Afonso caminhou até a porta e encontrou Belmira saindo. Ela olhou para o curativo no rosto dele e soltou um suspiro pesado.
— A Naiara não chorou nem fez escândalo, ficou quietinha como se nada tivesse acontecido, mas a verdade é que ela estava apavorada. Entre lá e fique com ela.
Afonso assentiu levemente.
— Eu sei.
Ele empurrou a porta.
Deu alguns passos rápidos e, no segundo seguinte, seu olhar se entrelaçou com o da mulher deitada na cama.
Naiara fez um biquinho trêmulo. Todas as suas barreiras, toda a sua compostura habitual, desmoronaram no mesmo instante. As lágrimas começaram a rolar.
— Por que você demorou tanto?
Toda a ansiedade, o pânico, a culpa e a dor que apertavam o peito de Afonso formaram um nó na sua garganta. Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.
Ver a imagem dela ali, tão frágil e ressentida, fez seu coração apertar como se estivesse sendo esmagado. Seus olhos transbordaram de desespero e compaixão.
Naquele momento, ele teve a certeza de que ela o havia transformado em uma parte indispensável de sua vida. Ele era seu porto seguro, o homem com quem ela podia se desarmar e mostrar suas emoções mais cruas.
Naiara abriu os braços, pedindo manha como uma criança.
— Quero colo.
Afonso respirou fundo, sentou-se na beira da cama e, lutando para conter o tremor de suas próprias mãos, puxou-a delicadamente para um abraço.
A mulher que ele protegia com a própria vida havia enfrentado a maior e mais dolorosa batalha deste mundo completamente sozinha. E ele não estava lá.
Ao sentir o cheiro familiar e o batimento firme do coração dele, Naiara finalmente sentiu a alma voltar ao corpo.
— Afonso — a voz dela soou abafada no peito dele, carregada de mágoa.
O homem, sempre tão frio e no controle de tudo, respondeu com uma culpa indisfarçável:
— Eu voltei.
— Você prometeu. Disse que estaria comigo quando o bebê nascesse. Você quebrou a promessa!
A garganta dele doía.
— A culpa foi minha.
Toda a força que ela havia fingido ter desabou. A voz de Naiara saiu fraca, um sussurro choroso.
— Doeu tanto ter o bebê. Doeu tanto que eu achei que ia morrer.
Consumido pelo remorso, Afonso não tinha mais palavras.
— Me perdoa.
Fora isso, não havia o que dizer. Sua mente estava um caos, seu coração batia descompassado. Saber que ela entrara em trabalho de parto prematuro por causa do choque da notícia do acidente o torturava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...