fazer acordar depois de uma noite mal dormida.

-O que devo por na mala, Senhor? Roupas casuais são bem abrangentes para mulheres.

-Jeans, casaco, pode por um vestido mais social, já que lá tem muitos restaurantes legais para visitarmos.

-Sim mestre!

-O que vai fazer hoje?

-Hoje não tem nada marcado, acho que podemos ir na floricultura hoje e ao mercado Zefa? Já que amanhã nós viajaremos.

-Sim senhora! Posso programar a faxina para amanhã, já que não vai ter ninguém em casa.

Eu fico parado olhando para as duas. Parece duas amigas combinando quais os afazeres domésticos que irão fazer. É tão engraçado ver Sabrina entusiasmada com essas coisas.

Ela não é uma feminista moderna. Já vinha percebendo que ela não faz questão nenhuma de ser uma mulher independente, que dá um foda-se para a sociedade.

Ela gosta de ser dependente. Ela gosta de cuidar de uma casa, ela gosta de cozinhar, ela gosta de cuidar de mim…

Ela parece aquelas mulheres de antigamente, que preparam o café da manhã para três filhos e um marido. Todos saem para trabalhar e ela fica em casa cuidando de tudo. Na verdade só falta o avental na cintura, já que descalça ela sempre está.

Sabrina nasceu para isso...

É o sonho e realização dela...

Alguns querem o emprego dos sonhos... outros querem o emprego do sonho, o carro e a casa... já outros querem o dinheiro que ela herdou.... ela só quer uma família e uma casa pra chamar de lar.

E isso é tão ela!

Então porque, meu Deus... Porque ela se esforça tanto para me manter distante?

"Calma Paulo... Você precisa ter paciência." -Diz minha consciência para mim.

Volto para a minha realidade, limpo minha boca com o guardanapo e digo.

-Preciso ir... Bom dia para vocês!

-Bom dia Senhor!

-Bom dia meu mestre!

Beijo a sua testa e vou calçar meus sapatos, saindo em seguida.

Que porra ela está pensando?

Ela abre a boca e fecha. E eu não consigo compreender... Espero uma explicação.

-Eu pensei que o quarto extra era para sua su... Para a Senhorita Sabrina…

-Porque eu reservaria um quarto para Sabrina, já que ela dorme comigo?

-Desculpe Senhor, eu me enganei com suas instruções. Vou concertar isso.

-Eu espero. Traga um café para mim e os exames das pacientes que irei operar com o Hélio. Quero dar uma olhada. Quanto tempo tenho até a primeira paciente chegar?

-Vinte minutos.

Eu concordo e ela sai da minha sala, retornando em seguida, com o blazer branco devidamente vestido.

Põe o café de frente para mim e começa a sair da sala.

-Melissa.

Ela se vira e me olha.

-Faça uma ligação para a Cristina do departamento pessoal. E transfira para cá…

Ela concorda e sai…

Preciso dar um jeito nisso, antes que esta situação saia do meu controle.

O telefone toca e eu atendo.

-Bom dia Doutor Paulo .

-Bom dia Cristina, preciso da sua ajuda!

-Pode falar…

-Preciso que você transfira minha secretária para outro médico e ponha outra no lugar dela.

-Algum problema Senhor?

-Não... Ela é muito competente e esforçada, se não fosse não teria a contratado. Só não estamos nos entendendo como antes. Não quero que ela perca o emprego.

-Doutor isso vai ser difícil, secretárias são geralmente cargos de confiança. Não sei de nenhum médico que queira mudar sua secretária ou esteja precisando de uma.

Suspiro... Isso vai ser uma merda! Eu prevejo…

-Ok Cristina, mas já estou deixando de sobreaviso. Sonde para mim... Não quero que ela perca o emprego e nem que seja rebaixada de cargo. Se pintar alguma vaga como promoção, me avise ou se alguém ficar sem secretária.

-Tudo bem Doutor, vou sondar para ver o que consigo.

-Obrigada!

Desligo o telefone e me encosto na cadeira bebendo meu café.Eu posso por ela no laboratório do meu pai, se as coisas desandaram... O que não quero é que Sabrina se sinta ameaçada.

Porque simplesmente não quero que ela desista do contrato.

Não mesmo!

*****

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado