Paulo Niko Sankyo
Hoje é o jantar na casa nova de tio Armando e Tia Eleonora.
Eles chegaram ao Brasil na segunda. Ontem estive lá para conhecer a nova casa deles. É linda!
Resolveram fixar residência novamente em São Paulo, porque estão meio cansados de viajar.
Arthur está meio irritado com isso. Ele acha um desperdício eles comprarem uma mansão para eles, já que o casarão é enorme. Dava para todos morarem lá, ou até mesmo eles retornarem e ele ir para uma cobertura.
Eu acho difícil eles voltarem a morar no casarão. É uma tradição o CEO do grupo Albuquerque morar lá, principalmente agora que eles acham que Arthur vai casar.
Eu sorrio sozinho, no meu quarto terminando de me arrumar.
Tia Eleonora jura que agora Arthur realiza o grande sonho da vida dela, principalmente porque ele abaixou a guarda, e vai apresentar Duda a eles hoje. A primeira submissa que ele apresenta aos pais. Acho que se eles pudessem, soltariam fogos de artifício no jantar.
Ontem fui na casa deles, porque o tio Armando mandou me chamar. Ele queria saber detalhes da menina, apesar que eu não pude ajudar muito, já que tudo que sabia, Bernardo já havia contado a ele.
Eu estou amando ter tio Armando e tia Eleonora mais perto novamente. Principalmente na fase em que estamos.
Olho para o meu relógio e vejo que preciso sair de casa daqui a vinte minutos, se não vamos chegar muito atrasados.
Eu cheguei atrasado hoje no hospital. Uma grávida minha entrou em trabalho de parto, e eu tive que fazer uma cesária agora de tarde.
E como avisei Sabrina do jantar apenas às 16 h, antes de entrar na cirurgia, ela estava toda nervosa se arrumando, já que estava no treino com Bianca quando a avisei.
Eu devia ter avisado antes, mas eu me distraí com o trabalho. Ultimamente quase não tenho mandado mensagem para ela. Quando quero avisá- la de algo mando recado pelo Afonso ou Zefa. Por isso, ela demorou a descobrir a mensagem no celular. Não esperava...
Não é implicância, muito menos birra, só estou olhando para esta relação como ela realmente é. Uma relação de contrato com uma submissa.
A conversa que tive com meu pai, ajudou muito a clarear algumas coisas da minha mente. Ele tem razão quando diz que eu devo dar tempo ao tempo. Aquilo que não tem solução, a gente deixa o tempo resolver. Aliás, Bernardo já havia dito o mesmo...
Eu não posso exigir dela as mesmas certezas que tenho, mesmo porque somos pessoas diferentes .
Domingo chegamos em casa e dormimos juntos, mas como seu corpo estava bem judiado das seções anteriores, apenas dormimos.
A semana decorreu como sempre, desde a viagem que fizemos. Eu dormindo no meu quarto e ela no dela. Algumas vezes tínhamos algumas resenhas mais íntimas e só.
Não voltei a tocar nos assuntos que me incomodam e nem ela me irritou com perguntas pertinentes. Ela esteve no hospital nos três dias que trabalhou no Internato, mas não vi nada demais entre ela e Melissa.
E também não precisou ser castigada, porque chegou no horário estipulado.
Espero que ela nunca descubra isso, pois aí eu estaria facilitando demais as coisas, mas estudei o caminho que eles faziam do internato ao hospital e descobrimos que havia um caminho alternativo, e que tinha menos trânsito. O que facilitou para que ela chegasse sempre no horário, às vezes atrasava uns cinco minutos, eu cumpria o acordo, mas o flogger nem fazia cosquinha.
Eu não teria coragem de castigar ela três dias seguidos porque se atrasou. Mas isso era segredo... Ela nunca saberia disso. Ela só sabia que Afonso tinha descoberto um caminho melhor. Quero que ela ache que eu sou um carrasco quando tenho que ser. Eu não iria facilitar as coisas para ela... Era essa ideia que ela tinha que ter em mente.
Sabrina tinha um poder sobre mim que nenhuma outra tem.
Então isso tinha que ficar escondido, enquanto eu não tinha certeza que ela sentia o mesmo por mim.
Eu deixaria o tempo resolver as coisas... Era a melhor opção, mas tentaria me proteger.
Saio do quarto botando o celular dentro do paletó e bato na sua porta.
Ela grita de lá de dentro
-Entre.
-Está pronta, temos que sair agora...
-Sim mestre. Estou à altura de um jantar na casa dos pais do Arthur?-ela fala insegura.
Como sempre está linda! Sabrina é uma mulher muito elegante, e ela sabe utilizar seus atributos físicos a seu favor. Ela está trajando uma pantalona preta e uma blusa de seda branca. Com uma sandália e uma bolsa na mão. Seus cabelos estão num rabo de cavalo e está com uma maquiagem discreta.
-Esta linda... Porque está insegura?
-Não tive tempo de me dedicar à arrumação. Escolhi a primeira roupa que vi no armário.
Me aproximo dela e seguro seu rosto, ela automaticamente fica mais calma.
-Você está à altura dos pais do Arthur, não se preocupe... Me desculpe ter te avisado em cima da hora, mas eu estava envolvido com o trabalho e me esqueci.
Ela confirma com a cabeça.
Eu capturei seus lábios, iniciando um beijo gostoso e lento.
Solto sua boca e a olho.
-Mais calma?
-Sim mestre.
-Então vamos...
Dou a mão a ela e saímos do apartamento, para mais uma reunião em família. E eu estou bem animado.
Confesso!
***
Quando chego no portão da casa de meus tios, vejo Bernardo estacionando aquela banheira extravagante dele. Não que eu não goste de carros luxuosos e potentes, mas acho também que eles são uma chamariz para sequestradores e afins.
Gosto de ser discreto...
-Se tivéssemos cronometrado não daria tão certo. -digo murmurando para ela. Ela sorri.
-Quer dizer que não estamos atrasados... -ela diz baixinho
-Estamos sim... - olho no relógio e enrugo a testa. -é porque Bernardo sempre é o mais desorganizado. -suspiro, olhando para ela. -Hoje você se comporta normalmente, Sabrina, sem etiqueta Bdsm. Nessas reuniões, onde os velhos estão, deixamos a etiqueta de Bdsm para trás. Fará suas próprias escolhas, converse com quem quiser. Só use essa liberdade com parcimônia. Mas não se esqueça que todos que estão lá são da cultura Bdsm. Então não exagere!
-Sim mestre!!
-Ham ham...
-Desculpe... Sim, Paulo!
Eu sorrio.
- Ainda bem que não vai ser só eu que vou fazer vexame, chegando num jantar atrasado.
Solto do carro e dou a volta, para abrir a porta de Sabrina, ajudando ela a sair.
-Tá atrasado japonês...
-Você também escocês...
-Isso é esperado de mim, não do cara que tem enfiado no cú um relógio.
Eu reviro os olhos e as meninas começam a rir. Palhaço!
- Tive uma cesária de emergência. E qual é sua desculpa?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...