Paulo Niko Sankyo
Estamos sentados numa mesa no salão do casarão. Sabrina e Camila estão comendo, enquanto eu e Bernardo conversamos.
Já vimos o Arthur pelo casarão, mas ele não veio falar conosco. Só fez sinal dizendo para que esperássemos ele.
Ele desceu sozinho. Então Duda ficou no quarto. Eu e Bernardo não comentamos o assunto na frente das meninas. Não é nosso assunto, então não temos que comentar. Nem tudo podemos compartilhar com elas.
Principalmente quando o assunto foi por causa de um jogo e por causa de um dos membros.
Não quero que fique um clima estranho entre as duas. Afinal, convivemos juntos por bastante tempo. Não tem necessidade de criar essas animosidades.
Vejo ele no bar e ele faz sinal para eu ir lá.
-Bernardo, pode ficar com Sabrina? Arthur está me chamando.
-Ok, só não demore, quando elas terminarem de comer eu vou embora.
A maioria das pessoas estão nos quartos do casarão. No salão só tem empregados e seguranças. Uns seis convidados espalhados, mas apenas bebendo e comendo.
Aqui na casa de Arthur, como é muito grande, as festas não ficam explícitas o tempo todo. Só quando as pessoas são exibicionistas. Mas hoje tudo está muito tranquilo.
O que não acontece no meu apartamento, por exemplo, por que tenho poucos quartos.
Me aproximo de Arthur, pedindo água ao garçom.
-Queria te pedir uma coisa…
-Fale…
-Amanhã quero fazer um jogo. Podemos jantar antes num restaurante, vou pedir para Pedro fazer as reservas.
-Sem Bernardo?
-Sem... Vai fazer parte da lição que Duda precisa aprender…
Eu olho para ele e suspiro de alívio. Por um momento achei que ele fosse desistir do relacionamento com Duda por causa do intrometimento dela. Se fosse antes ele não hesitaria, ele já desistiu de contratos por muito menos.
Eu sorrio…
-Que foi?
-Você não vai desistir dela…
Ele revira os olhos.
-Ela é iniciante, não sou um monstro como vocês pensam. Sei que foi uma atitude impulsiva! Mas eu preciso fazer com que ela entenda que o que fez, foi grave.
-E vai fazer isso didaticamente…
-Sim... Acha que Sabrina aguenta nós dois amanhã?
-Ela disse que só está um pouco dolorida. Confirmo amanhã com você, mas se não der pra fazer dupla penetração, adaptamos... Sem problema…
-Ok!
-Como foi a conversa?
-Eu não conversei Paulo... Estou muito puto para isso! Ahhh e tenta não contar para Sabrina que Duda fez essa cena …
-Não vou contar, mesmo porque isso pode abalar a amizade das duas…
-E amanhã não quero que elas falem com ela pelo grupo.
Eu suspiro... Arthur chateado é uma merda. Prevejo momentos difíceis para Duda…
-Ok! Darei recado ao Bê…
-Não precisa, mandarei uma mensagem para ele ... Preciso ir conversar com o Barreto, para saber se está tudo correndo bem, vocês não vão embora né?
-Vamos sim, só estamos esperando as meninas terminarem de comer... Sabrina precisa descansar se amanhã ela vai jogar novamente.
-Ok!
Ele bate com a mão no meu ombro e diz:
-Obrigada irmão... Espero que você tenha visto, que não há nada demais entre eu e Sabrina.
Eu sorrio.
-E você não sabe o quanto estou feliz por isso…
Ele sorri, mas não diz mais nada.
Ele está muito chateado, faz tempo que eu não o vejo assim... Mas se ele não terminar o contrato, é porque existe uma chance de tudo se resolver, não é?
Tomara…
Ele se afasta e eu volto para a mesa onde está Sabrina. Às duas estão gargalhando, com algo que Bê disse.
-Vamos, Hanī…
-Sim, mestre!
-Nós também já vamos, estava esperando você chegar. - fala Bernardo se levantando.
Enquanto elas levantam e se despedem, ele chega perto de mim e diz:
-E aí?
-Está chateado mas pelo menos não vai terminar o contrato. Amanhã eu te ligo, não quero que Sabrina perceba.
-Ok!
Seguro na cintura da Sabrina e me encaminho para a porta. Apesar desse estresse no final, a noite foi perfeita. E eu só tenho o que comemorar!
*******
Suspiro me olhando no espelho. Cortei um pouco a barba e estou terminando de me arrumar para o café da manhã.
Não tive coragem de acordar Sabrina cedo hoje. Ela precisa descansar, principalmente porque hoje vamos jogar novamente.
Desliguei seu despertador quando acordei…
Ontem ao chegar, eu reivindiquei minha posse novamente. E fomos dormir mais tarde do que esperávamos. Ela merece o descanso dos justos.
Eu já corri na esteira, já fiz café e pus algumas fatias de pão no forno para fazer torrada. Agora é só descer e esperar ela acordar.
Saio do meu banheiro e desço as escadas, indo direto para a cafeteira pegar café, quando meu telefone toca.
Dou um doce pra quem adivinhar quem é as 8 h da manhã.
-Fala praga…
-Você não me ligou, então eu estou ligando.
-São oito horas da manhã…
-Você acorda às seis, então não é tão cedo…
Eu suspiro... Ele foi para casa ontem curioso sobre a situação da Duda e Arthur.
Óbvio que ele ia ligar pra saber.
-Desembucha Paulo…
-Camila está aí?
-Não... Está dormindo... Arthur me mandou uma mensagem dizendo que não quer que as meninas se falam hoje... O que está acontecendo?
-Você perguntou a ele? -falo sarcasticamente, porque sei que se perguntou ele não respondeu, principalmente se for por mensagem.
-Claro que perguntei , mas o doutor não colabora…
-Hoje será um dia de castigos. Ele não quer que elas se falem!
-Vai... Eu vou acordar Camila... Amanhã te ligo pra saber as novidades…
-Porra porque não liga para o Arthur…
-Porque ele não vai me dizer... Você vai…
Saco! Amanhã, além de ir para casa dos meus pais, vou ter que prestar relatório para Bernardo…
-Tchau praga!
-Tchau japonês.
Saio da varanda e vejo minha Hanī sentada na cadeira do balcão da cozinha, tomando café.
-Já acordou? -ela sorri e confirma...
Cheguei perto dela e dei um beijo em sua testa, tirando um fio de cabelo de lá.
-Como se sente?
-Bem mestre…
-Bem mesmo? Depois do café quero vistoriar seu corpo.
Ela enruga a testa e diz:
- Por que?
-Porque hoje vamos jogar. Quero saber se está tudo bem…
-Estou bem mestre... Nenhuma dor, só com preguiça.
Tiro a bandeja de torrada do forno, ponho requeijão e dou para ela. Faço o mesmo com uma outra e mordo.
-Vamos jogar o que mestre?
Ela fala com expectativas... Que menina arteira…
-Vamos jogar com Arthur e Duda. Primeiro vamos jantar, e depois vamos jogar.
Ela me olha meio confusa, mas não fez nenhuma pergunta.Morde a torrada e se concentra em comer.
Nunca jogamos dois dias seguidos com compartilhamento... E ela deve está achando tudo muito estranho.
Me lembro do celular, ao ver ela desbloquear a tela.
-Ahhh e hoje você não tem permissão para falar no celular... Me dá seu telefone…
Ela me olha mais confusa ainda...
Continuo com a mão estendida e ela põe o celular na minha mão.
Eu desligo o aparelho e ponho no meu bolso.
-Mestre posso fazer uma pergunta?
-Claro…
-Eu fiz algo de errado para ficar sem celular?
-Não Hanī... Você não fez nada de errado. Eu só não quero que fale com ninguém hoje. Vamos passar o dia juntos. Vendo filme, cozinhando junto... O que você acha?
-Só relaxando?
Vejo que ela comeu toda a torrada que dei, então eu ponho requeijão em outra torrada e dou em sua mão.
-Só... Hanī... Vamos ter jogo hoje a noite…
Ela faz um bico e confirma…
Que safada ... O que eu fui arrumar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...