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Doce Pecado romance Capítulo 91

Paulo Niko Sankyo

Estamos sentados na mesa de jantar. E nesta altura do campeonato já terminamos o jantar, mas não saímos da mesa, porque a conversa rendeu. Ela me contou tudo sobre Melissa.

Como eu sei que ela contou tudo? Porque seus olhos não me encaravam quando ela chegava nas partes em que ela não era "uma pessoa muito equilibrada". Ela não me olhava porque estava com vergonha.

Felícia Vaz:

A ameaça existiu, mas existiu muitas outras coisas que eu não imaginava. Mas sabe qual é a minha conclusão? Assim mesmo não era o bastante para justificar uma surra na Melissa, o que me leva a crer que, na cabeça dela tudo toma uma proporção muito maior do que já é...

Preciso conversar com um terapeuta sobre esse estado dela.

-E o que mais?

-Eu te contei tudo em relação a Melissa...

-Que não justifica você ter perdido a cabeça. Devo te considerar uma psicopata? Só porque uma antiga submissa minha estava disputando a minha atenção com você, resolveu dar uma lição nela por causa disso.

-Eu também me senti insegura. Camila havia me dito que ela só não aceitava um contrato de 24/7, porque ela cuidava da mãe dela. Quando ela perdeu a mãe...

-Você começou a criar situações na sua cabeça...

-Sim... Mas em nenhum momento achei que o Senhor não cumpriria o contrato comigo...

-Mas achou que eu talvez rompesse com você para ficar com ela.-Ela abaixa a cabeça e confirma.-Antes de assinar um contrato com você, eu jogava com Melissa. Não acha que se eu quisesse ela como submissa permanente, teria escolhido ela?

-Mas era diferente mestre... Ela tinha uma mãe doente para cuidar...

-E acha que foi uma substituta da Melissa?

-Na minha cabeça isso fazia muito sentido, mas agora eu me sinto uma idiota por ter pensado desta forma.

-O ciúme cega as pessoas. Você estava tão concentrada em cumprir seu objetivo no hospital, que demorou a perceber que era eu que estava na sua frente, não mas a Melissa...

-Eu não sei como isso foi acontecer. Eu nunca fui uma pessoa ciumenta. Eu sou uma submissa! Nunca tive problemas com isso... Essa relação que nós temos tem me deixado muito confusa. Fora que eu estou sendo pressionada a encarar coisas que eu nunca quis encarar antes. Eu não sabia que o medo de ficar sozinha, era causado por traumas do passado... Eu estou tentando entender as coisas , mestre...

-Pressionada por mim...

-Não só pelo mestre... Mas por mim mesmo. Pela minha consciência. Eu preciso aceitar para compreender...Eu preciso lidar com algumas situações para estar inteira nesta relação. A terapia é para isso! E eu vou conseguir... Eu só preciso de um pouco mais de tempo.

-Existe algo mais que você queira me contar?

Ela suspira e confirma com a cabeça.

Eu espero...

Ela torce as mãos no seu colo.

Merda! O que ela está escondendo de mim para ficar tão nervosa?

- Semana passada, Zefa pôs por engano algumas roupas suas no meio das minhas roupas. Como ela estava atarefada, eu resolvi não incomodar ela e fui eu mesma guardar suas roupas.

Entrou no meu quarto sem permissão... Porra!

Levanto uma sobrancelha, mas ela ignora e continua falando.

-Como não sabia qual era a gaveta que o mestre guardava as calças de pijamas, comecei a procurar...

Bisbilhotou nas minhas coisas.

Ela faz uma pausa lambendo os lábios.

Procurou e achou o que não devia né Sabrina?

Não que eu não esperasse que um dia, ela descobrisse minha coleção nada normal de calcinhas. Mas eu esperava que fosse demorar para isso acontecer.

Vocês estão entendendo porque eu gosto de dialogar? Agora eu começo a entender porque ela perdeu o controle.

-E...

Incentivo.

-Vi sua gaveta de calcinhas...

-E...

Quando ela vê que não me alterei ela continua.

-Fiquei com muita raiva quando vi que tinha calcinhas que não eram minhas... Quer dizer, porque guardava calcinhas que não eram minhas? Já que estava apenas comigo?

-É uma coleção Sabrina... Você nunca colecionou coisas? -Ela balança a cabeça dizendo que não.-Então eu vou te explicar... -Tomo um gole de suco.- Você vê o objeto que quer, e imagina ele sendo apenas seu. Bom, na minha cultura isso não é muito louvável, porque combatemos o materialismo de todas as formas. Talvez eu tenha puxado minha parte brasileira nisso. O meu objeto de desejo é a calcinha... Mais podia ser uma coruja, e objetos com temas de coruja. Ou podia ser imagens de Buda, como Zefa coleciona. Um colecionador sente desejo em ter aquele objeto, não importando quem foi que deu o objeto ou não.

Às vezes ele ganha, às vezes ele compra, às vezes ele acha e às vezes, ele rouba, isso vai depender do tamanho do caráter da pessoa. E assim ele vai fazendo a sua coleção. Queremos adquirir aquele objeto. Você mexeu na gaveta?

-Peguei apenas uma calcinha na mão. Mas não bisbilhotei...

-Porque não fez o serviço completo? -ela fica confusa olhando pra mim. -Bom, se fosse deixar você sem caraminholas na cabeça teria que ter mexido, até tirar todas as dúvidas.

-E mudaria algo se eu tivesse mexido?

-Sim, descobriria que muitas das calcinhas que estão ali, estão com etiqueta da loja ainda, sem terem sido usadas. E muitas delas eu comprei pra você usar, em ocasiões especiais. E depois pegaria de volta, claro... Aquela preta que eu cortei com a faca num dos nossos últimos jogos, estava lá junto com as outras. Não que não tenha calcinhas que não sejam suas ... Têm... Milhares! Mas não estão naquela gaveta.

Capítulo 91 A conversa 1

Capítulo 91 A conversa 2

Capítulo 91 A conversa 3

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