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Doce Pecado romance Capítulo 57

Sabrina Becker

Me olho no espelho e vejo logo ele atrás de mim, botando o relógio no pulso todo concentrado. Ele está com uma calça social preta e uma camisa de botão de mangas dobradas .

Bem despojado, cheiroso e lindo.

Estamos indo jantar e eu escolhi para a ocasião um vestido preto na altura dos joelhos de alças cinturado, com uma saia godê. Scarpins altos e deixei meu cabelo solto .

Nossa tarde foi movimentada. Essa cama, se falasse, ia pedir arrego. Parece que ele quis recuperar todo o tempo que não passamos juntos nesses dois dias. Estávamos em sintonia e foi muito gostoso.

-Aonde vamos, meu mestre?-Perguntou encaixando o brinco na orelha.

-Vamos jantar aqui mesmo, no hotel, disseram que está tendo um show de piano no restaurante. Amanhã temos de acordar cedo para aproveitar o dia.

-Vi na internet que aqui tem um jardim botânico.

Ele ri e diz:

-Sim... Gostaria de visitar?

-Sim Mestre, seria muito legal.

-Ainda bem que eu não errei na escolha do passeio amanhã.

Ele continua sorrindo olhando pelo espelho. Eu abro a boca e fecho. É o que estou imaginando?

-Vamos no Jardim Botânico?

-Sim, pensei na gente almoçar lá, tipo um piquenique ao ar livre.

Eu dou um gritinho de empolgação e ele cai na gargalhada.

-Amei... Mas como vamos fazer uma cesta de piquenique?

Ele se aproxima de mim, ainda me olhando pelo espelho. Beija meu ombro nu e diz:

-Isso sou eu que resolvo, Hanī. Está pronta?

-Sim mestre.

Ele pega a minha mão e saímos do quarto. Afonso está nos esperando no corredor. Descemos pelo elevador e logo estamos no restaurante.

É um ambiente muito agradável e com uma decoração moderna. Mesas com tampos preto e cadeiras com estofado branco. O restaurante está todo cheio de luminárias em forma de bola pendentes do teto. Algumas mais baixas que outras, causando um efeito acolhedor.

O piano está localizado num mini palco ao lado do bar. Logo que chegamos fomos encaminhados para uma mesa, e nos sentamos um ao lado do outro. O garçom traz o cardápio e começamos a escolher a comida.

-Se a comida for boa como o restaurante, vai ser maravilhosa a experiência. -falo sorrindo.

-É boa sim, quando venho pra cá sempre me hospedo aqui. Quer escolher, ou eu escolho para você?

-Confio no seu bom gosto.

-Que tal uma massa? Gosta de frutos do mar?

-Amo…

Ele faz os pedidos e eu olho à minha volta. O restaurante está cheio, talvez seja por causa do show ou porque o hotel esteja cheio, já que é o final de semana do festival.

-É sempre cheio assim?

-Não. Talvez seja por causa do festival ou por causa do show.

-O mestre gosta de lugares assim? -Pergunto, pois lugares cheios são difíceis para a segurança.

-Não mesmo... -ele sorri.-Esse final de semana é uma exceção. E Afonso deve estar nervoso.

Olho ele sentado no bar, todo sério, compenetrado e prestando atenção em tudo.

-Porque então decidiu vir, mestre? Achei que estivesse acostumado a vir nesse festival.

-Só vinha quando criança.Meu pai gosta, porque ele diz que lembra da terra dele. Costumo visitar a cidade de vez em quando por causa do jardim botânico e de alguns parques que ela possui. Gosto de natureza ! E é por este motivo que estamos aqui... Para estarmos em contato com a natureza e te mostrar um pouco da minha cultura... Não há lugar melhor!

Me surpreendi, pois ele veio no dia do festival para eu ver um pouco da cultura dele?

Logo percebi que havia algo errado... Esse lugar cheio desse jeito, não combina com ele. Ele gosta de ambientes calmos, posso dizer que ele ama a solitude, o silêncio. E ele está fazendo isso por mim.

Eu suspiro de contentamento.

Então quer dizer que nossa relação é importante para ele.

Quer dizer... Se ele não tivesse planos de ficar comigo, ele ia fazer isso? Viria num dia mais calmo só para meditar.

"Aterrissa Sabrina... Você está voando de novo, criando fantasias na sua cabecinha... Já imaginou que ele deve estar querendo apenas te agradar para depois cobrar isso na cama? Isso é bem característico de um dominador."

Minha consciência grita na minha cara, para ver se eu acordo. Me recomponho e digo:

-Não precisava, mestre... Quer dizer, eu também não gosto de tumulto. Se soubesse teria falado para o senhor que não precisava.

Ele franze a testa e me olha.

Foco Sabrina! Eu sorrio de volta.

"Can't stop my heart when you're shining in my eyes

Can't lie, it's a sweet life

Stuck in the dark but you're my flashlight

You're getting me, getting me through the night"

"Meu coração dispara quando você ilumina meus olhos.

Não dá pra mentir, é uma vida boa.

Presa no escuro, mas você é minha lanterna.

Você me guia, me guia pela noite." (N/a: tradução)

Ele volta a se grudar em mim. E continuamos escutando a música em silêncio e dançando.

-Você dança bem Sabrina...

Aprendeu no internato?

-Sim, é uma das disciplinas. Uma boa anfitriã deve saber dançar. E o mestre aprendeu com quem?

-Com tio Armando, pai do Arthur. Ele é um pé de valsa.

Eu sorrio. Não dá pra imaginar Arthur dançando... E nem Bernardo…

-Os outros também sabem dançar?

-Dois pra lá e dois pra cá sim... -Eu solto uma gargalhada.- Quem aprendeu de verdade foi só eu. Bernardo ainda arrisca um pouco, mas Arthur é uma negação.

-Não dá pra imaginar eles dançando…

-Eles foram criados com dois pés esquerdos. Tio Armando também é pianista, mas Arthur mais uma vez não conseguiu herdar os dons do pai, só a teimosia.

Eu começo a rir novamente.

A música termina e voltamos à mesa, na mesma hora que o garçom chega com o nosso jantar.

Continua…

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