Paulo Niko Sankyo
E eu me escoro na parede do elevador. Não estou preparado para falar com ela sobre o que aconteceu. Porque apesar de compreender seus motivos, não justifica machucar outra pessoa do jeito que ela fez. E no meu ambiente de trabalho, o que é mais grave ainda.
Eu não tenho nem dúvidas que se fosse um dos meninos eles encerrariam o contrato.
Mas eu não sou um dos meninos, e como Afonso e Bernardo disseram, ela foi provocada.
O elevador pára no meu andar e eu saio de dentro digitando o código.
Quando abro a porta , ela dá um pulo do sofá e se senta olhando.
Está com os olhos vermelhos e inchados. Eu fico até com pena...mas não posso fingir que nada aconteceu.
Retiro meus sapatos e ponho o paletó na cadeira junto com a minha pasta.
Olho para a cozinha e vou para lá pegar um pouco de água só para fazer hora.
Quando olho novamente para a sala, encontro ela sem a camisola que estava usando, de joelhos na posição submissa.
Eu sei o que isso significa.
Ela está esperando a punição dela.
Eu suspiro...
-Não vai rolar Sabrina...
-Mestre, tenho permissão para falar?
Suspiro. Me sento num sofá na frente dela e digo:
-Fale...
Ela levanta a cabeça e me olha com as lágrimas caindo em suas bochechas.
-Eu sei que errei mestre. Mas eu estou disposta a me redimir. Por favor, me puna... Eu mereço ser punida... Eu não deveria ter feito aquilo... Mas eu te peço só mais uma chance, para te mostrar que não sou aquela mulher desequilibrada, que fui hoje...
-No momento, não vai rolar... Eu já te falei... Não vou te punir com sexo ou deixar você não gozar, ou enfiar meu pau na sua goela até você parar de respirar. Não vai ser assim...
Olho para ela sério e ela continua chorando. Ela limpa as lágrimas e diz:
-Então o senhor pedirá minha coleira...
-É o que devia fazer depois daquela cena grotesca no hospital No meu ambiente de trabalho, com a minha funcionária.
Ela abaixa a cabeça confirmando, bem conformada com esse destino.
Fico em silêncio, deixando ela remoer mais ainda aquela constatação. Ela merece esses momentos suspensos! Nunca dei motivo para ela desconfiar de mim! Se esse foi o motivo das cenas de ciúmes.
Mas o que dói mesmo, é saber que ela tirou as suas próprias conclusões sobre a cena que viu... Ela não me perguntou e nem procurou saber o que estava acontecendo.
Eu suspiro e digo:
-Mas não vou fazer...
Ela levanta a cabeça na mesma hora, e me olha com um início de sorriso...
-O senhor vai me dar mais uma chance ...
-Sim... Mas será do meu jeito... Se não for... Eu quero a coleira...
Ela engole a saliva e me olha desconfiada.
-E como seria do seu jeito.
-Você vai me contar tudo que está rolando. Sem omitir nada... Essa é sua última chance... Eu quero saber de tudo... E nunca mais vai esconder nada de mim Sabrina, porque se eu souber que você escondeu mais algo de mim, vai se arrepender.
Ela se anima.
-Eu prometo mestre, te contarei tudo.
-Vamos terminar esse contrato, e depois se quiser continuar, vai ser do meu jeito. Nada de internato no nosso meio. Nada de segredos. Eu quero você de corpo inteiro ao meu lado. Se não for assim é melhor me entregar a coleira.
Estendo minha mão para que ela me devolva a coleira se não aceitar.
Ela engole seco.
-Mestre...
-Sem mestre Sabrina... Cansei... Cansei de ter você pela metade. De ter que te dividir com o Internato. Eu devia te encostar na parede agora para largar esse bendito emprego, mas não vou porque eu não volto atrás numa palavra dada, e também porque só falta um pouco mais de um mês para este contrato terminar. Eu cansei de você não se abrir comigo, de querer resolver as coisas sozinha... Eu cansei de esperar que você seja sincera comigo. KUZO! EU SOU UM DOMINADOR, PORRA! -eu grito essas últimas palavras perdendo o controle. Me levanto e começo a andar pela sala. -Porque continuar trabalhando lá é tão importante? Você não precisa do internato pra nada, e não perderá suas amizades se decidir por mim. Pelo menos as amizades verdadeiras não. -eu não devia está tendo essa conversa agora...
Eu bebi, bem mais do que estou acostumado...- O SEU SILÊNCIO CAUSOU ISSO. MELISSA DESLOCOU O OMBRO NA QUEDA. PODERIA SER PIOR... SE VOCÊ NÃO CONFIAR EM MIM, NÃO TEM COMO JOGAR!
-Eu confio mestre... -ela soluça. -Eu só não confio nela! Ela me provocou durante todos esses meses. Desculpe se machuquei, eu não tinha essa intenção. Eu só queria dar uns tapas, naquela cara de sonsa dela.
-Sei, esfregar a cara dela no asfalto.
Ela fica branca e começa a chorar descontroladamente. Se eu tinha minhas dúvidas, que ela disse isso, tirei todas elas agora.
-Se o senhor quiser eu peço desculpas a ela...
-Não... Eu quero vocês duas longe uma da outra. Quando ela retornar para o trabalho, passará a trabalhar com Bernardo. E você vai esquecer que ela existe Sabrina. Nem toque no nome dela. E eu nunca falei tão sério em toda a minha vida!
Ela abaixa a cabeça e diz:
-Sim mestre!
-Eu quero que você entenda que não há espaço numa relação sub/Dom para segredos e desconfianças. Você precisa ser sincera comigo , Sabrina.
-Eu sei mestre. Eu tenho pânico... Medo em perder as pessoas. Eu acabo agindo impulsivamente. Não penso muito. Eu não queria levar esse problema para o Mestre. Eu achei que conseguiria resolver a situação.
-E resolveu? Me explica? Não há como resolver situações com omissões e mentiras. Você entrou na minha sala e tirou suas próprias conclusões. Se esqueceu que temos um contrato de exclusividade. Eu nunca descumpriria o que estava no contrato.
- Eu sei que não, mas não penso o mesmo sobre ela. Eu perdi a cabeça. Eu não pensei ...
-É... Você não pensou... Essa terapia que você anda fazendo para controlar seus medos, eu espero que ela te ajude a controlar seus ciúmes também. Porque eu vou tornar a repetir Sabrina... Essa é sua última chance.
Me levanto e começo a subir as escadas


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...