— Mas você vai ter que ser paciente e esperar um pouco. Quando o noivado com a família Âncora for oficialmente rompido, se o Afonso quiser se casar com você, as portas estarão abertas a qualquer momento.
O nariz de Naiara ardeu, a emoção tomando conta.
— Eu não me importo de esperar.
Henrique Xavier mudou de assunto, o tom mais leve.
— Já escolheram o nome do bebê?
Fábio assumiu a resposta:
— O apelido já está decidido. Vai ser Bento. Mas o nome de registro, a Naiara disse que faria questão que o senhor escolhesse.
As feições de Henrique relaxaram em uma expressão de puro contentamento.
— Bom, eu estive pensando em algumas opções…
Eduardo, ao lado dele, deu uma risada baixa.
— O senhor está sendo modesto, Sr. Henrique. Desde que descobriu que a Srta. Naiara esperava o seu neto, o senhor não faz outra coisa senão pensar nesse nome.
Henrique fingiu uma expressão severa, arregalando os olhos para o velho amigo.
— Você fala demais, Eduardo!
Naiara tentou se sentar. Ao se mover, sentiu uma pontada de dor nos pontos.
Fábio rapidamente a segurou pelos braços, ajudando-a a se acomodar. Belmira arrumou os travesseiros nas costas dela, garantindo que ficasse o mais confortável possível.
Diante de tanto cuidado e carinho, Naiara sentiu o coração apertar de gratidão. As palavras, no entanto, não saíram. Ela preferiu guardar aquele sentimento, gravando cada gesto de bondade em sua memória.
O celular de Naiara estava sobre a mesa de cabeceira. Quando a tela acendeu com o toque de chamada, foi Fábio quem primeiro viu o nome no visor.
*Afonso.*
Com medo de estar vendo coisas, Fábio até pegou o aparelho para confirmar.
— Naiara! É o Afonso!
Naiara piscou, atônita, e pegou o celular às pressas.
Era ele. Era mesmo ele.
Naquele instante, seus dedos tremiam ao deslizar a tela para atender. Ela apertou o aparelho contra a orelha com força, com medo de perder qualquer som que viesse do outro lado.
— Afonso?
A voz que soou do outro lado partiu seu coração.
— Sou eu. Acabei de pousar no aeroporto.
Lembrando-se das palavras recentes de Henrique, Naiara fez um esforço colossal para engolir o choro e controlar as emoções que fervilhavam em seu peito.
— Certo… Eu estou no hospital.
A voz de Afonso soava rouca, carregada de exaustão.
— Eu sei. Vi a mensagem que o Fábio deixou. É uma pena que seja um menino. Você deve estar muito decepcionada, não é?
A mão esquerda de Naiara agarrou o lençol com força. Ela mordeu o lábio, tentando estabilizar a voz.
— Tudo bem… O Tio Henrique disse que ainda teremos outras oportunidades no futuro.
— Sr. Henrique, o jovem mestre está são e salvo.
De repente, Henrique soltou uma risada misturada com resmungos.
— Criei esse moleque para nada! A primeira coisa que ele faz ao voltar não é ligar para o pai, mas para a mulher dele. Diz pra mim, Eduardo, de que me serve um filho desses?
Eduardo sorriu, compreensivo.
— O Sr. Afonso ama demais a Srta. Naiara. Como ele não pôde estar presente no parto, o coração dele deve estar apertado de preocupação por ela.
***
Fábio ficou esperando no corredor do hospital. Ao ver a figura apressada se aproximando, andou a passos largos e o puxou para um abraço apertado.
— Seu desgraçado! Por que demorou tanto para ligar?!
Ele o afastou e o examinou de cima a baixo, minunciosamente.
— Menos mal. Nada que seja letal.
O olhar de Afonso, no entanto, já estava fixo na porta do quarto.
Fábio deu uma risada leve e deu um tapinha no ombro dele.
— Eu sei que você não aguenta mais esperar. Vai logo. Sua mulher e seu filho estão lá dentro. A Dona Belmira e eu vamos embora agora, voltamos mais tarde.
Afonso não precisava de palavras. O sorriso contido e o olhar exausto diziam tudo.
— Obrigado.
— Deixa de frescura e entra logo — retrucou Fábio. — Vai lá ver o quão bonito é o meu afilhado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...