Paulo Niko Sankyo
Saio do banheiro, fechando o cinto da minha calça quando vejo ela se olhando no espelho.
Linda! Ela foi mais uma vez perfeita no compartilhamento.O tempo todo conectada a mim...
A cada dia que passa fica mais difícil eu imaginar minha vida sem ela.
Ela fez um coque no cabelo, pois para desembolar aquele cabelão vai ser impossível aqui...
Arthur já foi se entender com Duda, e nós dois estamos indo embora.
Chego por trás e a beijo na bochecha.
-Vamos?
-Posso ver as rosas? -Ela murmura.
Eu sorrio... Ela é fascinada por flores, se D. Paula pudesse escolher uma nora parecida com ela, seria Sabrina. São coisas do destino, só pode! Atrair para perto de mim, uma versão mais nova de minha mãe. Os gostos das duas são muito parecidos.
-Podemos... Já falei com Arthur e ele autorizou...
Pego ela pelo braço e saio da sala de jogos, indo até a piscina , chegando lá encontramos um mini jardim de rosas.
Tia Eleonora é fascinada por essas flores , e cultivar elas se tornaram um hobby.
Quando o casarão foi deixado para o Arthur, ela fez ele prometer que cuidaria de seu jardim... Então Açucena passou a fazer as honras de cuidar dessas preciosidades.
-É verdade que tem mudas de rosas colombianas no meio?
-Tem sim... São essas, maiores...
Aponto para as de vermelho vinho. Ela se afasta e se senta no banco de pedra.
- Quando vivia aqui, nas minhas horas de lazer ficava todo o tempo admirando esse jardim, e lendo acompanhada do perfume delas.
- É uma forma de meditar...
-Verdade. Estar em contato constante com flores me acalma...
- Quer plantar rosas no jardim de lá de casa?
Ela sorri.
-Não precisa ... Eu posso comprá-las na floricultura, é mais fácil...
Eu sorrio.
Ela cheira uma e suspira.
-Podemos ir, agora que sei que elas estão com saúde e lindas.
-Vamos, preciso cuidar de você quando chegarmos.
-Eu estou bem mestre...
-Precisa de um banho quentinho, pra não ficar dolorida amanhã...
Ela sorri e concorda.
Saímos do casarão e Beto está do lado de fora encostado no carro.
Ele sorri e abre a porta do carro.
-Boa noite Senhora Sabrina, Doutor Paulo. Para onde levo vocês?
-Para casa Beto... Chega de farra hoje...
Ela entra no carro e eu entro atrás.
-Daqui a vinte minutos estaremos lá Doutor, isso se o trânsito deixar...
*******
Estamos na banheira da suíte dela. Ela está deitada em meu peito com os olhos fechados . Passo a esponja em seu corpo, relaxando seus músculos.
-Mestre...
-Fala...
-Agora que já passou, o senhor poderia me dizer o que rolou?
Eu suspiro... É bom se envolver com mulheres observadoras e inteligentes. A parte difícil é quando temos que esconder algo delas. É muito curiosa... Pqp!
-Sobre o que está falando? -me faço de desentendido.
-Sobre Duda e Arthur... Eu juro que não vou falar nada pra ninguém... Eu só quero saber o que rolou.
- Não rolou nada Sabrina...
-Então qual foi o motivo de ela ficar presa numa cadeira, só observando a cena?
-Duda nunca participou de uma dupla penetração. Ela queria ver como era...
-Amordaçada?
-Bom, eu não estou na cabeça do Arthur para saber porque ele pôs uma mordaça, talvez ele não quisesse ouvir ela gemendo...
Ela passa um tempo em silêncio, e depois diz:
-Pode ser...
-Sabrina... Eu não vou repetir de novo, então preste atenção... Há coisas que não são da nossa conta... Essa é uma delas. Ele queria fazer uma dupla penetração e mostrar para a Duda. Perguntou se nós aceitaríamos, eu aceitei e ponto. Foi só isso! Para de pôr coisas na sua cabeça...
-Sim mestre!
Ela fica em silêncio e eu suspiro.
-Vamos sair a água já esfriou...
Ela se levanta e eu me levanto logo atrás dela.
Pega a toalha e começa a se enxugar. Eu faço o mesmo.
-Bom, vou deixar você descansar... Boa noite e até amanhã.
Beijo sua testa. E saio de seu quarto enrolado na toalha.
Ela nem disfarça a cara de decepção.
Eu suspiro... Claro que ouviu...
-Acho que Sabrina está com ciúmes da Melissa. Pelo menos estava... Agora eu acho que as coisas entraram no eixo...
-Ela tem motivos, musuko?
-Melissa já jogou comigo... Provavelmente ela sabe disso. Mas tudo que sei são suposições. Ela não me contou... E eu odeio mentiras ou omissões, papá... E eu odeio saber que ela esconde coisas de mim...
Me levanto do sofá e vou para a janela, olhar o jardim de minha mãe.
-Primeira coisa... Precisa transferir essa menina de setor... Nunca dá certo ter uma ex-submissa como secretária, musuko.
-É, confesso que fui inocente nessa história... Eu estou tentando uma transferência dela, mas não quero que ela seja rebaixada. Apesar do hospital está arcando com todo o tratamento da mãe dela, ainda sim são muitos gastos.
-Vou dar uma olhada no RH do laboratório.
-Já fiz isso papá... No momento nenhuma vaga... mas parece que as coisas se acalmaram agora. Elas andam se comportando, uma comprimentando a outra. Acho que ela desencanou. Esse não é meu maior problema... O problema é saber que até hoje, ela não me contou o que rolou com Melissa...
-Talvez seja medo... De perder o contrato.
-Talvez, mais vejo isso como falta de confiança também. Ainda existe o bendito emprego no internato.
-Você concordou, Musuko...
-É concordei, mas não soa estranho ela querer manter um emprego? Quer dizer... Se ela tem planos de ficar comigo permanentemente, para que ela ia querer um emprego que atrapalhasse toda minha vida?
-Você disse que não quer largar os amigos do internato porque os considera como família. Difícil desistir da família.
-Mais papá... Ela usa isso como garantia. É falta de confiança no nosso relacionamento... No que temos... Pra mim ela não acredita que vamos sobreviver aos seis meses. Esse é o recado que ela me dá com as atitudes dela.
-Sabe, sua mamã também é teimosa...
-Claro que é... As duas são iguais... Eu achei uma cópia da minha mãe... Como você lida com a teimosia dela?
-Antigamente castigava... Agora eu só concordo com tudo que ela diz, e deixo o tempo provar que ela está errada. Eu não vou ficar desgastando nosso relacionamento por causa das teimosias dela... Ela teima e eu deixo pra lá...
Eu sorrio.
Tão simples... Meu papá é um sábio! O triste é ter essa resiliência que ele tem. Apesar de eu ser paciente, tem horas que a paciência vai embora...
-Sábios conselhos papá... Eu preciso meditar mais para entrar nessa paz interior que eu consiga ignorar as teimosias de Sabrina... Porque no momento não me encontro assim...
-Falta quanto tempo para terminar o contrato?
-Três meses...
-Use este tempo para esperar ela tomar as decisões dela... Sem pressionar, porque depois, na primeira decepção que a vida der a ela, vai jogar na sua cara que deixou para trás algo que era importante, por sua causa. Ela precisa tomar essa decisão sozinha musuko.
-O que faço com meu coração até lá papá...
-Não vai mudar muita coisa... Você já está apaixonado. O tombo vai ser o mesmo se terminar o contrato agora ou daqui a três meses. Já era, musuko.
Ele tem razão... Infelizmente!
Se der errado... O tombo vai ser grande.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...